
Essa encrenca envolvendo Flamengo, Cruzeiro, Arrascaeta e seu agente dá bem a medida da distância que nos separa dos grandes centros da modernidade no futebol.
Revela, antes de mais nada, a impossibilidade de os clubes brasileiros – sobretudo, os da nossa elite futebolística – unirem-se numa Liga forte e independente, como, por exemplo, as formadas na Inglaterra, Espanha, França e Alemanha, o que permitiu a esses países darem um salto de qualidade espetacular nas duas últimas décadas.
São essas Ligas que permitem aos clubes gerirem o negócio do futebol, um espetáculo de massa destinado a satisfazer os mais exigentes desejos do torcedor, seu maior consumidor. Não as Federações nacionais, entravadas pelos seus próprios interesses políticos e pela máquina administrativas superada.
Aqui, acontece exatamente o oposto. Quem determina calendário e demais questões atinentes ao futebol é essa CBF mergulhada em desatinos e denúncias de crônica corrupção. A CBF, por sua vez, faz o jogo das Federações estaduais – uma corporação que só existe no Brasil, colégio eleitoral com privilégio de eleger o presidente da CBF – entidades igualmente eivadas de suspeitas, cujos dirigentes só olham para o próprio umbigo.
E assim nosso futebol (como os demais sul-americanos) anda em círculos, enquanto os europeus avançam em linha reta.
Ah, sim, já tentaram criar uma Liga de Clubes aqui no Brasil, há quase quarenta anos. No início da década de 80, sob o comando de Carlos Miguel Aidar (imaginem!), essa Liga ficou responsável pelo calendário nacional. E no que deu? Deu naquele campeonato da Taça das Bolinhas, que até hoje é reivindicada pelo Flamengo e pelo Sport, fruto de uma mudança no regulamento com o torneio em plena ação.
A seguir, o Clube dos Treze, como era denominada tal Liga, rapidamente, virou um balcão de negócios em torno dos direitos de transmissão dos jogos do Brasileirão pela tv, até extinguir-se de vez quando o Corinthians quebrou o protocolo ao tratar diretamente com a Globo.
Ninguém mais tocou no assunto e a CBF de Teixeira, Marin, Del Nero etc. seguiu intacta no comando do nosso futebol, infensa às necessidades dos clubes, que são o pão de cada dia do futebol, que, por sua vez, não conseguem juntar forças e um pingo de inteligência pra escapar desse redemoinho malsão.
Resultado: o Brasil, de tantos recursos, passou a ser mero exportador de craques promissores e importador da sucata europeia e sul-americana.
Isso, empobrece o espetáculo, desanima o consumidor que paga muito por tão pouco, e afasta os grandes patrocinadores, a não ser certas e conhecidas exceções. Logo, a pouca grana que resta aos clubes acaba saindo pelo ladrão, no duplo sentido da palavra.
Até quando? Olhe, meu camaradinha, pelo andar dessa Maria Fumaça., confesso não ver uma luz no fim do túnel.
NA LINHA DO GOL
Meu querido amigo e excelente cronista esportivo Menon, em seu blog na UOL, conta que foi à Barra Funda só pra ver o trabalho de Jardine em seus primeiros passos. E saiu de lá com uma interrogação: será que os jogadores do São Paulo entenderão as premissas do novo treinador tricolor? E, ainda por cima, adverte que a linguagem usada por Jardine até que não era tão esotérica assim. O bicho só quer que seus jogadores tratem a bola com carinho e paciência antes de dar o bote final. Traduzindo: posse de bola, passes precisos, viradas de jogo propícias e ataque veloz no último terço do campo.
Será que isso é tão difícil de ser assimilado pelas cabecinhas mais ocas do mundo? O diabo é, antes de enfiar novas ideias na testa do jogador brasileiro, é preciso retirar todas essas camadas grosseiras que constituem o tal futebol de resultado, acumuladas nas mentes e ombros dos nossos rapazes desde seus primeiros chutes nas categorias de base nos últimos trinta anos.
Mas, se nem isso funcionar, que Jardine mande seus pupilos passarem horas diante da tv vendo o clássico City2, Liverpool 1. Um jogo desabrido sem ser descuidado, lá e cá, com chances criadas por ambos, bola na trave, chances claras defendidas pelos dois goleiros brasileiros em ação (Alisson e Ederson), enfim, um jogo de bola como manda o figurino eterno, desenhado por nós, diga-se, e apagado da nossa memória nos últimos tempos.
Tudo começa com os treinamentos que são feitos dede que o futebol existe, ninguém sabe por que, mas continuam fazendo. A coisa foi passada de treinador para atleta que vira treinador e segue o processo até hoje. No futebol não existe alguém especializado em treinamento de habilidades. O futebol é uma habilidade então pode ser ensinado e melhorado sim, sem treinamentos cansativos que só reforça o erro e não ensina nada. Já foi dito que fazer a mesma coisa e esperar um resultado diferente é loucura.
Outro dia ouvi que não se faz gols de falta por falta de tempo para treinar, digo e provo pra quem quiser que bater falta é simples e tudo que é necessário é aprender o caminho uma vez sabido o caminho suas changes de fazer o gol é de 70%. Depois de aprender não é necessário treinar mais, nosso cérebro faz as coisas no modulo automático, mas se o caminho não é conhecido pode treinar o resto da vida que não vai avançar só acerta quando erra por isso o % de acerto é irrisório.
Para aumentar a capacidade do drible é simples, ele foi desenvolvido por necessidade os jogadores negros não podiam tocar nos brancos que a falta era dele. O treinamento mais simples é fazer os jogadores brincar de “PEGA” encostou está fora esse simples exercício faz com que os atletas evitem serem tocados e aprendem muito rápido a driblar. Quando aos políticos tenho isso a dizer:
Todo mundo reclama dos políticos e dizem que são corruptos. Bem, de onde você pensa que vieram eles? Não caíram do céu com certeza…Eles vieram de pais brasileiros e famílias brasileiras, lares brasileiros, escolas brasileiras, igrejas brasileiras, negócios e universidades brasileiras e todos foram eleitos por cidadãos brasileiros. Isso é o melhor que temos, gente. Isso é o que temos de melhor a oferecer. Isso é o que o sistema produz: LIXO entra, LIXO sai. Se temos pessoas egoístas, ignorantes, nós vamos ter lideres egoísta, ignorantes… Bem, talvez, talvez, talvez, não são só os políticos que são corruptos. Talvez muitas outras coisas fedem por aqui…como o povo. Sim o povo é o retrato de seus lideres.
Alberto Helena Jr.
Enquanto cada dirigente quer de clube quer de Federação ou Confederação continuar a olhar para o seu próprio umbigo sem se importar com o negócio futebol como um todo, teremos aproveitadores, pilantras, interesseiros venais para não dizer desonestos mandando e desmandado no esporte e o jogando na lata de lixo da história, temos raríssimas exceções que deveriam tomar o esporte em suas mão, através de gestão séria para por ordem nesta bagunça antes que isso tome um rumo sem retorno para o fundo do poço. Saudações palmeirenses.
Acontece que um dos mais culpados pela baixa qualidade do nosso futebol é a imprensa, endeusam logo qualquer perna de pau que faz uma boa partida. Por exemplo, este Lucas Paquetá logo vai ser mandado de volta, um peladeiro exaltado pela crônica, não sei se por não entenderem de futebol ou se ganham alguma grana dos empresários. Outro, Luan do Grêmio, o “craque que não chuta forte, não sabe sabe cabecear, não sabe bater escanteio nem pênalti, não faz lançamentos, que craque é este?
Boa tarde Alberto, tudo bem?
Estou atrás de informação sobre um samba e a única referencia que encontrei na internet veio aqui do seu blog. Busco saber autoria ou qualquer outra lembrança que por acaso venha a ter sobre ele.
Se importaria em me dar essa luz?
é um que diz:
“Tô ficando velho
Mas não sinto cansaço
Também não me troco
por qualquer bacanaço
pois quando eu chego
na minha sociedade
as mulheres exclamam: chegou seu felicidade!”
Desde já obrigada e me desculpa por vir tratar de tema diferente ao de sua coluna, Espero que não se importe, é que estou tendo dificuldade mesmo. Abraço
Ô, Cecília minh’alma gêmea, pois também sou fã desse samba, e, apesar de ter sido um pesquisador tinhoso da música popular brasileira desde criança até mudar de campo, não consigo lembrar o autor ou autores de “Seu Felicidade”. Tenho vaga lembrança de que Luiz Barbosa foi seu primeiro intérprete, na década de 30, mas não posso assegurar. O certo é que esse samba foi gravado depois por dois sucessores dele – Joel de Almeida, o Magrinho Elétrico, em 1956, por aí, e Dilermando Pinheiro já nos anos 60. Digo que Joel e Dilermando, com os quais tive o prazer de conviver por uns tempos, eram sucessores de Luiz Barbosa porque tinham aquela voz velada com um leve traço de rouquidão, típico dos malandros cariocas da chamada Época de Ouro da nossa música. Assim como herdaram de Luiz o chapéu de palha servindo de instrumento de percussão.
Desculpe não poder ser mais preciso. E, se a amiga descobrir algo mais a respeito, me informe, por favor.
Um grande abraço
Queridíssimo! Obrigada pelas pistas preciosas.
Estou atrás desse mistério e te aviso caso eu saiba de algo.
Adorei as descrições, a atenção e o óbvio carinho por nosso patrimônio que é o samba!
Espero entrar em contato em breve com mais notícias.
obrigada, prazer!
Voltei mais rápido do que imaginei!!
Olha lá:
Vi que tem o áudio no acervo do IMS: Disco 78 rpm Título da música Seu felicidade Autoria
Almeida, Joel de, 1913-1993 (Compositor)
Correia, Laurindo (Compositor)
Santos, Mário Pretextado dos (Compositor)
Almeida, Joel de, 1913-1993 (Intérprete)
Sandoval, J (Compositor)
Popó (Compositor)
Joel (Intérprete)
Chapéu de Palha (Acompanhante)
Imprenta [S.l.]: Odeon, 1955.
Não disse que somos almas gêmeas? Pois acabei de achar no You Tube a gravação do Joel. Compositores: Jota Sandoval, Popó e Laurindo Correia. Nessa gravação é audível o chapéu de palha do Joel sendo batucado. Um milhão de beijos por vc estar assim empenhada em cultivar nosso mais autêntico samba. A propósito, se me permite, vou passar-lhe pelo e-mail o meu pra saber mais sobre seu trabalho (sei que é do ramo).
Beijos e abraços
BARBARO !!!! E’ O VERDADEIRO SAMBA. . ESTAMOS EM 5 BRASILEIROS OUVINDO. GRATISSIMO E
UM ABRACO.
uma alegria! me passe sim, assim mantemos contato.
Amei saber dessa historia do chapéu de palha.
achei interessante esse artigo aqui sobre o tema: http://www.renatovivacqua.com/a-agonia-do-chapeu-de-palha/
E que maravilha é Luiz Barbosa!? Eu não conhecia…
Que voz, que dinâmica…Uma aula!
Como uma simples pesquisa pode render tanta coisa boa, não é?!
Obrigada por tudo.
Beijos