
No tempo em que se amarrava cachorro com linguiça, a Inglaterra jogava a la Felipão: pega-pega, bola esticada pras pontas de onde saíam os inevitáveis cruzamentos para um centroavante grandalhão lá na área faturar de cabeça.
Nos últimos anos, o futebol inglês mudou radicalmente, sobretudo em função do processo de globalização e da entrada maciça de jogadores negros, mulatos, arábicos, sul-americanos em geral, inclusive no English Team. que lhe esmeraram a técnica e a criatividade.
E o que se viu nesta sexta-feira, pelas Eliminatórias da Euro, foi uma Inglaterra envolvente, tocando a bola sempre em direção ao gol adversário e massacrando a República Tcheca – 5 a 0, numa exibição de gala de Sterling, autor de três gols e vítima do pênalti que Harry Kane converteu.
Sterling, crioulo expedito, cheio de manhas, fintas e dribles, que, depois de um período de incertezas no Liverpool, alcançou o auge sob o comando de Guardiola no City, aquele mesmo Guardiola que possui em casa um canil das mais variadas raças e um armazém de linguiças de todos os tipos.
Fico, então, aqui pensando em como será o embate da nossa Seleção com essa Tcheca humilhada, no amistoso da próxima quinta,
Terá o Brasil condições pra repetir um feito semelhante ao da Inglaterra sobre o mesmo adversário?
É possível, mas não provável.
Temos jogadores pra tanto, se devidamente escalados sob um sistema mais ousado do que o demonstrado até aqui por Tite.
Não é um time de nível estelar, claro. Mas, tampouco o é a Inglaterra atual.
A diferença está no conceito, na predisposição de ousar em vez de acautelar-se ao extremo.
Neste sábado, por exemplo, o Brasil pega o Panamá.
Nos tempos do cachorro-quente, era pra se presumir algo em torno de dois dígitos – 10 a 0, coisa do gênero.
Hoje, vivemos nos tempos do hot-dog, do fast-food, receitas rápidas e indigestas, de paladar no mínimo discutível, plastificado, digeridos às pressas, sem o sabor e o encanto dos rituais refinados da boa mesa. É pegar e sair mastigando pela rua atrás do resultado à sua espera no escritório ou na repartição pública.
Tite, pelo que sei, não é de caviar. Mas, que diabo!, um assado à gaúcha também tem seu sabor, tanto na confecção quanto na degustação.
Quem sabe, né?
Caro Mestre Helena, assisti ao compacto do jogo da Inglaterra e fiquei impressionado com a mobilidade, velocidade e disposição deles. O time de Tite(escalado por empresários?) seja em qualquer jogo , desde que ele assumiu, não tem nenhuma dessas coisas. Talvez a ausência do “menino riquinho” carnavalesco permita que os bons jogadores que temos joguem sem medo de contrariar o “dono do time”. Posso estar errado, mas penso que de todos os “10” que tivemos, ao longo dos anos, esse carnavalesco é o menos produtivo. Falam muito da medalha de ouro olímpica, mas as duas de prata, jogadas contra times “amadores” da cortina de ferro, me sabem melhor. Dois assuntos aparentemente desconexos: no treino do Corinthians, de ontem, jogadores já “velhinhos” fizeram aquela agressão cretina de cortar os cabelos dos jovens e hoje leio que ginasta brasileira “abafou” na Alemanha ao som de: Villa Lobos? Não! De Edu Lobo? Não, De Chiquinha Gonzaga? Não! De Tom Jobim? Não! De Cartola? NÃAAAOOOO!!! Do altamente cultural, e complexo musicalmente, o funque!!! E não surpreendem os maus resultados do país (governado pela famiglia miliciana e seus capangas) nos esportes.
Precisamos voltar a ensinar e desenvolver nas nossa equipes de base…o nosso verdadeiro estilo de jogar futebol….que sempre foi assim e sempre foi assim que ganhamos….e nao como esta nos ultimos anos….ficar implantando ou imitando o estilo europes nos nossos garotos…pois se for assim….vamos correr a vida toda tentando imita-los.
Tite não passa de um entregador de camisas falastrão. A única coisa que ele sabe fazer é mudar um jogador por outro. Incapaz de criar um sistema de jogo aproveitando os talentos que existem no Brasil, vai ano a ano provocando vexames como o de hoje contra o grande Panamá com Casemiro de volante. A mídia faz seu papel.. Passar a mão na cabeça dele até que o mais fanático dos torcedores para de assistir jogos da seleção.
Caro; Alberto Helena
Hoje já sabemos o resultado com o Panamá e iremos amanhã saber o resultado com a República Checa.
Mas o normal tem vindo acontecer, na minha opinião o Brasil não tem técnico capaz de montar uma EQUIPA, mas o Brasil continua a apostar na habilidade e nos craques.
Isso hoje em dia já não é o mais importante, o importante é criar uma EQUIPA e não ter uma constelações de craques e, sabe porque?
Estes craques nas suas equipas jogam com colegas que correm, lutam e tem sentido táctico dado pelos seus treinadores e assim eles se sobressaem, mas quando se juntam eles olham para os colegas dentro de campo e não encontram aqueles que correm, lutam e tem sentido táctico e olham para o técnico e ele fala muito bonito, mas não possuem conhecimento táctico.
Esse é o problema do Brasil de ontem (desde 1982) até hoje vive dos craques e da suas fintas e toques de bola geniais, mas isso pode dar para a América do Sul, mas quando apanharem equipas da Europa iram voltar para casa cedo….Alemanha, Espanha, Inglaterra, Holanda, Bélgica, Itália, entre outras quando conseguem ter craques como é o caso hoje em dia alinhando com o seu sentido táctico (essencialmente da Europa) são quase imbatíveis.
Continua assim Brasil e iremos ter outro vexame na próxima Copa do Mundo. Jogar com Uruguai, Argentina e outros do continente americano ainda conseguem disfarçar, mas na Europa é difícil.