
Bem, se o Tricolor disputando o Paulistinha até agora não deu sinais claros de que pretende mesmo mudar o braço da viola, adotando o estilo defensivo já encruado no nosso futebol em geral, que dizer ao enfrentar o Talleres lá em Córdoba, pela Libertadores?
A simples volta de Jucilei ao time já dá o tom da melódia. Ao lado dele, Hudson etc. e tal.
Traduzindo: é de se esperar, como de hábito, um São Paulo lá atrás, fechadinho, esticando bolas para Everton, Helinho e Pablo, à espera de que o rebote caia em um dos pés certeiros de Hernanes perto da área.
Isso, se for mesmo essa formação do time, com Nenê tentando fazer o time jogar bola.
Afinal, tudo é segredo no atual futebol brasileiro. Treinos fechados sob o signo de esotéricas metodologias de trabalho, essas coisas todas que, em campo, o resultado final é sempre o mesmo já de conhecimento público – não deixar o inimigo invadir nossa área, e, responder com lançamentos imprecisos e aleatórios.
Na alma dos nossos treinadores e dos jogadores não ressoam os versos do grande poeta luso: navegar é preciso, viver não é preciso. Sobreviver é preciso, navegar não é preciso, entoa em murmúrio essa turminha.
Houve um tempo em que os treinamentos dos clubes eram escancarados. A gente ia à tarde ao campo, assistia do banco à beira do gramado os exercícios, físicos, táticos e técnicos, levava longos papos reservados com os técnicos e jogadores, e, no dia seguinte, na hora do jogo, era aquela surpresa de uma bola bem passada, chutes certeiros e muitas chances de gols criadas.
Mas, isso era no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça, como prega Felipão e o rebanho vai atrás (pelo jeito, os cachorros ingleses, espanhóis, alemães e franceses continuam sendo retidos por cordões de linguiça até hoje, depois de décadas de esperteza pra se livrar dos macios e apetitosos grilhões).
Agora, não. Agora, prevalece, segundo se sabe, aquele treino alemão (espaço reduzido, onde a troca de passes rápidos é elevado à categoria de rainha, entre duas metas minúsculas). Resultado: nunca vi tanta profusão de passes errados num jogo cadenciado, lento e improdutivo no nosso futebol como acontece hoje em dia, seja nos estaduais, na Copa do Brasil, no Brasileirão, na Libertadores ou na Sul-Americana. E tão mesquinho índice de chances de gol criadas. Pra não falar nos chutes e cruzamentos errados.
Mas, esse não é um defeito exclusivo do futebol brasileiro. Espalhou-se por toda a América do Sul, e o Talleres, pelo que sei, não é tão diferente nesse quesito. Mas, ainda guarda resquícios de muito denodo e um toque de bola mais cuidadoso, típicos da escola argentina..
Além do mais, terá um forte aliado na torcida, sempre ativa, apoiando a equipe de início ao fim num estádio propício para tal tipo de pressão.
Resta saber o quanto e até quando o Tricolor conseguirá resistir ou até mesmo reverter essa situação.
Que tem jogadores pra tanto, ah, isso tem. Basta saber se eles serão devidamente escalados e responderão no ato em campo.
O motivo dessa queda técnica no futebol é cristalino; Muito dinheiro em jogo. Os jogadores e técnicos na sua grande maioria perderam a espontaneidade. São escravos dos seus altíssimos salários e no afã de não errarem nos jogos e perderem as partidas, resolveram adotar um jogo linear, sem riscos o que os tornam previsíveis e por conseguinte fácil de serem marcados. Todo mundo tá careca de saber que a criação e a inventividade do jogador é diretamente proporcional à sua capacidade de correr riscos de inventar, Ora um cara que ganha milhões por mês vai querer se expor no jogo? Claro que há meia dúzia exceções como Messi, Neymar Mbapee etc…
Alberto Helena Jr.
Com esse aprendiz de treinador nada……simples assim. Saudações palmeirenses.