Parabéns, Verdão

Foto: Djalma Vassao / Gazeta Press

O Palmeiras está celebrando 107 anos de vida. Meu Deus! E dizer que acompanho as proezas e fracassos desse time desde a celebração das Cinco Coroas, ou seja, há mais de dois terços de sua existência. Isso, com os olhos, pois ouvidos colados ao rádio, bote mais uns três anos nessa caminhada.

Como? O que foram as tais Cinco Coroas? Simplesmente, a conquista consecutiva de cinco taças disputadas pelo Verdão, em sequência, entre os anos de 1950 e 1951: duas Taças Cidade de São Paulo, um Torneio Rio-São Paulo (o proto Brasileirão de hoje), um Campeonato Paulista, principal torneio à época, sobretudo por quebrar pela segunda vez o tri paulista nunca alcançado pelo rival São Paulo, e, por fim, a Copa-Rio, o equivalente ao Mundial de Clubes nos dias presentes.

Era um timaço, onde despontavam craques como Oberdã, Valdemar Fiúme, o Pai da Bola, Jair Rosa Pinto, Aquiles, Rodrigues Tatu, Liminha etc.

O Periquito, então, desfilava de peito inchado pelos gramados que nem tanta grama tinham…até que cruzasse em seguida com a Ponte Preta no Paulista seguinte, resultado que gerou uma charge histórica da Gazeta Esportiva em que o Periquito caía de uma ponte com as cinco coroas esvoaçando pra todos os lados.

Bem, de lá pra cá, foram sucessivas conquistas que forjaram as célebres Academias a partir dos finais dos anos 60, um desfile de craques incomparáveis, muitos já esquecidos, como Tuipãzinho (não confundir com aquele do mesmo nome do Corinthans), Servílio de Jesus, Chinezinho e tantos outros.

Confesso que tenho horror toda vez que algum comunicador de futebol fala em maior da história ou de todos os tempos, pois essa história do cidadão se resume ao seu próprio tempo. Ainda mais neste país desmemoriado, onde os raros acervos de sons e imagens são destruídos a toda hora pela incúria dos que deveriam preservá-los.

Portanto, só restam ecos de lendas como Heitor, Primo, Bianco, Junqueira etc.

Assim, prefiro escalar aqui a seleção verde que vi em ação desde as Cinco Coroas até hoje, lamentando ter de excluir alguns personagens gigantescos.

Lá vai: Marcos; Djalma Santos, Luís Pereira, Fiúme e Geraldo Scotto; Dudu, Ademir, Jair Rosa Pinto; e Leivinha; Julinho e Servílio de Jesus.

PS: Pra quem se espanta com a presença de Geraldo Scotto no lugar de Roberto Carlos, invoco os testemunhos do Além, de Valdir Joaquim de Moraes e de Nilton Santos, a Enciclopédia. Valdir está ali no bar da minha caverna, ao lado do saudoso e querido Adriano Stuart, vivíssimo na memória deste velhote, afirmando isso: Geraldo foi mais completo do que Roberto Carlos. E Nilton Santos, às vésperas da Copa de 62, já veterano, confessou ao mestre Armando Nogueira que pensava em virar quarto-zagueiro pra dar espaço a Geraldo Scotto na lateral no Chile. Infelizmente, Geraldo lesionou-se seriamente, o que o afastou da Copa e dos campos precocemente.

 

 

Um comentário

  1. Helena bom dia, o primeiro time profissional que vi jogar foi o Palmeiras, isso foi em 1951 na cidade de Mococa, tinha eu 10 anos de idade, fiquei empolgado em ver um jogador tratar a bola com carinho, seu nome: Waldemar Fiúme, o time entrou em campo com Fábio, Salvador e Juvenal, Waldemar Fiúme, Luiz Villa e Dema, Lima, Liminha, Odair, Canhotinho e Rodrigues, 0x0 foi o placar

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