O que esperar desses clássicos?

Weverton será titular do Palmeiras no clássico contra o Santos (Foto: Divulgação/Cesar Greco)

Neste sábado, teremos dois clássicos de suma importância para a tabela do Brasileirão e tocados pela história dos quatro contendores: Santos x Palmeiras e Botafogo x Flamengo.

Os paulistas ocupam a mesma posição na tabela; portanto, quem vencer se descolará do outro em direção á disputa do título. Os cariocas mantêm uma distância abissal, com o Fla lá em cima e o Bota cá embaixo.

O Verdão vem de uma sequência ascendente, desde a interinidade de Cebola, reforçada pela presença do novo treinador, o luso Abel Ferreira. Graças a opção por um jogo mais solto e ofensivo adotado pós Luxa, driblando mesmo os ataques das lesões, do vírus maldito e dos cartões amarelos. Mas, o murruga, apoiado no ainda excelente elenco verde, tem sabido se desvencilhar com classe desses dissabores.

Já o Santos, que cresceu muito desde a chegada de Cuca, ainda em recuperação da covid-19, apoia seu jogo em dois extraordinários atacantes de lado – Marinho e Soteldo – que não lhe permite desprezar o seu DNA ofensivo.

Logo, é de se esperar um jogo excitante, com ataques de lado a lado, ficando o resultado por conta dos acertos ou erros nas finalizações dos dois times.

É, pelo menos, o que espero.

Quanto ao clássico carioca, não consigo tirar da memória um velho samba do rubro-negro Wilson Batista, gênio do nosso cancioneiro, gravado por Vassourinha lá pelos anos 30, quando o Botafogo era a asa negra do Mengão:

Tirei o domingo pra descansar

Mas, não descansei, que louco fui eu

Regressei do futebol

Todo queimado de sol

E o Flamengo perdeu

Pro Botafogo. Amanhã vou trabalhar

Meu patrão é vascaíno e de mim vai zombar

Bem, caso o Fla perca, o rubro-negro não sofrerá zombaria de vascaíno nenhum nesta quadra do futebol. Os tempos são outros.

O Botafogo há muitos anos deixou de ser a asa negra do Mengo, que, por sua vez, tem um time imensamente superior, em todos os sentidos.

O diabo é que, até agora, sob o comando recente de Rogério Ceni (como havia sido com Dom), o Fla não consegue reproduzir aquele futebol cintilante e vencedor da temporada passada. Dá sinais intermitentes, mas a luz não se firma no horizonte da Gávea.

E, se não vencer o Bota neste sábado, por certo, o Ninho do Urubu virará um ninho de vespas. Sobretudo, se Rogério decidir escalar Vitinho, alvo predileto dos torcedores e da mídia em geral.

Não vai ser fácil. Ou, então, um passeio rubro-negro no Newton Santos, caso o time retome seu destino.

PS: Ao falar de Vassourinha, vale lembrar que se trata de um extraordinário sambista paulista, nascido e criado na Barra Funda, que conseguiu romper a barreira carioca do samba da época. Menino ainda, aos 12 anos, foi descoberto pelo meu saudoso e querido amigo, Raúl Duarte, um dos maiores radialistas brasileiros, quando o garoto era office-boy da antiga Rádio Record. O mesmo Raúl que lhe deu o apelido, por sua semelhança com o Vassoura, tradicional motorista de táxi, assim apelidado porque costumava recolher na porta do Ponto-Chic, célebre bar do Largo do Paissandu, os desvairados boêmios das madrugadas da velha São Paulo da Garoa. Vassourinha gravou apenas sete discos de duas faces e morreu antes de completar 20 anos de idade, de osteomielite. Cantava sorrindo, disse-me certa vez o maior de todos – Ciro Monteiro, rubro-negro doente, que, quando vinha a São Paulo, me ligava:

-Niculau! (Referia-se a Nicolau Tuma, pioneiro nas transmissões de futebol pelo rádio, cuja napa rivalizava com a minha). Dizem que aqui em São Paulo tem um prédio enorme, chamado de Martinelli, é verdade?

-É, sim, Formigão.

-É mesmo grande?

-É enorme.

-Então, se prepare que vamos beber ele todinho esta noite!

Quase,

Ah, velho na pandemia é assim, fica girando em torno da memória, uma puxando a outra. Por falar nisso… É melhor parar por aqui.

 

 

 

 

 

 

2 comentários

  1. Alberto Helena Jr.

    Vamos pois pois, como dizem os portugueses, a minha opinião em relação a esses dois jogos, o Verdão tem tudo para continuar ascendendo no campeonato pois enfrentará o time do Santos que basicamente se resume a dois jogadores Soteldo e Marinho, se os dois forem bem marcados acabou o time da Vila Belmiro, meu palpite é 3 x 1 para o Verdão; já lá nas “plajas” (dá-lhe Racing) cariocas o falidão do engenhão enfrenta o urubu caído e eliminado de Vargem Grande, meu palpite 0 x 0 e jogo horrível ao nível do futebol carioca…..rindo até 2026. Saudações palmeirenses.

  2. O clássico entre palmeiras e Santos vai ser bonito de se ver. Afinal, são dois gigantes do futebol brasileiro e qualquer resultado pode ser encarado como normal. Agora, mestre, me poupe. O Botafogo já foi um gigante, e teve em seu elenco uns dos maiores jogadores do mundo, Garrincha, mas hoje em dia é uma piada como time, e eu cravo, não o placar em sí, mas o resultado final : vitória soberana do Flamengo, tranquilo, para dar um pouco de sossego ao Ceni

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