
Na gélida noite de quarta-feira dos paulistas, só o Verdão aqueceu a alma de seus torcedores. Afinal, foi o único dos quatro grandes a marcar gols, enquanto os demais – São Paulo, Corinthians e Santos – ficaram abaixo de zero.
Abaixo mesmo, pois o zero a zero do Majestoso sem majestade que rolou em Itaquera não poderia ter sido mais desinteressante, com Corinthians e São Paulo jogando feito times pequenos, preocupados em não perder a qualquer custo. Daí, a sequência interminável de faltinhas, em geral, no nascedouro de pretensas jogadas ofensivas, a ausência de dribles, de infiltrações e o excesso de cruzamentos quando um deles varava a retranca alheia.
Ao Timão, até que se pode dar um desconto, por conta de suas limitações técnicas e de fartura no elenco, o que a tabela lhe garante posição modesta, mas digna.
Mas, e o Tricolor, estagnado nas últimas colocações, sem uma mísera vitória até aqui no Brasileirão?
Era pra armar uma equipe ofensiva, disposta a ganhar esse jogo com empenho e categoria.
Pois, o que se viu foi o oposto. Com seus inarredáveis três zagueiros, mais Daniel Alves no meio de campo, sua árida zona de ação, e desprovido de imaginação individual e coletiva (com uma única exceção: Benitez, que acabou sendo substituído no segundo tempo), dependia apenas das investidas de Reinaldo pela esquerda pra dar sinais de sua mínima capacidade de atacar.
O Timão, por sua vez, ficou ali se defendendo, à espera de um contragolpe fatal. Nem foi isso o que aconteceu, já que aquela cabeçada de Jô mandando a bola no poste tricolor, seguida do disparo forte de Vital defendido por Volpi, acabou sendo o único lance de real perigo das duas equipes em mais de 90 minutos de inhanha.

Já o Verdão, exorcizados os tais três zagueiros, partiu pra cima do Inter, no Beira-Rio, e logo aos 10 minutos de bola rolando abriu o placar, com Deyverson desviando na área tiro forte de Veiga, na sucessão de cobrança de corner.
Mas, a partir daí, o Verdão, como de hábito, em vez de resolver logo a questão em cima de um Inter desconexo, foi arrecuando os arfos progressivamente, até permitir que o Colorado, no vestiário, acertasse um tantinho assim suas pontas. E, logo aos 16 minutos, pênalti de Kusevic, que, de imediato foi expulso: 1 a 1.
Com um jogador a menos, então, o Verdão se trancou lá atrás, recheado de volantes que foram entrando no decorrer desse período, o que dava a sensação de que o Inter logo, logo, chegaria ao gol da vitória,
Contudo, apesar da pressão, faltava ao Inter poder de finalização, e, no fim das contas, em três contragolpes puxados por Danilo, o volante verde botou a bola nas redes vermelhas, em bizarra trajetória. Isso, aos 44 minutos, a um passo do apito final, como já ocorrera outro dia com o Palmeiras.
Quanto ao Santos, nada a declarar, além do fato de que jogando na Vila contra o frágil Sport, não arrumou um jeito de quebrar o ferrolho do adversário nem a pau.
Mas, o Peixe tá numa boa na tabela. Isto é: pela dimensão de seu elenco, até que está além do esperado.

Prezado mestre Alberto Helena!
Ótimo resumo da tragédia paulista nesta quarta-feira em que, à exceção do Verdão, a rodada para os paulistas pareceu mais um filme de terror sem terror, com o espectador querendo dormir na frente da televisão.
O Palmeiras salvou a pátria paulista, e o Danilo foi muito honesto ao confessar que deu uma botinada cega na pelota do segundo gol. Se observarmos bem o ângulo e os obstáculos entre ele e o poste esquerdo, foi uma botinada feliz porque se ele tivesse tido tempo para alisar a bola e chutar bonitinho no canto esquerdo ao invés do direito com certeza teria perdido o gol.
Portanto parabéns ao batalhão periquito, no final o que conta não é a arquitetura e o trajeto da bola, porém os pontos que o chutão traz ao time!