Torrou, Torrent

Foto: Divulgação/Marcelo Cortes

A verdade é que Torrent torrou a paciência do torcedor rubro-negro, tão mal acostumado com a extraordinária campanha do Fla de Jesus na temporada passada. Resultado: fritura no mais alto grau, depois de duas goleadas impiedosas sofridas diante do São Paulo e do Galo.

Aliás, já a contratação do catalão, cujo único atributo significativo era haver sido auxiliar de Guardiola, sugeria a breve estada do novo treinador no Ninho do Urubu. A começar por aquela expressão no rosto, que bailava entre o medo e a inconsistência, como alguém que não está preparado pra missão de pelo menos manter o time no mesmo nível alcançado pelo seu antecessor.

Não seria mesmo fácil seguir os passos gigantescos de Jesus, convenhamos. Aquele foi um momento tão intensamente luminoso que dificilmente as circunstâncias se repetiriam, talvez, até mesmo com o português no comando, que dirá com alguém que desembarca na Gávea em plena pandemia e com a bola já rolando em várias competições?

Além do mais, Torrent não pôde contar com o artilheiro Gabigol e o craque Arrascaeta na maioria dos seus jogos, além de ter perdido Rafinha.

Ora, dirá o amigo, mas o Fla não tem um elenco excepcional, capaz de suprir tais ausências? Respondo: tem, sim. E prova disso está na eficiência do menino Pedro em botar a bola nas redes adversárias. Mas…

Mas, é também fato que Torrent cometeu deslizes táticos inadmissíveis. Como, por exemplo, insistir em vários jogos no deslocamento do maior meia-armador do Brasil, disparado, Gérson, para os cantos do gramado. Ou, em atulhar de atacantes um time que ficava sem armação, em outras partidas. Erros primários, típico de quem desconhece, em detalhes, as características de seus jogadores.

Isso, sem falar nas constantes trocas da dupla de zaga, setor delicadíssimo em qualquer time de futebol, onde a sincronia entre os beques reina acima de tudo, e, na insistência em escalar dois volantes (Arão e Tiago Maia) num time que já havia se livrado desse mal, amém, com pleno sucesso na temporada passada.

O fato é que Torrent foi demitido e o Fla sai pelo mercado em busca de um novo treinador. Tupiniquim ou estrangeiro? Neste caso, aconselho alguém aqui da terrinha mesmo. Alguém maduro, despojado da necessidade de afirmação pessoal e capaz de retomar o caminho aberto por Jesus sem grandes arroubos e com muita sensatez. Alguém, digamos, como Dorival Jr.

 

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