Eurocopa: justiça seja feita

Foto: Catherine Ivill/AFP

A turma por aí costuma dizer que não há justiça no futebol. Puro engano, pois há justiça até na injustiça.

Pense bem. Poderia haver maior injustiça do que a Espanha perder nos pênaltis aquele jogo em que dominou a Itália de cabo a rabo, criou as melhores chances de marcar, porém empatou até na prorrogação? Em contrapartida, não seria justo a Itália se classificar para a decisão da Eurocopa, depois da brilhante campanha até então?

Pois é: injusta foi a derrota final da Espanha e justa foi a classificação da Itália.

O fato é que, a longo prazo, ambas foram vencedoras. A Itália porque vai fixando um modelo de jogo mais arejado, ativo, ofensivo do que aquela dos tempos do Catenaccio, um jogo reativo?, não, reacionário, chato, covarde e sem brilho, mesmo que perca a taça para a Inglaterra, que acaba de passar pela bem comportada Dinamarca.

E a Espanha, porque, sob o sábio comando de Luís Henrique, reformula-se sem abandonar o estilo de jogo que a fez campeã europeia  e mundial, baseada no Barça dos últimos anos: toque de bola, envolvimento e um jogo ofensivo sempre.

Estilo que o futebol inglês vem adotando desde que abriu seus campos a todas etnias, sobretudo os negros lá nascidos e importados de todos os cantos do planeta, Ganhou ginga, inspiração e ousadia que lhes faltava no passado.

Não foi. aliás, à toa que Sterling se transformou no seu principal jogador e, praticamente, o autor do gol de empate inglês no tempo regulamentar, embora o toque final tenha sido do zagueiro dinamarquês Kjer, fruto de cruzamento mortal de Saka, outro anglo-africano de drible fácil e incisivo, pela direita,

Isso tudo num jogo difícil, diante de uma Dinamarca muito bem organizada, sobretudo na zona de combate do meio de campo, que levou a decisão para a prorrogação, onde o artilheiro implacável Harry Kane decidiu ao pegar rebote do goleiro, na cobrança de pênalti.

Assim, fica tudo por conta do confronto final entre Itália e Inglaterra, os dois merecedores desse nível de disputa.

Mais justo, impossível.

Foto: Carl Recine/AFP

 

 

2 comentários

  1. Prezado Aberto,
    Muito obrigado pela analise dos jogos da semi final da EuroCopa.
    E que tenhamos um belo jogo no domingo e que vença o melhor!!!
    Um abraço,
    AV

  2. Olá Helena, vou brevemente expor minha opinião sobre sua matéria de justiça ou injustiça no futebol. Vários termos e expressões ,nos meios futebolísticos , são quase entidades desse esporte.Volta e meia aparecem nas entrevistas de jogadores, de treinadores e em análises de comentaristas: “vamos buscar os três pontos”, “vamos honrar a camisa”,“faltou raça ao time” e mais uma vasta quantidade de frases que parecem surgir automaticamente em qualquer conversa sobre o assunto, muitas vezes sem se levar em conta seu verdadeiro significado. Um comentário comum, dentro dos meios esportivos, é que o resultado não foi justo. Então, como definir o que é justo ou injusto dentro do futebol? Se formos pensar por uma perspectiva mais flexível, o futebol é semelhante à vida em certo ponto: alguns têm mais recursos e muito mais oportunidades do que outros, e na maioria das vezes acabam obtendo mais sucesso, mas em algumas situações , quem aproveita as poucas chances que tem se sobressai sobre quem desperdiça as suas. Tanto na vida quanto no futebol, é necessário ter a noção dessa relação para fazer o melhor com o que se tem em mãos.
    Essa imprevisibilidade faz com que o futebol seja capaz de atrair a atenção e entreter pessoas em todo o mundo, não importando as diferenças existentes, tornando-o uma das manifestações com maior relevância cultural e social para a humanidade. O resultado de uma partida, de um torneio, faz parte do jogo naquele momento. A capacidade de integrar, de mobilizar e de influenciar todos aqueles que têm em comum a paixão pelo futebol sobrepuja a noção de apenas um jogo. Aqueles que sabem valorizar e reconhecer isso, o futebol jamais será injusto.

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