Foi melhor do que se esperava

Foto: Buda Mendes / POOL / AFP

Claro, antes de mais nada é preciso descontar a imensa fragilidade dessa Seleção da Bolívia que enfrentamos em Itaquera, na abertura das Eliminatórias Sul-Americanas. Já frágil pela própria natureza, a Bolívia veio sem vários titulares e ainda acéfala, já que lá em cima a turma da federação deles não se entende desde a morte do antigo presidente.

Mas, já vi o Brasil se embaraçar várias vezes jogando contra o vento. Logo, há méritos na goleada por 5 a 0 que nosso time emplacou sobre o adversário, resultado até modesto diante do volume de jogo e das chances desperdiçadas ou conjuradas pelo goleiro.

Isso, por conta do súbito e surpreendente entrosamento que o time de Tite revelou nessa partida, depois de um ano sem se reunir e treinar devidamente. Sobretudo, porque a Neymar foi atribuída a nova função que o craque exerce atualmente no PSG: em vez da ponta-esquerda, por onde correu ao longo de sua carreira, o meio, na armação, o que lhe permitiu executar passes magistrais, além, de inventar suas proverbiais e brilhantes piruetas com a bola.

Sim, o Brasil foi um time organizado, que buscou o tempo todo a meta inimiga, por meio de trocas de passes conscientes, às vezes rapidamente, às vezes com certa moderação.

Restrições? Poucas, mas que podem, no futuro, significar muito.

Por exemplo: a presença dos dois volantes (Casemiro e Douglas Luís) em linha, logo à frente da zaga, embora o time todo jogasse avançado. Em vários momentos faltou a penetração de um deles em direção à área, a exemplo do que Casemiro costuma fazer no Real. Aliás, melhor ainda seria a presença de um meia de armação de fato, alguém como Everton Ribeiro ou Gérson (desgraçadamente, este, sequer foi convocado) capaz de dar maior fluidez ao meio de campo.

Outro problema: a ausência de um ponta a mais no ataque, pra abrir o jogo e facilitar as penetrações pelas extremidades do campo, o que Lodi fez pela esquerda muito bem, mas terá dificuldades diante de outro tipo de marcação.

Por fim, o comando do ataque. Firmino fez dois gols, mas sua participação no resto das jogadas de ataque foi irrisória, a exemplo de Richarlison, que o substituiu. Gostaria de ver o menino Mateus Cunha, chamado para a vaga deixada por Gabriel Jesus – joga muito esse rapaz.

Estou pinçando essas pequenas restrições, porém, em meio a um mar de acertos do time, em que a imensa maioria jogou bem e com muita dedicação o tempo todo, apenas pra não dizer que só falei de flores. Principalmente, Coutinho que parece ter renascido nessa sua volta ao Barça.

Ah, sim, também me animou ouvir o técnico Tite advertindo seu time o tempo a ficar de olho na bola, no sentido de atacá-la sempre que o adversário dela estiver de posse, ao contrário do nosso hábito de todos correrem pra casinha nessas circunstâncias.

Afinal, se o objetivo do jogo é o gol, o seu objeto é a bola. Sem ela, não há jogo, muito menos gols.

 

Um comentário

  1. Helena, como é prazeroso ver o Neymar jogando. Ele joga demais, dá prazer de ver. Sua vida particular não me interessa. Fazem muita fofoca dele. Faz parte de um astro. Pena que só tem ele acima da média na seleção. E temos que torcer pra que ele finalmente jogue uma copa fisicamente inteiro, pois é nossa única chance. Sem ele complica. Quanto ao jogo num todo eu gostei, e claro, levando em conta a fragilidade do adversário. Que continue assim contra seleções mais fortes, marcação alta, pressão na saída de bola e acertos de passes. Douglas foi boa surpresa. Falta para a seleção um meia armador e um ponta direita. Eu era a favor da saída de Tite após a copa para a contratação de um estrangeiro. Mas já que ficou, vamos torcer.

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