
Perdeste o senso, Brasil? Sim. Não por conversar com as estrelas do poeta, mas por ouvir e acatar os sinistros comandos da paranoia que impera em terras tapuias. Esses que trouxeram pra cá a tal Copa América (ou será Cepa América?) no auge da pandemia, que os jogadores da Seleção e a Comissão Técnica abjuraram diante de um presidente da CBF acuado por uma série de graves acusações que vão desde assédio sexual a uma funcionária da entidade até à submissão a Del Nero, ex-presidente banido pela Fifa do futebol para sempre.
Enquanto esperamos por um desfecho dessa inusitada ação dos jogadores, ainda mais irritados pela maneira como foram tratados pelo Caboclo de plantão, tipo patrão e empregados no velho estilo, o Brasil entrou no Beira-Rio para enfrentar o Equador, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, que é o que vale.
Entrou mesmo? A bem da verdade, só a partir dos 17 minutos do segundo tempo, quando a sensatez convenceu Tite a trocar um de seus dois volantes, Fred, pelo atacante Gabriel Jesus.
Com essa simples mudança, em que Paquetá recuou para dar sentido ao meio de campo feito um autêntico meia-armador, deixando de se confundir com Neymar, e a presença mais aguda e ágil de Gabriel Jesus na frente, o Brasil ganhou fluência na transição ao ataque e passou a jogar bola.
Criou várias chances (três, com Gabigol, que, se as aproveitasse como de hábito, sairia consagrado de campo) E abriu a contagem com Richarlison, pela esquerda, enquanto Jesus descaía pela direita, oferecendo a amplitude que faltava ao nosso ataque até então, em ação criativa de Neymar.
O mesmo Neymar que ajeitou a bola para Richarlison e Gabigol em outras oportunidades. E que daria um ponto final no placar ao converter pênalti sofrido por Jesus no finzinho da partida. Isso, depois de o goleiro ter defendido a primeira cobrança, em seguida anulada pelo VAR porque o goleiro Dominguez avançara antes da batida.
Ah, que bom seria se Tite resolvesse, finalmente, ouvir essa vozinha sensata que o aconselha a abrir mão dos dois volantes em favor de mais um atacante. Passaríamos, então, todos nós a dormir apreciando o brilho das estrelas em céu sereno.
A miséria da situação do futebol brasileiro nestes anos de pandemia reflete o desleixo de dirigentes cartolas, do quais só se mudam os nomes, mas os hábitos seguem os mesmos. Não que uma acusação de assédio sexual não seja algo sério (que parece até mesmo fundado e desejo que esta senhora receba e respeito a que toda mulher tem direito), mas o problema é muito maior, vem da época daninha de Havellange e seus co-cartolas. O Brasil nunca acordou completamente da mentalidade de cartolagem. O que encobriu sempre o limbo escorregadio dos bastidores foram os títulos, foram os astros como Pelé, Garrincha, Rivellino, Zico, Ademir da Guia (para não citar uma lista de 10 páginas), que trouxeram cores à alegria das torcidas. Agora esta era de ouro ficou já de para trás e temos um Neymar jogando do gol até as duas pontas meio só. Assim o Brasil vai saltando de 1 a 0 em 1 a 0 (mais um pênalti corrigido), invicto, liderando, até chegar a hora da verdade, com os fortes times europeus, onde a disciplina se inicia com o caráter dos dirigentes mas continua com o empenho dos jogadores.
Em defesa deste time temos que lembrar que jogadores brasileiros estão espalhados pelo mundo todo em vários fusos horários e se reúnem às pressas para jogar, enquanto jogador espanhol, italiano, francês, ou inglês, raramente saem do país. Visto sob este aspecto esta tropa até é admirável. O Gabigol saiu de uma maratona para entrar no time, o Gabriel Jesus voou meio mundo para chegar à concentração.
Entretanto estes fatos não alteram substancialmente a miséria crônica brasileira e eu vago dizer que na próxima copa vamos repetir o drama russo da última edição: nadar, nadar, nadar e morrer afogado na praia.
Meu tio meu, já falecido, sempre dizia essa frase: “..venceu, não convenceu, mas…VENCEU” !!!
Helena, assisti hoje, sábado, o jogo da seleção olímpica. Perdeu para o Cabo Verde. Jogou muito mal. Posso estar enganado, mas desconfio que tem alguns jogadores mascaradinhos nessa seleção olímpica que acham que jogam mais do que jogam. Um vexame perder para Cabo Verde, mesmo sendo a equipe principal de Cabo Verde. Não tem desculpa. Vexame.