Timão e a menina dos nossos olhos

Foto: Divulgação/Rodrigo Coca

O jogo foi um tédio, com a bola rolando lentamente no meio de campo, às vezes, com o Timão, às vezes, com o Cuiabá, como, por sinal, ocorre de hábito no nosso futebol atual, que nossos sábios de plantão dizem ser intenso, combativo, veloz e tal e cousa e lousa e maripousa.

Chamam isso de futebol moderno, onde não cabe o drible, a invenção, o talento individual, e, sim, apenas o combate entre duas tropas bem alinhadas no sentido de evitar que sua cidadela seja conquistada pelo inimigo.

Como se isso tivesse a ver com o jogo praticado hoje por um City, um Bayern, um Flamengo, pra dizer que não falei de flores dos nossos antigos jardins transformados em massas de concreto armado, por exemplo.

Ainda outro dia, assistindo o documentário Barretão, justa homenagem ao meu querido Luiz Carlos Barreto, grande repórter fotográfico, produtor e diretor de cinema, entre outros, autor de Garrincha, Alegria do Povo, o personagem justificava sua obra baseado no fato de que o brasileiro é, antes de tudo, um lúdico.

Pensei cá com meus botões: “Era, meu caro, Barretão, era… Nestes tempos de tanto ódio rolando pelas sarjetas, sei não, meu caro”.

Eis que, de repente, surge essa visão maravilhosa na tv, uma garotinha de sorriso entre angelical e malandrinho, pilotando aquele skate alado como se fosse uma varinha mágica da fadinha com que ela se fantasiava ainda mais tenra.

Rayssa, então, ostentando a medalha de prata, sorri pras câmeras e confessa o segredo de seu feito: tudo não passa de uma grande diversão de menina, um jogo lúdico com a vida; mais do que competir, divertir-se, eis a magia que a guia sobre uma tábua de patins pelas ruas, escadas e corrimões, os obstáculos que o mundo lhe reserva nessa doce caminhada.

E Rayssa, num átimo, virou a menina dos olhos do mais carrancudo brasileiro.

Saltando do skate para o jogo da bola, é essa visão de vida que se anuviou nos gramados brasileiros de futebol, até pouco tempo, um imenso e fértil campo de vitoriosa diversão.

O quê? E o jogo desta terça? Ora, ora, terminou em 2 a 1 para o Corinthians, gols de Roni, de Adson, em bela trama do ataque alvinegro, em bola perdida pela defesa do Cuiabá, e de Papagaio (ou teria sido Fábio Santos, contra?) para os donos da casa.

E isso é tudo, me desculpe.

 

 

Um comentário

  1. Putz, eu desafio qualquer um a assistir um jogo inteiro do Corinthians sem dormir no meio.
    O Corinthians já não tem nenhuma obrigação ofensiva, num esquema 9 1 0. O time simplesmente dá a bola para o adversário e joga com os 10 jogadores de linha com o único intuito de defender a meta do Cássio – e isso, pelo menos, faz com excelência. Ou seja, todo jogo que envolve o Corinthians consiste no timão dar a bola para o adversário e recuperar no seu campo defensivo, em um ciclo interminável. Sempre são 7 ou 8 finalizações certas por jogo, no máximo.
    Eu nunca vi um time retranqueiro desse jeito, nem na época do Tite, nem nas mão do Carille. Senhor, até contra o Cuiabá esse time jogou desse jeito! Fez um gol e depois começou a fazer cera para o tempo passar, coisa de time pequeno!
    O Corinthians não ataca e não deixa o adversário atacar. Não joga e não deixa o adversário jogar. Eu não me lembro de ter visto um futebol tão pífio quanto o do Corinthians em 2021 desde que comecei a acompanhar o futebol. E o pior, temos que ver, estupefatos, a imprensa elogiar o trabalho do Sylvinho no comando da equipe, só porque bateu em alguns cegos. Agora, comparar um jogo do Corinthians com jogos de um City, um Bayern, um Flamengo, um Palmeiras, é heresia, Valha-me Deus !!!!

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