Mais um, no mar de vexames

Foto: MIGUEL RIOPA/AFP

A bem da verdade, não foi um jogo de futebol. Foi, isso sim, um exercício da incapacidade de o futebol brasileiro furar uma retranca, ainda que montada por uma equipe de quinta categoria no cenário mundial, o Panamá.

A nossa seleção teve a bola a seus pés por mais de 80 por cento da partida, mas não conseguiu fazê-la rolar lépida e fagueira em direção à meta adversária. Era um tal de toque pra cá, toque pra lá, e dá-lhe cruzamentos para o rebate dos beques e do goleiro.

Quando Casemiro conseguiu cruzar aquela bola no segundo pau para Paquetá finalizar de canhota, foi uma festa: 1 a 0, aos 31 minutos de jogo.

Mas, logo em seguida, os panamenhos, que evitavam atacar como se isso fosse uma heresia, numa cobrança de falta da intermediária, chegaram ao empate, em cabeçada de Machado, sozinho à frente da linha de zaga brasileira.

Foi o bastante para o Panamá alcançar um resultado inusitado em sua história e para o Brasil recair no velho ramerrão.

Faltava de fato o que sobrava ao jogador brasileiro de duas décadas atrás: diante da retranca feroz, a jogada individual, o drible em progressão, a cunha capaz de romper a barreira do inimigo.

Bem que Richarlison, o melhor do time, tentou essa alternativa uma vez, mas foi atrapalhado por Gabriel Jesus no momento do chute final.

De resto, como de praxe nessas situações, o desespero dos brasileiros e o cansaço dos panamenhos provocaram aquele sufoco final feito de muitos cruzamentos e rebatidas.

Se faltou o drible, faltou também o passe cerebral, exato, aquele disparado em geral pelo meia armador, capaz de achar um companheiro em situação crítica diante da meta, o que deveria ter sido tarefa de Coutinho. Mas, Coutinho não anda lá muito confiante no seu futebol que se dilui a cada rodada no Barça.

Resultado: 1 a 1, placar histórico para o Panamá e mais um vexame deste Brasil mergulhado num mar de vexames, de cima a baixo.

6 comentários

  1. E o time mais uma vez mostrou-se frágil na criação, mas faltou sobretudo os recursos ensaiados, se é que os há, e outra vez ficamos usando o recurso do “chuveirinho na área “. Pobre futebol brasileiro.

  2. Caro; Alberto Helena

    Hoje já sabemos o resultado com o Panamá e iremos amanhã saber o resultado com a República Checa.
    Mas o normal tem vindo acontecer, na minha opinião o Brasil não tem técnico capaz de montar uma EQUIPA, mas o Brasil continua a apostar na habilidade e nos craques.
    Isso hoje em dia já não é o mais importante, o importante é criar uma EQUIPA e não ter uma constelações de craques e, sabe porque?
    Estes craques nas suas equipas jogam com colegas que correm, lutam e tem sentido táctico dado pelos seus treinadores e assim eles se sobressaem, mas quando se juntam eles olham para os colegas dentro de campo e não encontram aqueles que correm, lutam e tem sentido táctico e olham para o técnico e ele fala muito bonito, mas não possuem conhecimento táctico.
    Esse é o problema do Brasil de ontem (desde 1982) até hoje vive dos craques e da suas fintas e toques de bola geniais, mas isso pode dar para a América do Sul, mas quando apanharem equipas da Europa iram voltar para casa cedo….Alemanha, Espanha, Inglaterra, Holanda, Bélgica, Itália, entre outras quando conseguem ter craques como é o caso hoje em dia alinhando com o seu sentido táctico (essencialmente da Europa) são quase imbatíveis.
    Continua assim Brasil e iremos ter outro vexame na próxima Copa do Mundo. Jogar com Uruguai, Argentina e outros do continente americano ainda conseguem disfarçar, mas na Europa é difícil.

    1. Menos, senhor Antonio Matos, menos. As equipes europeias nao sao tudo isso que muitos, incluindo o senhor, apregoam. Perdemos da Belgica por causa de erros pontuais e a Franca so passou pela Belgica na bola parada. Muito pouco foi construido num jogo que ficou longe, muito longe, daquela que foi a melhor, disparada, copa que eu vi – a de 70 no Mexico. Alemanha, Inglaterra, Uruguai, Peru, Romenia, Tchecoslovaquia tinham times que nao so jogavam um futebol agradavel de se ver, eram times competentes e competitivos.
      O futebol mudou, como tudo nesse mundo, claro. Para pior, no meu ver.

  3. Caro; Alberto Helena

    Hoje já sabemos o resultado com o Panamá e iremos amanhã saber o resultado com a República Checa.
    Mas o normal tem vindo acontecer, na minha opinião o Brasil não tem técnico capaz de montar uma EQUIPA, mas o Brasil continua a apostar na habilidade e nos craques.
    Isso hoje em dia já não é o mais importante, o importante é criar uma EQUIPA e não ter uma constelações de craques e, sabe porque?
    Estes craques nas suas equipas jogam com colegas que correm, lutam e tem sentido táctico dado pelos seus treinadores e assim eles se sobressaem, mas quando se juntam eles olham para os colegas dentro de campo e não encontram aqueles que correm, lutam e tem sentido táctico e olham para o técnico e ele fala muito bonito, mas não possuem conhecimento táctico.
    Esse é o problema do Brasil de ontem (desde 1982) até hoje vive dos craques e da suas fintas e toques de bola geniais, mas isso pode dar para a América do Sul, mas quando apanharem equipas da Europa iram voltar para casa cedo….Alemanha, Espanha, Inglaterra, Holanda, Bélgica, Itália, entre outras quando conseguem ter craques como é o caso hoje em dia alinhando com o seu sentido táctico (essencialmente da Europa) são quase imbatíveis.

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