
Enquanto o Verdão patina, o Mengo segue em frente na busca quase impossível de alcançar o Galo, que pouco antes havia vencido mais uma, graças ao gigante Hulk.
Não, não foi uma daquelas ações avassaladoras do ataque rubro-negro. Ao contrário: o Fla penou diante do Inter, no Beira-Rio, depois de um primeiro tempo em que, no curto espaço de onze minutos praticamente definiu o placar, com um disparo longo e certeiro de Gabigol e uma investida de surpresa de Andreas.
O Inter, que no finzinho dessa etapa reduziu com Taison, foi bem melhor no segundo período, embora as melhores chances de ampliar o marcador coubessem ao Mengão.
A nota do jogo, porém, foi o retorno de Arrascaeta nos minutos finais, ele, que estava há muito tempo na enfermaria do Ninho do Urubu, e que era o grande armador do time.
Não sei se terá condições para enfrentar o Verdão, na final da Libertadores, em Montevidéu, sábado. Só sei que o seu time deve chegar mais confiante do que o adversário nessa decisão em que tudo pode acontecer.
NA LINHA DO GOL
No início da semana, pisei no campo minado da Quarta Idade, aquele em que um passo em falso e… BUMM!, lá vamos nós para o espaço da memória. E, como presente de aniversário, recebi das mãos do meu querido amigo, Celso de Campos Jr., jovem e brilhante autor da biografia definitiva do inigualável Adonirã Barbosa, jornalista e editor, uma reedição do livro sobre Muhammad Ali que escrevi em 1975 para a Editora Três.
Veio bem a calhar neste mês em que celebramos a Consciência Negra, entre outras coisas, porque Ali foi uma das vozes mais eloquentes em favor da igualdade racial, num tempo em que esse movimento tomou vulto nos EUA, ao lado de Martin Luther King , Malcolm X e outros.
E, também, uma boa chance pra responder a uma pergunta do leitor Francisco JB de Aguiar, feita há tempos sobre quem era o Crioulo em que deveria votar na Bienal do Samba de 1967, da TV Record, baseado num papo que eu levava com o saudoso e grande sambista Elton Medeiros, num show de teatro, comandado pelo meu considerado e grande compositor Eduardo Gudin.
Foi assim: eu era, ao lado do Franco Paulino, um dos jurados da Bienal do Samba, aliás, sugestão deste velhote aqui, para o Paulinho de Carvalho, dono da Record, e para meu chapa Solano Ribeiro, diretor do programa, uma mostra da obra dos grandes sambistas brasileiros de todos os tempos.
Franco, grande pesquisador e colunista da Última Hora de música popular brasileira, além de publicitário, paraense, mulato, era meu chapa e costumava me chamar de Crioulo, porque, segundo ele, eu era um branco com alma de negro. Eis que, então, diante da dúvida sobre em qual samba votaríamos como vencedor da Bienal – Lapinha, de Baden Powel e Paulo César Pinheiro, ou Bomtempo, de Chico Buarque, todos nossos parças, o Franco deu a palavra final: “Ora, Crioulo, votamos no crioulo”. O crioulo, no caso, era o Baden. Resultado: Lapinha, defendido por Elis Regina, levou o troféu.
No fim da história, eu, o Franco e o Chico perdedor levantamos todas as taças que a noite ainda nos oferecia e que agora ofereço a todos os amigos brancos e negros que me presentearam com suas inesquecíveis amizades.
Helena, milhões e milhões de pessoas no mundo gostariam de ter pisado no campo minado da Quarta Idade e não tiveram tempo prá isso. Apenas levante as mãos para o céu e diga: “Obrigado Senhor, por mais um dia”, e com certeza seus dias serão multiplicados e levantarás muitas taças ainda!
Bigodinho, quem te lê até pensa que você fala do Verdão, Tri-Campeão do Continente Descoberto pelo grande treinador Abel Ferreira. Avanti, Palestra Itália, segue costurando os títulos mais importantes e deixando o milho mais moído para os pintinhos!