O líder entre iguais

Foto: Fausto Filho / Ceará SC

Tava aqui na minha caverna, transformada em iglu de esquimó até que a lenha comece a crepitar na lareira, assistindo ao jogo do líder do Brasileirão, o RB, empatar por 0 a 0 com o Ceará. Era a primeira vez que assistia neste torneio o RB enfrentar um time mais ou menos da sua categoria. Supunha, pois, uma flagrante superioridade técnica do líder, com um poder ofensivo que justificasse o título de melhor ataque do campeonato até agora.

Pois, confesso minha decepção.

Sim, o RB dominou a maior parte do tempo e poderia ter marcado seu gol no finzinho da partida em bola cruzada que o atacante chutou rente ao poste inimigo. Mas, foram tão raras as chances de gol criadas de parte a parte que chego até a entender essa tabela invertida do torneio, em que os grandes favoritos estão lá embaixo e os pequenos em cima, com a rara exceção do Palmeiras no bloco dos quatro primeiros. Afinal, são todos iguais – grandes e pequenos se equiparam na falta crescente de criatividade e ousadia.

Na verdade, nem é decepção. Apenas, a triste constatação de que nossa bola rola murcha por igual em todos os gramados tupiniquins, fruto da automatização do medo, refletida na ausência do drible, do passe inesperado, da criação instintiva da jogada genial, todos esses atributos que fizeram do futebol brasileiro o mais vencedor e encantador do mundo ao longo da história do jogo.

E, mais preocupado fico ao ver de cada lado, à beira do gramado, dois jovens treinadores aclamados pela mídia em geral como dois promissores professores da bola, estudiosos e tal e cousa e ousa e maripousa.

Na verdade, dois discípulos dos seus mestres um tanto mais velhos, aqueles mesmos que ajudaram a fixar esse modelo de jogo insosso, obcecados pela marcação, implacáveis zeladores da casinha que vai se deteriorando ano após ano.

E é a isso que chamam por aí de futebol moderno. Se assim é, com denominar o futebol praticado atualmente na Eurocopa, por exemplo? Pós-futurista?

 

 

2 comentários

  1. Caro Helena, não existe a necessidade de uma reunião entre gênios para entender o que está acontecendo no futebol brasileiro, que vive um dos seus piores momentos técnicos desde o início da era profissional, e para tal basta uma simples pesquisa para observar a curva descendente da média de gols marcados no período de pontos corridos.
    Um fato que deve ser destacado é que hoje o tempo de bola correndo é bem menor do que anteriormente, e isso reduz a capacidade dos atacantes de balançarem as redes, além do sistema biarticulado que é implantado nas áreas dos times.
    Qualquer um que assiste a um jogo de futebol no Brasil pode ver perfeitamente o modelo implantado dentro do campo de jogo por técnicos que tem como tática não perder, se possível empatar e ganhar por acaso. Hoje os erros de passes não cabem nas estatísticas dos jogos, assim como as faltas.
    Os jogos de futebol tornaram-se mornos, sem graça e sem alma. Terminou o tempo dos grandes artilheiros, hoje qualquer jogador que faz um pouco mais de dez gols em um campeonato, ganha fama e assina contrato de milhões.
    O sistema do futebol brasileiro é alienado. De um lado, a destruição, que é vista por todos e que nada fazem para tentar a recuperação e, do outro lado, um jornalismo fake defendendo os interesses de seus veículos que continuam tratando um esporte brasileiro quase morto, como um ser vivo habitando uma Ilha da Fantasia.Fazer o que? Na verdade o futebol é a cara um país desordenado e corroído pelo cupim da corrupção.
    Na verdade, a decadência do futebol brasileiro começou com a Lei 8.672 de 06/07/1993, conhecida como Lei Zico e alterada pela Lei 9.615, de 24 de março de 1998 (Lei Pelé), cujo objetivo principal era extinguir o chamado sistema do passe. Os jogadores deixaram de ser propriedade dos clubes e passaram a atuar de acordo com contratos de trabalho, que têm um tempo determinado e valores de multas fixados em caso de quebra.
    Quando mudaram a legislação, isso fez com que os clubes buscassem outras alternativas de continuar lucrando com a transferência de jogadores. Contratos mais longos, multas rescisórias mais altas, foram algumas das alternativas aplicadas. E surgiram os famosos empresários “paraquedas”.
    O resultado dessa nova realidade é a saída de atletas cada vez mais cedo de seus clubes. Com a oportunidade de ganhar um salário maior e o sonho da projeção internacional, garotos de 14,16, 17, 18 anos deixam suas equipes antes mesmo da profissionalização. Em parte devido à influência dos empresários e em parte devido à falta de profissionalismo do futebol brasileiro, que ainda possui uma série de clubes que não pagam em dia ou não respeitam os direitos dos jogadores e até mesmo por opção dos próprios atletas, já que a Lei facilita esse êxodo.
    Além disso, a pandemia que ocasionou a falta de público e a falta de cobrança dos jogadores por parte de diretores omissos e interesseiros, que não querem desagradar esse ou aquele, são alguns dos fatores que contribuíram para a decadência do nosso futebol.

    Outrossim, nossos técnicos substituíram o futebol arte pelo futebol “retranca” , “bumba meu boi”, “zero a zero está bom” e salvem-se quem puder…

  2. Helena bom dia, há tempos no Brasil no jogo da bola praticam futebol de segunda, não existe hoje no futebol brasileiro um único craque que podemos apontar nos times brasileiros, nem no exterior com exceção do Neymar, esse pra mim mais firula, menos cirurgico

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