
Finda a Copa América, voltamos ao feijão com arroz bem temperado, espero, da Copa do Brasil, com a rodada inicial das quartas de final, nesta quarta-feira.
Hora de se ver o que conseguiram nossos técnicos agregar aos seu times nesse período de folga – ou melhor: de trabalho intensivo, suponho – pois o que se viu nessa metade de ano não foi nada animador.
O Palmeiras, por exemplo, que cavalga no Brasileirão montado na excelência de seu elenco, revelou exatamente o oposto no amistoso de outro dia: regrediu, em vez de avançar no seu modo de jogar. Mas, foi apenas um teste, digamos assim. Jogando pra valer, contra o Inter bem estruturado por Helmann, em casa, é favorito naquele velho modelo Felipão – fechadinho lá atrás e partindo em contragolpes puxados, sobretudo, por Dudu.
Já Grêmio e Bahia, que em outros tempos dificilmente os gaúchos deixariam de celebrar uma vitória, hoje ganha contornos mais nebulosos, pois o ex-Grêmio Roger Machado deu uma cara mais competitiva ao Bahia e bem que pode surpreender. Quem pode fazer o prato pender a favor do Grêmio é o nosso Cebolinha, que vem voando da Copa América.
Mas, no campo da emoção, da rivalidade, nenhum outro jogo da rodada bate o histórico confronto entre a Raposa e o Galo, sempre imprevisível.
Contudo, jogo que quero ver com a lupa do Professor Pardal é o da estreia do Flamengo de Jorge Jesus, o lusitano tão festejado no Rio, contra o Furacão, lá na Baixada.
Vale aqui abrir um parêntese pra falar sobre a recente ascensão dos treinadores portugueses no mundo do futebol.
Até a metade do século passado, só dava inglês na parada. Afinal, eles foram os criadores do jogo e desenvolveram os primeiros sistemas táticos. Em seguida, vieram os húngaros e os argentinos, aos quais se somaram os iugoslavos, sucedidos pelos espanhóis antes de os lusos botarem a cabeça à tona.
Pode-se dizer que a escola de treinadores portugueses nasce bem antes, com Cândido de Oliveira, não o nosso linguista, mas o jornalista fundador de A Bola, o mais prestigioso jornal esportivo da terra de Camões. Não só difundiu suas ideias pelo jornal como também dirigiu o Benfica e a Seleção Portuguesa à época. Seu livro WM é simplesmente antológico.
É verdade que, por aqui, houve outro ilustre gajo, um imigrante português, que virou jornalista esportivo antes de se tornar um técnico vitorioso pelo São Paulo e Corinthians, mais conhecido como Joreca, nos anos 40. E, ainda outro dia, o Bento, de fugaz passagem pelo Furacão, se não me engano.
Mas, Jorge Jesus é o ai-do-dói do momento, graças ao seu currículo vitorioso e aos primeiros treinos desenvolvidos no Ninho do Urubu, para muitos, surpreendentes.
No que me toca, já festejo a escalação para o jogo desta quarta que se prenunciou no último treino da equipe rubro-negra. UM SÓ VOLANTE de ofício (Cuéllar) em um meio de campo formado por dois meias (Diego e Arrascaeta) e três atacantes (Vitinho, Gabigol e Bruno Henrique). Um toque essencial da modernidade que vigora nos principais centros europeus, herança de um Brasil mais arejado, artístico e ousado, por incrível que pareça.
Pelo visto, Vitinho ocupa o lugar de Everton Ribeiro, em recuperação física. Com Everton, tanto o meio de campo quanto o ataque ganharão uma figuração ainda maios avançada.
Se vai funcionar nesta quarta, não sei. Trata-se apenas de um primeiro passo, uma ruptura com o dogma dos dois volantes que tanto entrava o avanço do nosso futebol. Mesmo porque o Furacão anda muito bem das pernas, sobretudo jogando em casa.
Mas, vale a pena observar, na torcida de que o reacionarismo (essa palavrinha volta à moda nas atuais terras tupiniquins) de boa parte da mídia não atravanque o caminhar de Jesus em direção à luz.

Bom dia mestre.
Acompanho suas colunas e comentários desde o saudoso e ótimo Jornal da Tarde.
É sempre um prazer ler suas opiniões e observações sobre o futebol e a vida, com uma leve pitada de nostalgia e humor.
Porém, hoje, escrevo ou melhor digito, para protestar contra seu colega Flávio Prado que no último domingo, dia 07 de julho, no Mesa Redonda da tv Gazeta, que acompanho sempre que possível, proferiu, não vejo outro termo, uma barbaridade de desinformação e que nenhum outro colega jornalista se manifestou, engolindo uma opinião completamente equivocada.
Disse Flavio Prado que o Brasil, na copa de 70 no México, foi favorecido pela arbitragem e que se não fosse esses “erros” a seleção canarinho daquela copa, considerada a melhor seleção de todos os tempos, não traria, como trouxe, gloriosamente o tri.
Segundo ele, no jogo Brasil e Uruguai, o Pelé deveria ter sido expulso pela cotovelada desferida contra um jogador uruguaio.
Gostaria de lembrar que esse lance, ainda bem vivo em minha memória, se deu na lateral do campo, e o jogador uruguaio iria dar uma entrada criminosa no Pelé, pelas costas, e com certeza iria quebra-lo.
Pelé apenas se defendeu e além do que o jogo já estava decidido, 3×1 para o Brasil.
Outra desinformação perpetrada pelo Sr. Flavio Prado, diz respeito ao jogo contra Inglaterra.
Diz ele que a arbitragem deveria ter expulsado Carlos Alberto Torres, nosso capitão, por uma entrada dura em um jogador inglês, cujo nome agora não me lembro.
“Esquece” o Sr. Flávio que esse mesmo jogador deu um pontapé desleal e criminoso no nosso goleiro Félix, em lance anterior, quando o nosso arqueiro já tinha a bola encaixada e levou esse pontapé no ombro, que poderia quebra-lo.
O juiz não o expulsou e o nosso Capitão disse ao Pelé que queria pega-lo ou revidar esse lance, que não, que ele Carlos Alberto o faria.
Essa passagem foi diversas vezes contadas pelo Capitão do Tri e por Pelé.
Portanto, dizer que o Brasil, por esses dois lances foi favorecido pela arbitragem em 70 e por isso trouxe o tri, é por demais desinformação e distorção dos fatos e, em se tratando de um jornalista influente, absolutamente inadmissível.
Peço-lhe mestre que no próximo Mesa, diga isso ao desinformado Flávio e o corrija, se possível no ar e ao vivo.
Obrigado.
Incrivel uma.pesaoa que se diz jornalista falar essas asneiras sobre a seleção de 70 e ninguem contestar. Não vi o.programa mas se.foi.mesmo é um.absurdo. Mais respeito com a melhor seleção de.todos os tempos e vamos noa informar melhor antes de falar bobagem.