
Estas vésperas de Natal têm o poder de despertar memórias da infância, aquelas sobretudo ligadas aos presentes trazidos pelo Papai Noel.
Já contei aqui como confirmei minhas suspeitas de que Noel não existia de fato ao surpreender meu velho retirando, na véspera do Natal, do porta-malas do seu Ford cinzento aquela engenhoca maravilhosa, uma grande novidade no final dos anos 40 – o pebolim, que nós passamos a chamar de pimbolim; afinal, o jogo era pimba no bolim.
Mas, não contei ainda sobre outra invenção surgida logo após, dois ou três Natais adiante. Nos anos 50, a moda era conferir um ar de mecânica avançada em todos os utensílios domésticos, e esta não fugiu à regra.
Tratava-se de um campo de futebol metálico, em cujo “gramado” desenhavam-se sulcos por onde deslizavam os jogadores movidos por um teclado instalado atrás de cada gol, teclas tipo máquina de escrever. O goleiro corria no sentido vertical diante da meta, e os jogadores, distribuídos num ortodoxo 2-3-5 tinha cada um o alcance limitado pela extensão curta dos trilhos.
Querem saber? Foi o brinquedo mais chato que ganhei na vida. Aqueles robozinhos não iam além da repetição mecanizada dos seus próprios limites de ação, inibindo a imaginação e o tesão dos jogadores. Moderno, mas chato.
Ao contrário do pebolim, em que, apesar das limitações dos bonequinhos enfiados nos respectivos cordões de madeira, podiam ser manipulados de formas mais inventivas. Trocavam passes uns para os outros, encenavam dribles, passando os pés por cima da bolinha de pingue-pongue, disparavam chutes enviesados, enfim, um jogo que exigia presteza, habilidade e percepção.
Nem tanto quanto o jogo de botões, de um tempo mais lento, contudo, sem limites para a imaginação.
Sim, porque a montagem de um time de botões à época começava no périplo pelos brechós e bazares onde estavam expostos botões de todas as formas e tamanhos, daqueles destinados aos sobretudos, paletós e camisas dos cavalheiros, aos inacreditáveis modelos femininos, dos manteaux aos vestidos que mudavam de estilo e formatos a cada estação.
Sim, claro, já existiam aqueles jogos de botões de plástico, com as cores e os distintivos dos clubes no centro. Mas, eram todos iguais na forma e no tamanho.
No entanto, os garimpados nos brechós tinham o figurino exato do que você queria pra seu time: os mais robustos e altos viravam zagueiros, os mais largos e achatados, médios ou volantes, enquanto os atacantes variavam de acordo com suas respectivas posições.
Além do mais, você poderia escolher a formação tática do seu time desde o início do jogo, fosse o 2-3-5 daqueles tempos, fosse o 3-4-3 (o WM) ou mesmo as retrancas já existentes esporadicamente entre os clubes pequenos dos campeonatos de futebol de campo verdadeiro.
O amigo já deve estar percebendo que fui cavar lá no túnel das reminiscências as similaridades entre os brinquedos manobrados pelos meninos de então e a realidade dos atual futebol jogado de fato nos gramados mundão afora.
Nos principais centros europeus brinca-se de um misto de pebolim e botões. No Brasil atual, o que prevalece é aquele joguinho insosso e repetitivo do campo metálico, com jogadores de ação limitada pelos seus próprios trilhos e acionadas por teclas de datilografia. E, que no Natal seguinte, já descansava na lata de lixo de casa.
VOTOS: Amigo Alberto, hoje quero apenas desejar voce e aos seus familiares um feliz Natal, com muita alegria.
Um grande abraco.
Eh! Helena você esqueceu ou pelo menos não sabia que além dos famosos botões de vestimentas que na sua maioria eram atacantes pois deslizavam mais fácil na mesa, havia também os botões de chifre de boi que eram torneados e os mais procurados. Os botões de chifre de boi só tinham, quem conseguia pagar um bom dinheiro para mandar torneá-los eram muito bonitos e multicoloridos. Além destes, existiam os botões de casca de coco seca lá no nordeste, que eram os mais baratos pois qualquer criança raspava a casca do coco nas calçadas até que o formato mais plano e redondo fosse obtido. Após isto, eram lixados e encerados com cera de carnaúba ou graxa de sapato. Ficavam muito bonitos e de várias tonalidades. Eu tinha meu próprio time, um mistura de chifre de boi, casca de coco e alguns de capas de chuva. Não sei se você recorda mais a bola que usávamos era feita de barbante colorido, trançado, e depois aparado cuidadosamente formando uma bolinha muita bonita e perfeita. Bons tempos.
Grande contribuição lúdica de ambos, do Mestre Helena e de VS. O que mostra que nenhum de nós jogava bola no tapete da sala da vovó. Cito o “tapetebol” pois sub-repticiamente já vão alguns clubes transformando os gramados de antigamente(que quando eram bem cuidados eram como tapetes, mas de grama de verdade) pelos tapetes das vovós onde só os almofadinhas praticavam o “tapetebol”.Clubes como o Athletico(100% tapete da vovó) e Corinthians(já incluindo plástico na composição do “quase” gramado). Em ambos os casos, modernos mas sabotadores do bom e velho ludopédio.
Abs
Quem conta é Vincent Kopany zagueiro do time da Bélgica que mandou o Brasil pra cucuia, num papo que teve com Thierry Henry assistente técnico da Bélgica pouco antes do jogo contra a seleção. Leiam.
“Eu disse a ele que o Brasil se defendia exatamente da mesma maneira que o Manchester City. Eu havia visto o treinador da seleção brasileira [Tite] no centro de treinamento do City. Eles [seleção brasileira] copiaram tudo que o City fazia. Então, eu conhecia as debilidades do sistema”, complementou.
Kompany diz que a análise das imagens da partida comprovam sua história.
Assim é fácil ser treinador. Copiar.Não dá trabalho é só grava um vídeo e todos ficam felizes. Não ganhasse R$ 800.000,00 para treinar o time até que seria admissível. Tá explicado o por que de tantas viagens à Europa. Copiar os outros. Esse é o nosso treinador. Um copiador de esquemas de jogo. E aqui a mídia o chama de “professor”