Decisões: emoção versus diversão

Foto: MAURO PIMENTEL / AFP

Neste fim de semana, teremos as decisões de títulos de copas dos dois principais centros futebolísticos do mundo: Europa e América do Sul, com a presença de quatro campeões mundiais em dois verdadeiros templos do futebol – Wembley e Maracanã.

Quem acompanhou os dois torneios – Copa América e Eurocopa – constatou a imensa diferença entre o futebol praticado lá e cá.

O nível técnico e o empenho com que os jogadores se dedicaram na Eurocopa foram infinitamente superiores, isso é inegável.

Mas, se o amigo examinar os times da Inglaterra e da Itália, não achará em campo um super craque. São dois times bem ajustados, com jogadores de alto nível técnico, mas nenhum em especial, como os que ingleses e italianos produziram no passado.

Apesar disso, ambas as seleções europeias exalam um ar animador , posto que a Itália, ao longo da disputa, revelou-se liberta do cinzento Catenaccio (ferrolho) que aprisionou seus talentos por décadas e décadas, ao praticar um jogo mais fluente e incisivo, sempre em direção à meta dos adversários, com uma única exceção: a semifinal diante da Espanha, quando foi dominada e acabou se classificando na cobrança de pênaltis, o que nada tem a ver com o jogo coletivo.

Foto: Andy Rain / POOL / AFP

Já a Inglaterra, remodelada, com muitos jovens sendo lançados nesse torneio, começou titubeante e cresceu, jogo após jogo, sobretudo pelas atuações exemplares de seu atacante Sterling.

Fosse um campeonato em pontos corridos e provavelmente os italianos levantariam a taça. Mas, não é. Tudo se resumirá em, no máximo 180 minutos, afora eventual cobrança de pênaltis. Nesse caso, os fatores aleatórios passam a ter muito maior importância.

Isso também estará presente, claro, aqui no jogo entre Brasil e Argentina.

E o fator principal, que também é aleatório, porque depende de como estarão os dois principais jogadores atualmente do mundo, se comparados aos da decisão europeia, Messi e Neymar, física e emocionalmente. Ambos, por certo, serão caçados em campo muitos tons acima do normal.

Messi, de hábito, costuma reagir friamente à essa caçada. Mas, Messi transpira tanto desejo de ganhar um título ao menos pela sua seleção que tenho dúvidas se repetirá neste sábado o mesmo comportamento.

Quanto a Neymar, então, nem se fala. Sempre foi o oposto de Messi nesse tipo de reação. Reclama do juiz, peita o agressor, se descontrola e na jogada seguinte vai à forra etc. Pudera! Não há no mundo nenhum outro craque mais violentado durante a partida do que ele, isso é fato.

O problema é que ambos concentram-se a seus pés praticamente todo o brilho e eficiência ofensiva de seus respectivos times, o que nos leva a crer que  resultado final desse confronto, de uma forma ou de outra, sairá de seus pés, seja na construção da jogada fatal, no passe definitivo ou no disparo final a gol.

Por sinal, é o que temos visto nesta Copa América, tanto por parte do Brasil quanto da Argentina, em que os dois times não apresentaram um futebol brilhante, a não ser em alguns momentos, e, por isso mesmo, tanto dependeram dos seus dois craques pra atingir à fita final da competição.

Mas, se o jogo não chegar a divertir os que amam o futebol extraordinário do passado de Brasil e Argentina, sobrará emoção nessa decisão, imagino.

Vejamos, vejamos.

 

 

 

 

 

 

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