O Paulistinha das incertezas

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Começa neste fim de semana o Paulistinha, sob o signo da incerteza.

Incerteza porque os clubes grandes sequer chegaram a fechar seus elencos, que dirá dispor de um tempo mínimo de preparação adequada com vistas a um torneio importante. Resumindo, o campeonato, de fato, servirá de substituto para a pré-temporada, tão indispensável ao futebol e tão dispensada por esse estúpido calendário brasileiro.

Nesta vasta área da incerteza, o Palmeiras salta como o mais bem equipado para se atirar em busca do êxito. Afinal, manteve técnico e elenco campeões brasileiros, além dos reforços recém-chegados, o que já lhe dá de saída uma grande vantagem sobre os demais. Mesmo porque o técnico Felipão adotou com sucesso a prática do rodízio de jogadores que lhe permite, hoje, jogar as camisa pra cima e escalar o time com os craques que as colherem do ar.

O Palmeiras estreia contra o Red Bull, no domingo, e a única desvantagem possível está na disposição energética do adversário (trocadilho proposital, claro) que, como todos os demais pequenos, deve estar mais bem preparado fisicamente do que o grandão da vez.

Já o Corinthians, que enfrenta o Azulão, se apoia no carisma de seu técnico Carille, amado pela torcida, último campeão paulista, justamente diante do poderoso Verdão, no campo do tradicional rival, num inesperado desfecho.

Carille já anunciou que está cuidando da defesa, o que lhe é muito caro desde os tempos de auxiliar.

No caso específico deste Timão, é mais uma medida cautelar, até que o treinador tenha a chance de ajeitar seu meio de campo e ataque, com os novos contratados. Melhor empatar do que perder na estreia de uma longa e tediosa fase eliminatória cujo epílogo todos já sabem qual será, com os quatro grandes disputando o título de fato.

O São Paulo, por sua vez, que pega o Mirassol neste sábado, vive um momento de grande expectativa. Não ganha um Paulistinha há séculos, e foi dos grandes paulistas o que mais investiu em reforços. Mas, tenho minhas dúvidas se conseguirá atingir esse alvo já nesta temporada, pois há clara dicotomia entre o discurso do jovem treinador Jardine e a prática por ele revelada na Florida Cup. Jardine anuncia um time de toques envolventes e um jogo ofensivo, mas, colocou em campo uma equipe lotada de volantes, atuando lá atrás.

Jogadores pra cumprir suas promessas, Jardine tem. Resta saber se vai conseguir compô-los devidamente dentro do padrão pretendido, ou se vai apenas seguir o curso vigente: um futebol pragmático que, no final, pode até dar certo.

Por fim, o Santos, que abalou o noticiário com a notável contratação do técnico de fama internacional, Jorge Sampaoli, deu-lhe de presente de Ano Novo um elenco devastado por tantas defecções e tão poucas contratações, quase todas de jogadores sem expressão.

E, pior: o Peixe, historicamente uma usina de jovens valores, vive nas suas bases um momento de baixa, como a Copinha demonstrou ainda outro dia. Quer dizer: nem o recurso de buscar entre os Meninos da Vila um desses craques nascentes de sempre Sampaoli terá. Será obrigado, a partir do confronto deste sábado com a Ferroviária, a montar uma equipe leve, ofensiva, surpreendente, como reza a história santista, sem jogadores para executarem tão fina tarefa.

É de se ver.

3 comentários

  1. É de se ver o Corinthians novamente campeão do “paulistinha”, não é mesmo?
    Pois, ninguém mais credita história ao nobre campeonato paulista, simplesmente o maior do brasil e um dos maiores do mundo.
    Mas, enfim, segue a historia marcando sua glória a cada campeonato.
    Saudações corinthianas, caro Alberto..

  2. é isso aí meu Caro Alberto.
    o campeonato paulista é um café requentado de outras edições.

    te acompanho pela tv gazeta.

    abraço.
    Jefferson Allonso….Sorocaba.

    e/t…..fale do São Bento..

  3. É de se lamentar como a imprensa paulistana desdenha o Paulistão – e as séries A2, A3 e 2.ª divisão -, que são acompanhados por mais de 20 milhões de paulistas do Interior (população maior que a de inúmeros países).
    Todo ano é a mesma coisa.
    É bom lembrar que o Brasileirão é que ocupa a maior parte do calendário, dividindo-se por 3 partes diferentes do ano futebolístico: 1) de maio a junho (fim da temporada europeia); 2) julho-agosto (férias e pré-temporada na Europa); 3) setembro-dezembro: início da temporada europeia. Não há como manter um mesmo grupo de jogadores por todo o brasileirão.
    Ou seja: nosso calendário não bate com a europeia e a culpa pelo fracasso do nosso futebol é… do Paulistão, espremido de fevereiro a abril.
    O certo seria disputar os estaduais de fevereiro a junho e o nacional (3 séries, somente) de 15 de julho a 15 de dezembro, resguardando o período do meio do ano para a Seleção. Para isso, o brasileirão seria bem menor e mais objetivo – talvez um só turno -, mas disputado pelo mesmo grupo de jogadores, sem qualquer interrupção como ocorre hoje em dia..
    Vá entender!

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