E rola a bola da insensatez

Foto: Divulgação

Em pleno pico da pandemia dessa gripezinha mortal, o governo paulista abriu as portas para a bola, que volta a rolar no próximo dia 22 para dar sequência a esse anacronismo chamado de campeonato estadual.

Não é de hoje que proponho o fim desses torneios que entopem nosso calendário, impedindo uma programação racional e adequada aos novos tempos. Isso vem desde o início dos anos 70, quando se instalou o Campeonato Nacional (hoje, Brasileirão).

À época, cheguei a sugerir ao então presidente da FPF, José Ermírio de Moraes, que liderasse um movimento nesse sentido junto aos demais cartolas dos Estados que tinham clubes no certame maior.

Resposta:

– E eu, o que vou fazer depois?

(O saudoso cartola referia-se, claro, ao fato de que a única tarefa de um presidente de federação é cuidar do campeonato estadual).

– Ora, o senhor pode tentar ser presidente da CBD (CBF, hoje). Ou, aproveitar sua fortuna pra viajar pelo mundo.

Não preciso reproduzir aqui a careta que recebi em troca.

Quando coloquei a mesma questão ao seu sucessor, o simpático e modesto Metidieri, a resposta foi entre evasiva e elogiosa:

– Rapaz, você está vinte e cinco anos à frente.

Vinte e cinco? Já se passou meio século desde então e o futebol brasileiro segue a mesma e encardida cartilha.

Corte para o presente inevitável.

E o que podemos esperar desse final de Paulistinha, que se enroscará com o início do Brasileirão, igualmente antecipado pela CBF?

Sei lá, já que não sabemos em que pé andam os treinamentos e a disposição anímica das equipes envolvidas.

Só sei que, se concretizada a saída de Dudu do Palmeiras, time que se apresentava com o melhor elenco do torneio, será um baque desgraçado para o Alviverde.

Dudu era metade das ações de sua equipe: puxava os contragolpes, servia os companheiros, movendo-se de uma extrema à outra, quando não voltava para armar a equipe… Enfim, era o faz tudo desse time, que terá de se remodelar rapidamente, sem tempo adequado para treinar esse novo jeito de jogar.

O Corinthians, por sua vez, aposta na volta de Jô. Mas, que Jô teremos? Aquele centroavante tão eficiente dos momentos mais recentes de glória do Timão, que fazia o pião com desenvoltura lá na frente e marcava gols preciosos, ou um Jô já mais lento de gestos e reflexos, pois o tempo passa, como dizia o saudoso Edson Leite?

Quem vinha pegando no breu antes da pandemia era o Tricolor de Diniz. Será, porém, que manterá essa linha crescente agora, ainda mais com seus jogadores ressabiados pelos recentes cortes de salário? Sim, porque o futebol de Diniz exige uma forte dose de otimismo dos jogadores, algo próximo do prazer de jogar bola.

O Santos também vive situação similar. Além do fato de que não conseguiu ainda se recuperar da saída de Sampaoli.

O jeito é esperar pra ver no que vai dar mais essa insensatez bem tupiniquim, baseada na folclórica crença de que Deus é brasileiro e que Jesus nasceu na Bahia, meu bem, e o baiano criou.

 

 

 

7 comentários

  1. Alberto Helena Jr.

    A extinção dos estaduais não é formula mágica para revitalizar o futebol e na realidade seria uma regressão técnica no sentido de que se fechariam milhares de portas de clubes médios e pequenos que tem o estadual como razão de sua existência e pior ainda fechariam´-se as portas para milhares de garotos principalmente das cidades do interior que não teriam pelo menos a oportunidade de iniciar uma carreira de jogador prtofissional visto que sobrariam apenas os clubes ranqueados em divisões nacionais que cada vez mais elitizam suas torcidas que se tornam mais exigentes para ver o espetáculo acho que o mais correto seria se manter os estaduais paralelamente ao nacional com os clubes não ranqueados no brasileirão e cujos campeonatos viriam a ser de qualificação para os campões desses torneios para disputar o torneio nacional da temporada seguinte. Não se pode simplesmente decretar o fim dos estaduais e deixar sem suporte de trabalho centenas de atletas profissionais que muitas vezes jogam mais por paixão pelo esporte do que pelos vencimentos que recebem. Saudações palmeirenses.

    1. Junior voce tem carradas de razao. Qualquer solucao passa pelo seu ponto de vista. Adaptando alguma coisa
      sem duvida.
      Quanto a epoca da mudanca de nome do Palestra, o Sao Paulo jamais pensou em ficar com o Parque. O que pode ter havido e uma manifestacao de alguns mau carater que por acaso poderiam ser sampaulinos mas
      os dirigentes mesmo nao tinham essa intencao. O glorioso Sampa sempre teve como seus dirigentes, conse
      lheiros, etc gente do mais alto carater. E’ claro que houveram uma ou outra excecoes que confirmaram a regra.

      abracos

      1. Alberto Helerna Jr.

        Queria cumprimentar o Bernardo Abramovich que parece ser um toredor consciente e leal e dizer que eu embora seja palmeirense meu saudoso pai era são paulino e também muito leal, respeitou minha escolha pelo time a torcer o Verdão que era o mesmo time da minha saudosa mãe e do irmão dela meu tio que me levava sempre ao Parque Antartica ver os jogos do Verdão pois meu pai trabalhava nos pedágios em sistema 12 x 36 e muitas vezes sua escala coincidia com o dia dos jogos foi assim que aprendi a gostar e torcer pelo Verdão mas o São Paulo tem um espaço dentro da minha família. Um abraço e saudações pameirenses.

  2. Alberto Helena Jr.

    Voltei para trazer uma informação para o meu amigo Oliveira flamenguista roxo, que deve estar de cabeça inchada, porém acho que ele aguenta o tranco e….parem as máquinas….parem as máquinas….o portuga vai dar linha mesmo voltando para sua família, sua terra natal, para seus amigos de infância e juventude e vai levar tr|ês do “Framengo” Leo Duarte, Gerson e Bruno Henriq para reforçarem o melhor time daquele país que é o Benfica, se isso for confirmado acabou o “Framengo”….foi isso 2019…sonho de uma noite de verão…finito. Saudações palmeirenses.

      1. Alberto Helena Jr.

        Queria dizer ao Ruben que é bem próprio da esquerdalha a que ele pertence rotular as pessoas e trazer para fóruns de outras naturezas como o esportivo assuntos de caráter político e a esquerdalha parece que está querendo ganhar corpo mas não se criarão podemos até ter tentativa de cerceamento como desse jumento adestrado pelo Lula o tal de Ruben tentou agora mas não pode ele se esquecer que somos 57 milhões a eleger ou não Bolsonaro em 2022 mas se houver necessidade de mudança colocaremos outro conservador, talvez o General Mourão e será de forma democrática, consciente, responsável, sem mortadela, e sem gente que tem bandido de estimação, presidiário cachaceiro como bichinho de estimação dele o tal de Lula. Não seja mau perdedor Ruben tente disputar nas urnas que é o forum adequdo para se praticar política mas chora nenem que tá pouco e ver um esquerdalha se f………….
        não tem preço ….Saudações palmeirenses.

  3. Gostei da abordagem e parabéns por ver o quanto este torneio é problemático pro futebol nacional. Eu gostaria que eles acabassem, deixando apenas Brasileirão (nome bem ruim ainda por sinal pra principal liga fora da Europa) e Copa do Brasil. Uma ideia que tive a um tempo seria implementar o modelo alemão no Brasil, ao invés do inglês pelo qual a CBF está seguindo (criando série D e pensando mais numa série E num futuro próximo). Série A( 20 clubes-descem 3); série B(22 clubes-sobem 3 e descem 5); Ligas Regionais no lugar da série C( seriam 5 ligas, a do Sudeste por serem menores distâncias e ter mais clubes filiados seria composta por 18 clubes, as demais 16, podendo a do Nordeste ser com 18 também); o quarto nível seria composto por ligas estaduais, basicamente os estaduais de hoje, só que com nome Liga-São Paulo teria Ligas de 18 clubes como a Liga do Sudeste, Rio também poderia ser assim, os demais estados seriam de acordo com o número de clubes, mas deveriam ligas de 10 clubes jogando 4 turnos, como acontece em países pequenos mundo afora. Enfim, achei interessante sua abordagem e gostaria de vê-lá concretizada um dia.

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