
A cantora Cecília Beraba, outro dia, introduziu neste pedaço destinado às voltas que a bola dá um toque musical que me redespertou o prazer pela busca das invenções do nosso cancioneiro. Não se assuste com o que aí vem, pois no fim da jornada, o nosso Ford Bigode chegará ao nosso congestionado destino atual.
Ao som do chapéu de palha batucado por Luiz Barbosa, Joel de Almeida e Dilermando Pinheiro, essa busca me levou a degustar uma renovada iguaria da invenção tipicamente brasileira e já sepultada pelo tempo, servida no prato e faca do mítico João da Baiana,
João da Baiana, pra quem não sabe, era figura dominante entre os Oito Batutas, primeiro grande grupo de choro do Brasil, comandado por Pixinguinha, ao lado de Donga, autor do primeiro samba gravado – Pelo Telefone, na verdade, uma obra coletiva, da qual participaram o jornalista Peru do Pé Frio, Mestre Hilário e outros que participavam das célebres reuniões nas casas das tias baianas, que fugiram da terrível seca do Nordeste no final do século retrasado.
Numa dessas tardes e noites de função musical, conta a lenda, João da Baiana esticou o braço sobre a mesa, pegou um prato e uma faca e passou a esfregar a faca sobre o prato num ritmo sutil e contínuo, que acabou sendo incorporado às gravações de vários intérpretes daí pra frente.
Tratava-se de mais uma das criações dos chorões e sambistas brasileiros, tiradas do trivial cotidiano, como seria mais tarde a cuíca ou barrica – um tambor em que alguém (Bucy Moreira?) introduziu um cabo colado à pele, reproduzindo assim um gemido rítmico que toca o fundo da alma da nossa cultura.
E por que invoco aqui essas lembranças perdidas? Porque, entre outras coisas, Os Oito Batutas fizeram, na década de 20 do século passado, um sucesso tão grande na França quanto o da primeira excursão de um time brasileiro à Europa, o Paulistano de Fried, Araken e cia. bela, que eles lá batizaram de Les Rois de Football (Os Reis do Futebol).
A ponto de merecerem ambos uma referência em crônica do poeta maior, Manuel Bandeira, à marchinha de Paulo de Oliveira, o primeiro palhaço negro do Brasil – A Europa se curva ante o Brasil – em celebração aos feitos de Santos Dumont, figura que, por sinal, os Discoverys da vida teimam em apagar da história em favor dos Irmãos Wright.
Assim como o fast-food adiciona gordura paralisante às barrigas e mentes dos nossos tapuias, fazendo-os esquecer dos mais finos e bem temperados quitutes servidos no prato e faca, por exemplo, nossas duas mais significativas culturas – a musical e futebolística – passaram a ser um prato feito, grosseiro, indigesto e sem imaginação.
E por que estou levando o amigo a esse tour pelo nosso passado musical, se o assunto aqui é futebol?
Porque ando espiando a Copinha, a cena presente que anuncia o futuro, e me bate um desgosto profundo , como diria Noel.
Os meninos, desde já, estão sendo moldados feito bonequinhos de chumbo ou réplicas de jogo de vídeo-game.
Os professores de campo – a maioria nem chutou uma bola pra valer – estão ensinando a garotada a comer hambúrger em bandeja de papel alumínio. Tiraram-lhe de vez o gosto pelo que oferece o prato e faca, a invenção, aquela capacidade de romper com o trivial estabelecido e alcançar uma nota dissonante, imprevisível, capaz de oferecer o inusitado, o novo de fato.
O amigo assiste à Copinha e vê apenas a repetição do estabelecido há uns vinte anos entre os profissionais: nada que entusiasme, a não ser uma goleada aqui ou ali, fruto da fraqueza desses tantos times de fachada criados pelos empresários de jogadores com o único intuito de colocá-los em exposição na grande vitrine da Copinha.
O samba, a prontidão e outras bossas são coisas nossas, cantava o gênio Noel. Eram, meu caro, eram. Hoje, essas bossas ecoam pela Europa, nos cânticos da Aquarela do Brasil, entoados pela torcida do Bayern, ou do Pega no Ganzê, de um outro grande europeu de que já não me lembro (afinal, também sou brasileiro, um desmemoriado sempre à espera do futuro que não vem).
PS: Na foto, abraçando o violão, olhando pra João da Baiana, meu saudoso chapinha Baden Powell, mestre do violão e da vida.
NA LINHA DO GOL
Por falar em Copinha, o atual campeão, Flamengo, acabou sendo desclassificado antes da hora pelo Figueirense. Isso não me preocupa tanto quanto o nome de um de seus meninos: Marx Lenin. Diante do que se prenuncia por aí, mais cauteloso seria o garoto trocar de nome. Que tal Benito Adolph, hein? Estaria mais na moda.
Longe de mim me antecipar numa análise definitiva sobre o trabalho do jovem Jardine à frente do São Paulo. Mas, a estreia diante do Eintracht Frankfurt, na derrota por 2 a 1, deixou-me uma pulga atrás da orelha. Afinal, Jardine entrou com um time titular, e, no intervalo substituiu toda a equipe. Nos dois lances, o Tricolor teve uma formação com três volantes, o que contradiz fundamentalmente o discurso do treinador que prega um jogo ofensivo, feito de muita troca de passes. No primeiro tempo, o São Paulo mal passou do meio de campo. E, no segundo, só melhorou um pouco com a ação de Nenê, autor, aliás, do gol de seu time.
XI…. IMAGINEM SÓ COMO DEVEM ESTAR DECEPCIONADOS OS “IMBECIS” SOFISTAS DE BOTECO QUE VOLTA E MEIA NOS DÃO O DESPRAZER DE SUAS “PÉROLAS E “VERBORREIAS”… E, SOBRETUDO, DIZENDO: PÔ MESTRE HELENA! DANDO UMA DE SUBVERSIVO DE NOVO NAS ENTRELINHAS? RSRSRSRSRSRS NÃO FAZ ISSO NÃO MESTRE… POIS OS IDIOTAS VÃO INFARTAR QUALQUER HORA DESSAS…. SEJA POR INVEJA, RECALQUE, FALTA DE INTELIGENCIA, SENSO CRÍTICO E UM EXCESSO DE SENSO COMUM… MAS AFINAL, ESTAMOS NO “BALCÃO” DO BOTECO CORRETO? ENTÃO, DESCE MAIS UMA DOSE DE IRONIA E SARCASMO AÍ MESTRE QUE ELES (AS) PIRAM!!!!!! CHEERS!!!!!!!!!
Aristides Lobo foi um grande jornalista, sobrinho do célebre tribuno da República Velha de quem herdou o nome, que conheci ainda moço – ele, já velho – na redação da Folha. Ao ler uma crônica que escrevi – “Asmáticos, Uni-vos!” -, o velho me chamou num canto e sentenciou:
– Menino, você até que escreve bem, mas evite a ironia. O povo não entende.
Nunca pude obedecer ao velho mestre. Que fazer? Afinal, na astrologia e na vida sou Escorpião.
MAS VEZ EM QUANDO, APARECE UM DESSES “DOIDINHOS” QUE ACABAM COMPREENDENDO E, SOBRETUDO, “CHORAM” DE RIR…. HUAHUAHUAHUAHAU
Mestre Helena, sublime, genial e corrosivo da ignorância institucionalizada e que esta levando o Brasil a ser perigosamente braZil. Na empresa de comunicação baba-ovos dos poderosos da hora, há u’a matéria paga dos lixos burguerianos afirmando que o nosso velho e insubstituível FEIJÃO COM ARROZ é tão pernicioso como os MacPorcarias da vida. Não há de ser nada, enfrentamos a redentora I e agora nos cabe defenestrar a redentora entreguista II. O futebol só esta como esta por conta dessa imbecilização coletiva imposta goela abaixo da população jovem que nunca ouviu falar dos 8 batutas e são engabelados com o “conservadoríssimo” Titismo vigente.
Faraó, OH, o que nos espera, meu…
O mistério Ganso. Há uma lenda no futebol que a Nine do Gorducho persegue Ganso por ele nunca ter aceito ter sua carreira gerenciado por ele/ainda quando a majestosa ave batia as asas com elegante estilo e graça. O fato é que depois da negativa(segundo ainda a lenda), o Ganso jamais encontrou águas tranquilas para nadar e desfilar sua branca plumagem. A manchete do portal G1 colocando Ganso como um jogadorzinho qualquer a ser contratado pelo Flu, pode ser mais um indício de que essa lenda vá alem da lenda. Afinal, o Gorducho é senhor todo poderoso lá pras bandas daquela estação de TV e seus poderes se estende além mar. Será?
Alberto Helena Jr.
Eu ia comentar no post anterior porém tive um compromisso e não estava em casa, mas como você citou neste post aqui vai o urubu de voo alto, só se for de galinha aquele curto saca, deu um vexame ontem na Copa São Paulo ao ser eliminado pelo aguerrido e bem armado time do Figueirense que merecidamente conseguiu passar de fase…..será que o time do cheirinho vai afinal incorporar essa característica até nas suas divisões de base ? Saudações palmeirenses.
Mestre Helena, cabe também uma observação sobre o comportamento desses “pirralhos” da copinha, que repetem como papagaios as atitudes tolas dos profissionais, Se marcam um gol desprezam a ação de quem lhes passou a bola e saem correndo, evitando os cumprimentos ate chegaram à uma câmera para fazerem alguma bobagem, ou ainda pior imitam alguém atirando usando as mãos como “armas”. nada menos tolo do que outros fazem. E sobre essas comemorações que desperdiçam um tempo enorme dos jogos, não os vejo fazendo-as quando estão perdendo de muito.