Um passeio pela 25 de Março da bola

Foto: YEMELI ORTEGA/AFP

Nestas vésperas de Natal e Fim de Ano, convido o amigo a dar umas voltas pela 25 de Março do nosso futebol, mesmo porque não ousaria estender o convite em direção à Oscar Freire, pois esta nobre vitrine da cidade está fora do percurso de nosso endividados clubes. Mesmo porque é na 25 de Março que a maioria dos passantes compra só pra revender em seguida, visando um lucro, embora mínimo.

Sim, porque nossos clubes, quando não negociam antecipadamente suas promessas, buscam no escasso mercado os jogadores que possam lhe conferir, em breve, uns caraminguás divididos sabe-se lá em quantas fatias.

Pegue-se o caso de Pablo, no qual o Tricolor investiu uma pequena fortuna pra resolver um dos problemas crônicos da equipe que Carneiro e Trellez (quanto custaram os dois juntos?) nem chegaram perto de solucionar.

Ligo a tv e lá vem um dos tantos jovens sisudos da nossa crônica esportiva botando uma pedrinha na chuteira da contratação: “É, mas que retorno terá o São Paulo com um jogador já com 26 anos de idade?” Obviamente, o rapaz se referia à impossibilidade de o mercado europeu se interessar no futuro por um jogador brasileiro de 26 anos de idade. Isso é fato. Mas, e o retorno em campo que o atacante pode propiciar ao clube? Se jogar no Morumbi o que jogava no Furacão, por certo elevará o nível de seu novo clube, consequentemente, aumentará as receitas etc.

Não, claro, Pablo não é nenhum fenômeno do futebol. Mas, é um atacante de grande movimentação, técnica apurada, de bom passe e finalização precisa, atributos que, por aqui, rareiam.

É, como eles gostam de dizer – um centroavante moderno, pois não se limita a ficar plantado lá na área, esquecendo-se que era esse o perfil de Friedenreich, nosso primeiro ídolo nacional lá nas primeiras décadas do século passado, segundo narra a história. E era assim que jogavam os grandes centroavantes brasileiros, de Leônidas da Silva a Romário, passando por Ademir de Menezes, Pagão, Servílio de Jesus, o filho do Bailarino, Careca, Ronaldo Fenômeno etc.

É assim que jogam tanto Gabriel Jesus quanto Firmino, os centroavantes que têm ocupado esse setor na Seleção de Tite.

Nándor Hidegkuti

Por falar em Tite, outro dia, na gravação do Mesa Redonda do Flavinho que ainda irá ao ar, esse tema foi levantado e percebi um certo ar de vazio contido no olhar do nosso treinador quando me referi a Hidegkuti, centroavante da célebre Seleção Húngara de 1954.

Claro, poucos sabem – e duvido que ensinem essas coisas nas tais aulas para treinadores da CBF- que Hidegkuti

era um Camisa 9 que recuava para armar as jogadas em profundidade dos seus meias goleadores Kocsis e Puskas, chegando também à área, com suas passadas largas.

O mesmo se dava com o mítico Alfredo Di Stefano no ataque do fabuloso Real dos anos 50/60. Razão, aliás, do boicote sofrido lá pelo nosso magnífico Didi, o Príncipe Etíope de Rancho de Carnaval, como Nelson Rodrigues batizou um dos três maiores meias-armadores de nossa história. É que Didi ocupava justamente essa posição de armador exercida por Di Stefano. Daí o conflito.

Bem, voltemos desses devaneios históricos para o burburinho da 25 de Março.

E o que encontramos na primeira esquina? Sornoza envergando orgulhoso a camisa do Timão. Embora não tivesse uma participação mais constante e em alto nível no Flu, é um meia que me parece se ajustar aos padrões de Carille, capaz de dar um toque especial no meio de campo de um time que padece disso desde a saída de Rodriguinho.

Mais adiante, na fachada de uma loja de penhores, topo com um cartaz anunciando o interesse de Sampaoli, agora no Peixe, por Gigliotti. Pra quem teve até outro dia Ricardo Oliveira e Gabigol, hummm…

Durante todo o trajeto, vejo Alexandre Mattos num azáfama, entrando de loja em loja e saindo com pacotes de formatos imprecisos. O que ele está fazendo aqui? Normalmente, vai às compras no Shopping Iguatemi, escoltado por Dona Leila, a Dama de Verde, que abre e fecha sua bolsa de grife, sem fundo.

Desconfio que sejam compras modestas só pra compor ainda mais o já bem abastecido elenco verde, enquanto aguarda o bote  milionário sobre Ricardo Goulart.

Enfim, esse passeio pela 25 de Março está longe de terminar, e o resultado de tudo isso só virá a partir do ano que vem.

 

 

2 comentários

  1. Alberto Helena Jr.

    Acho na minha humilde opinião que nem na 25 de março a maioria dos chamados “gigantes” brasileiros hoje teriam condições nem de transitar ou seriam aqueles que ficam na calçada babando na calçada da entrada das lojas sonhando em comprar o que está exposto nas vitrines, a coisa tem que ser na base da troca, do cartão de crédito e bota crédito nisso porque senão não sai negócio, estão todos mais quebrados que arroz de 3ª, geridos de forma amadoristica e até venal, com dirigentes corruptos e inescrupulosos que só enxergam o seu próprio umbigo e dane-se o clube, com dívidas altíssimas impagáveis, como exemplo do que estou dizendo veja o escandalo no Internacional de Porto Alegre, o futebol virou se jogar uma lona circo e se passar uma grade hospício…o que não pode é quem tramita no meio esportivo ficar batendo bumbo para louco dançar. Saudações palmeirenses.

  2. Gostaria de fazer este comentário no Blog do Chico Lang, porém, como ele se modernizou e só tem acesso quem é seguidor de Mark Zuckemberg, prefiro continuar sendo seguidor de Alberto Helena. Bem, o Chico lang fala sobre um papo que teve recentemente com Tite. Dois pontos muito interessantes ele tratou com o treinador derrotado pela Bélgica nas quartas de finais da copa num jogo em que parecia perdido ou anestesiado à beira do gramado vendo Casemiro e Paulinho enterrar o time. No primeiro, que ele chama de Martelada 1, discutiram sobre a queda de qualidade do futebol brasileiro que ele atribui a incapacidade do nosso jogador de se adaptar à velocidade atual. Em outras palavras Tite diz claramente que jogador no Brasil só sabe jogar desmarcado e com o jogo em banho maria. Ouvir isso de um cara que se diz treinador da seleção é uma heresia. Isso que ele falou equivale a dizer que jogador da NBA não sabe jogar com marcação homem a homem. Tremenda asneira. Chico Lang você certamente não teve tempo de perguntar a ele como é que ele quer fazer um time veloz com Casemiro, Fernandinho e Paulinho no centro de inteligência do time que é o meio de campo. O segundo ponto ou Martelada 2 como fala o Chico, eles se surpreendem com o erro de passes dos jogadores no Brasil. Chico se surpreender é uma coisa lógica e natural, afinal não é ele o técnico, não é ele quem viaja o mundo todo e o Brasil observando centenas de jogadores para no fim convocar o mesmo trio acima, titularíssimos da seleção cujo passe em se tratando de jogadores de meio de campo é uma vergonha. Resumindo, essas conclusões a que Tite chegou mostram o quanto esse moço está perdido e totalmente desinformado a respeito do nosso futebol. Tite deveria ter coragem de dizer que antes do craque vem o QI. E não se trata aqui, claro, de quociente de inteligência mais de quem indica. Chico tocou em dois pontos importantes e ouviu do treinador da seleção no final das contas que o nosso futebol acabou pois não existem mais jogadores para formar a seleção. Inacreditável.

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