
Foi assim, ó, num zap! Enquanto o técnico Coudet, técnico líder do Brasileirão, arrumava as malas para ir ganhar menos no quase rebaixado Celta de Vigo, Abel. o nosso Abel, se instalava na sua antiga casa colorada.
Ao mesmo tempo, Rogério Ceni que prometera de pés juntos não deixar o Fortaleza antes do final da temporada, aninhava-se no berço do Urubu, um salto para o futuro.
E, logo de cara, enfrenta o São Paulo, clube onde é idolatrado e de onde foi despejado ainda outro dia numa das tantas peripécias do Leco – justamente o São Paulo de Fernando Diniz, que não perde pra Rogério há quatro jogos, se não me engano, mas que, por vontade da torcida tricolor, trocariam de posição num zas-trás.
Êta futebolzinho inexplicável esse em que nem os líderes estão livres da Dança do Diabo, título do livro do ex-zagueiro e treinador José Sarno, publicado, sei lá, há uns cinquenta anos e que trata exatamente da dança de cadeiras infernal de treinadores no Brasil.
Abel chega ao Inter com o respaldo de um título mundial conquistado há décadas, mas vem de uma série de insucessos nos clubes que dirigiu nos últimos tempos, inclusive o Flamengo agora de Rogério.
Promete, de cara, manter o mesmo esquema e a mesma escalação de Coudet. Mas, afdverte que, aos poucos, vai introduzir suas ideias. Espero que sejam boas.
Rogério, por sua vez, tem espaço para fazer alterações no Flamengo, já que a fase esplêndida de Jesus virou página da história depois da breve passagem de Torrent.
E Rogério pega de cara duas frentes de batalha específicas: revidar a goleada infligida pelo Tricolor no último jogo no Rubro-Negro e quebrar a curta hegemonia de Diniz no confronto entre ambos.
Posso estar inteiramente enganado nesse jogo de ilusões que é o de adivinhar o que passa na cabeça das pessoas. Mas, algo me diz que Rogério colocará um Flamengo em campo altamente cuidadoso. Nem tanto pela eventual força do adversário, que se caracteriza até aqui pelas oscilações até mesmo durante as partidas, e muito mais pra evitar outra catástrofe que abale suas bases logo de início.
De qualquer jeito, Rogério, carinha de personalidade forte e pleno de convicções, com o passar do tempo, haverá de dar outra fisionomia ao Flamengo, seja ela qual for.
Só tenho dúvidas se ela estará revestida do ouro dos tempos de Jesus.
Mesmo porque a história não se desenrola numa linha reta em que os avanços substituem os atrasos, mas, sim, em uma rede de eventos interligados que vão e vêm de acordo com as circunstâncias.
Aliás, de acordo com o Gênio da Relatividade, o tempo nem existe na forma como o concebemos.
Portanto, só resta esperar.
Só lembrando ao mestre que , entre dirigir o Fortaleza, que com todo respeito não passa de um time pequeno dentro do contexto geral do futebol brasileiro, e dirigir o Flamengo, time de massa e considerado um dos maiores do mundo, a diferença é grande. No Fortaleza o Ceni ditou mandos, modificou o que quis, e tinha o respaldo da diretoria e o respeito dos jogadores , que viam nele, justamente por ter sido um astro no São Paulo e no futebol brasileiro, uma chance de alavancar suas carreiras, levados por sua influencia. Agora, no Flamengo, é diferente .Vai encontrar só “cobras criadas “entre os atletas e uma diretoria nem sempre disposta a fazer o que ele pretender. Tomara que de certo, mas o Rogério certamente terá problemas com sua forte personalidade, tentando impor suas filosofias,, assim como foi no Cruzeiro. Abçs