Como voltarmos a ser reis

Foto: Karim Jaafar/AFP

Quem viu a vitória do Bayern sobre o Al Ahly pôde perceber do que escapou o nosso Palmeiras numa eventual decisão do Mundial com o time alemão. O placar foi modesto, apenas 2 a 0. Mas, a desenvoltura dos alemães e o número de chances criadas deram a medida de como eles jogam num patamar muito acima do que nos acostumamos a ver por aqui. E olhe que seus jogadores, depois de participarem na sexta-feira de jogo pelo Campeonato Alemão, levaram doze horas de viagem para o Catar, deram um cochilo e entraram em campo em seguida.

Claro, o adversário era fraco. Digamos um time de Terceiro Mundo, universo em que se insere hoje o nosso futebol, infelizmente. Quem acompanha os torneios sul-americanos e os dos grandes centros europeus sabe bem do que estou falando. A distância do futebol praticado por aqui e por lá é abissal, em termos de espetáculo e de resultados.

Diria que o globo da bola virou de cabeça pra baixo. Antes, éramos os maiores do mundo, o país pentacampeão, uma usina interminável de craques, o futebol de fantasia que extasiava os europeus pela beleza de seu jogo, plástico, inventivo, ofensivo, até um tanto irresponsável quando trocava o óbvio pelo criativo.

Foi assim que, muitas décadas antes das conquistas das cinco Copas do Mundo, o nosso futebol foi saudado pelos franceses: Les Roys du Football – Os Reis do Futebol – quando o Paulistano de Fried e cia. encantaram a Europa, numa excursão por lá.

Nas décadas seguintes, essa fama nos perseguiu por onde andamos, perdendo ou ganhando torneios ou jogos avulsos.

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Pois, nossa escola de futebol era única, inimitável, calcada, sobretudo, no talento e na ousadia dos nossos craques que se sucediam de tempos em tempos. Ora, Leônidas da Silva, ora Pelé, ora Ronaldo Fenômeno e assim por diante.

A partir dos anos 90, porém, deu-se a virada: enquanto nós elegíamos o resultado a qualquer preço, muito além da fantasia, como imperador de nossos campos, os europeus buscaram-na na importação maciça de negros plásticos e ousados da África, sul-americanos talentosos, asiáticos nascentes etc.

E assim revestiram seus jogos de uma beleza antes inexistente por lá, enquanto nós caíamos num fosso de lugares-comuns, um jogo insosso, programado apenas pra não perder, em vez de ganhar.

Essa é a dura realidade que nossos cartolas, técnicos e jogadores, além de grande parte da mídia, não reconhecem; portanto, são incapazes de oferecer uma saída para a reviravolta.

Que saída? De cara, entender que o futebol é um espetáculo visual destinado a provocar paixões e encantamentos. Só combinação de arte com resultado pode atrair mais interesse do público e dos patrocinadores. É a chamada lei da oferta e da procura, que ainda não foi revogada neste nosso mundinho.

Pra tanto, é fundamental reduzir e selecionar devidamente nosso absurdo calendário. Menos jogos, mais tempo para treinamentos; consequentemente chances maiores de melhores espetáculos.

Craques surgem a toda hora em nossos campinhos, praias e quadras de futsal  por esses cantões afora. Isso, sem falar nas estruturas bem armadas dos centros de base de nosso clubes. A questão está no olhar que se lança sobre eles. Se este mede o tamanho físico do jogador, sua resistência, sua capacidade de aplicação em campo etc., ou se avalia a habilidade e a inventiva do futuro craque.

Enfim, se quisermos sair da modorra, há muito trabalho à frente. Um trabalho que exige, antes de mais nada, um rasgo de inteligência cujos sinais estão ausentes deste nosso mundinho dominado pela cultura do ódio e do imediatismo burro.

 

 

5 comentários

  1. Alberto Helena Jr.

    O futebol brasileiro só voltara a ter alguma chance real de estar em iguais condições com os clubes europeus não começa dentro do campo mas principalmente fora de campo é necessário que o futebol nacional entenda que é preciso rever toda a gestão de futebol que se pratica no futebol, com uma boa estrutura que não precisa ser espetacular mas que pelo menos preencha os requisitos básicos para a pratica do bom futebol porém não é só fisicamente que se precisa atualizar para mudar para melhor é necessário que pessoas que queiram trabalhar no futebol e para o futebol comecem essa mudança de postura dos dirigentes brasileiros e, salvo raras exceções para que deixem de ser clubistas, amadores, venais, politiqueiros e até corruptos, pois o que a gente por exemplo no Estado de São Paulo é que existem clubes que outrora foram gigantes mas que no decorrer de gestões desastrosas estão hoje destroçados financeiramente e a beira falência, hoje se apequenaram e vivem agarrados numas tábuas de salvação protelatórias para não se afogarem neste mar sem fundo chamado ostracismo que forçosamente os levará para divisões inferiores, as quais já flertam há algumas décadas e que os levará senão a extinção para uma situação como a Portuguesa de Desportos, logo teremos a Portuguesa de Itaquera, a Portuguesa da Vila Sonia e duas Portuguesa Santista da Vila Belmiro de Santos, há além disso necessidade de contenção de gastos e que o fluxo de caixa seja investido principalmente nos seus times de base. Nunca foi de minha parte quando faço comentários neste blog querem humilhar ou atacar com ofensas qualquer time pois meu objetivo é escancarar esse estado de coisas visando a melhoria e moralização do esporte, mas parece que alguns torcedores de times rivais, como Tião Fiel do curiquinha de itaquera e principalmente um tal de Pedro II, que deve ser torcedor do Apequenado da Vila Sonia pois a sua arrogância e prepotência é igual ou superior a de um imperador soberano e parece não percebem que o que faço é para brincar é lógico mas também para demonstrar aonde foi parar nosso futebol (7 x 1) e que precisamos sempre colocar o dedo na ferida pela moralização do futebol…..palavras de um matuto sim mas idiotizado não…..rindo até 2026. Saudações palmeirenses.

    1. Lembrando que o Flamengo é o único clube do futebol brasileiro estruturado com excelentes jogadores capaz de bater de frente contra esses times europeus. Com certeza se o Mengão fosse campeão da libertadores o futebol brasileiro não passaria vergonha, como fez ano passado levando um gol na prorrogação do Liverpool e teve muita chance de também vencer o duelo ou ter empatado. Saudações rubro-negra!!

  2. Não sou saudosista, mas nós brasileiros adoramos ver o Bayern jogar é que ele nos lembra a seleção brasileira de 1954 que jogava pra frente de pé em pé da ponta direita a ponta esquerda até o golpe fatal do gol. A coisa a ser observada é que a bola é lançada na frente do jogador que já está correndo no sentido do gol, ele não tem de dominar, só tem de dar seqüência a jogada fazendo a mesma coisa. Esse tipo de jogada é quase impossível de parar. No futebol tupiniquim a bola é lançada no ar até o jogador dominar o defensor está disputando o espaço com ele, mesmo quando é no chão não é para avançar é para tocar de lado e devolver a bola que não vai a lugar nenhum. Será que não temos treinadores capazes de ver o que fazíamos e reproduzir esse sistema tático? Será uqe nós somos tão cegos que não percebemos que os europeus estão usando o que nós fazíamos tão bem e nos matando com isso. Quando teremos alguém com visão de ver o que fomos e reproduzir isso hoje?

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