Fique Tite. E mude.

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Juquinha, O Traquinas, levantou a bola e  todo mundo saiu correndo atrás da bichinha: Tite estaria disposto a entregar o boné depois da final da Copa América, seja qual for o resultado.

Coloquei no condicional porque o próprio celebrado colunista da Folha e da UOL assim o fez quando disparou a bombinha de São João. Isso porque nem ele mesmo, por devidas precauções justificáveis, avaliza o chilro do passarinho que lhe soprou a nova no ouvido.

Procede? Nem o Juca Kfouri ousa assegurar definitivamente. Por uma simples razão: eis uma decisão que cabe apenas a Tite, se levada em conta a nota expedida pela CBF em seguida à divulgação da notícia, assegurando que a tal comissão técnica, já desfalcada de Edu e Silvinho, seguirá sendo permanente sob o comando do técnico Tite. Essa seria uma das exigências do treinador pra continuar seu trabalho.

Mas, será que a coisa toda se restringe a isso?

Tite é, aparentemente, um tipo conservador, arredio a arroubos, desprovido do espírito aventureiro que se exigirá do técnico brasileiro depois desta Copa América, com vistas ao Mundial do Catar.

Mais do que renovar  o elenco, já um tanto envelhecido, o treinador brasileiro, seja Tite ou outro qualquer, terá de reinventar o modelo de jogo da Seleção Brasileira, encanecido há décadas, refém dos tais dois volantes que “saem pra jogar”, o que reduz nossa capacidade de criação e, por conseguinte, trava as ações ofensivas e tal e cousa e lousa e maripousa. Um jogo, enfim, voltado pra não correr riscos, o que, no fim das contas, nos coloca em risco diante de seleções que simplesmente jogam o jogo em busca da vitória o tempo todo, como a maioria dos europeus.

Aqui, na América do Sul,, puxamos o refrão; mas, quando muda o braço da viola, dançamos.

Apesar do apego de Tite às suas raízes gaúchas, molde dessa maneira de jogar no Brasil, desde os tempos de Osvaldo Brandão até hoje, sobretudo a partir dos êxitos com nossos clubes de Felipão, ele me parece suficientemente inteligente pra transformar essa nefasta realidade.

Mas, será que Tite se sente capaz disso?

Não sei, isso é lá com ele.

Mas, seria bom que seguisse em frente, alterando, porém, o curso de suas intenções e gestos. Mesmo porque, se o amigo fizer uma razia no front dos nossos treinadores, não encontrará outro que fuja à regra.

Talvez, Renato Gaúcho, que, apesar de sua origem, incorporou o espírito carioca em sua longa e vitoriosa jornada na antiga Cidade Maravilhosa, onde o futebol era curtido como uma diversão, uma imensa roda de samba em torno de uma bola.

Por não ser um pretenso teórico, acadêmico de ouvir dizer do futebol, Renato, na sua malandra simplicidade, talvez possa devolver à nossa Seleção seu valor intrínseco. Talvez.

Torço, porém, pra que Tite fique. E mude.

 

 

 

 

 

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