
As boas novas chegaram com a convocação de Raphina (com ph, pra diferenciar do Rafinha com f, filho do Mazinho e irmão de Thiago Alcântara), um daqueles tantos brasileirinhos que se escafederam daqui para a Europa sob as sombras do anonimato pra alcançarem as luzes dos holofotes lá fora. Fruto da miopia tupiniquim e da esperteza dos empresários internacionais.
Pois esse rapaz, meu amigo, minha amiga, como diria o Matinas (por onde andas, meu?) é um atacante de múltiplos talentos: é veloz, dribla como quem sorve um gole de água no parque, lança, passa, faz gols, vai pelo meio, desloca-se para a direita, para a esquerda, diverte-se destruindo defesas e diverte-nos vê-lo jogando pelo Leeds do Loco Bielsa.
Só espero que, sob o império da hierarquia de Tite, o craque demore demais pra entrar em campo com a canarinho.
Assim como bem-vindo é o centroavante Matheus Cunha, um atacante técnico fora da área e decisivo lá dentro, com os pés e a cabeça.
Trágica é a ausência, mais uma vez, de Gérson, um meia-armador incomparável no futebol atual, que a imensa maioria dos nossos comunicadores, a turma nascida em 70 e 80, não tem a menor noção da diferença entre o tal segundo volante e o meia-armador de fato e caráter.
Tite, embora mais velho, também dá provas constantes de que não sabe essa sutil e decisiva distinção.
Tanto, que insiste em convocar quatro volantes mas nenhum meia-armador de fato (Lucas Paquetá é o que mais se aproxima dessa figura, pela técnica, não pelo descortino).
Outro detalhe: a ausência de pontas, num futebol em que a palavra de ordem é congestionar o meio., Nesse caso, Antony, Malcom, Neres, Marinho, Bruno Henrique, pelo menos um deles, pô!, no lugar de um volante que poderia ser bem substituído por Marquinhos, numa eventulidade.
Mas, isso soaria como uma heresia para Tite, que segue o ritual de sempre, rezando a mesma ladainha, mesmo depois dos fracassos da Copa do Mundo e da Copa América. Que fazer?
Helena, eu me lembro que certa vez o Romário foi convocado pelo Felipão para disputar a Copa América e foi titular e capitão no seu primeiro jogo no comando da seleção, contra o Uruguai. Pois bem, logo após esse jogo, ele (Romário) pediu dispensa da Copa América em que o Brasil iria disputar, alegando que faria uma cirurgia nos olhos, mas logo depois viajou com o Vasco para jogar um amistoso que exigia sua presença e não realizou o operação e por isso foi “castigado” pelo Felipão que não o convocou para a Copa do Mundo em 2002, apesar do apelo popular e do proprio jogador, que emocionado, foi até a um canal de TV pedir para que fosse convocado, mas de nada adiantou. Concomitantemente a esse caso, podemos colocar o do Gerson. O Flamengo acabara de disputar uma copa do mundo e o Gerson foi convocado para defender a seleção brasileira pré Olímpica, mas recusou por entender que prejudicaria o Fla na pré temporada do clube. E isso, para o CBF e para o Tite, deve ter sido uma tremenda “ofensa” por parte do jogador, o que, na minha opinião, está ocasionando a não convocação do Gerson, nem para as Olimpíadas, e muito menos para a seleção Brasileira principal .E tenho a certeza de que, enquanto o Tite lá estiver, ele não será convocado. Coisas do futebol, Helena, coisas do futebol…