Tricolor, da água pro vinho

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Pontapé inicial do jogo, bola com Anderson Martins – bumba, meu boi!, em direção do nada.

Era o que se esperava desse Tricolor montado sobre três zagueiros de ofício: uma saída de bola errática; consequentemente, evolução soluçante, inepta, bola que vai e volta e tal e cousa e lousa e maripousa.

Tudo isso pra quê? Pra permitir que Hernanes, ainda sem a forma física ideal. jogasse mais avançado, como um meia que a turma da mídia e da beirada do campo acha que é o melhor pro jogador e para o time.

Tudo errado, meu. Hernanes é eficiente de frente para o campo adversário, como um autêntico segundo volante, na denominação atual, posição que lhe permite vislumbrar o movimento dos seus atacantes e distribuir o jogo, chegando, então, pra eventualmente disparar seus chutes certeiros, de esquerda ou de direita.

Jogando enfiado, de costas para os defensores, Hernanes, é absolutamente inútil, pois não tem a ginga, o balanço, a rapidez de movimentos pra se livrar da marcação e executar suas jogadas. Sempre foi assim, desde jovem e ativo até agora. E assim foi durante todo o primeiro tempo.

O técnico que quiser aproveitar os passes e os chutes precisos de Hernanes mais à frente terá de montar sua equipe a la Guardiola, com os beques jogando no meio de campo e empurrando o time todo para o meio campo adversário, marcando por pressão a partir da saída de bola do inimigo. Mas, quem tem coragem neste país de atuar desse jeito? Caso contrário, terá de esperar que Hernanes recupere sua melhor forma pra atuar nessa função.

Então, o jogo transcorreu durante todo o primeiro tempo naquele marasmo habitual, até que, no intervalo, Mancini, resolvesse trocar um dos tantos beques (Bruno Alves), por um meia mais avançado (Diego Souza).

Foi da água pro vinho, mais ainda quando Nenê, aos 16 minutos, substituiu Helinho, um garoto que até agora não conseguiu reproduzir no time principal o futebol encantado dos tempos de júnior, ao contrário de Antony, que, mais uma vez, esmerilhou.

A partir daí, o Tricolor passou a jogar bola como manda o figurino, envolvendo o Bragantino, sobretudo depois do gol de Pablo, aos 17 minutos, um giro esperto de bola rebatida nas costas do beque.

E aumentou aos 30, com Arboleda colhendo com exatidão a cobrança de corner de Nenê na medida.

Mas, logo, Mancini decidiu reforçar o meio de campo, trocando Pablo por Gomez, e, então, claro, o jogo passou a ser uma longa espera pelo apito final.

Dessa forma, o São Paulo, ufa!, conseguiu atingir a liderança de seu grupo, com boas chances de se classificar para a fase que realmente vale no Paulistinha. Sobretudo, se mantiver a formação que terminou o jogo deste domingo.

 

 

2 comentários

  1. Alberto Helena Jr.

    Dos outrora quatro grandes do Estado de São Paulo, Corinthians, Palmeiras ,Santos e o próprio São Paulo nenhum joga um futebol deslumbrante, daqueles times das décadas de 60 a 80, porém o time que mais corria risco de não classificação, que seria um vexame total, pior do que bater na mãe por causa de mistura era o São Paulo mas com a vitória de hoje o São Paulo recupera a ponta da tabela no seu grupo e não inventando moda conseguirá a classificação para a fase que mais importa no “paulistinha”, oitavas de final e sequentes, quando o primeiro do grupo joga dois jogos contra o segundo do seu próprio, jogos eliminatórios. Saudações palmeirenses.

  2. Alberto Helena, vc é um dos raros jornalista que gosta do futebol bem jogado, bonito de assistir, a maioria da imprensa esportiva , enaltece o futebol de resultado , o jogo por uma bola e 3 pontos.
    Pobre futebol brasileiro de técnicos retranqueiro, e sem coragem de colocar o time para atacar e ver um jogo bonito.
    Melhor jogo até agora no campeonato paulista, Santos 3×2 Oeste, , um jogo aberto onde os técnicos não estavam preocupados com a retranca, todos os jogadores atras da linha da bola, jogo emocionante até o seu final.

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