Ganhamos, mas…

Foto: Adrian DENNIS/AFP

A tarde acinzentou, um ventinho frio passou a soprar sobre minha caverna do Grão Ducado de Ibiúna e na telinha rolava um irresistível convite ao sono, com Brasil e Uruguai, em Londres, tocando a bola pra trás e cometendo faltas, uma atrás da outra.

E assim transcorreu todo o primeiro tempo, quando o Brasil só deu um chute a gol, com Neymar, e o Uruguai, dois, com Luisito Suárez e Cavani, ambos defendidos por Alisson.

Claro: com esse meio de campo composto por três volantes (Renato Augusto muito mal, diga-se), sem nenhuma gota de criatividade, nosso time não poderia almejar mais do que isso diante da histórica retranca uruguaia, mesmo desfalcada de seu principal zagueiro – Godin.

Já na etapa final, o jogo ganhou um ânimo maior, com os celestes atacando desde o início naquela falta cobrada por Suárez no canto, salva por elástica defesa de Alisson.

Eis que, Tite resolveu se mexer e trocar dois jogadores, em sucessão, a partir dos 14 minutos: Renato Augusto pelo estreante Alan e, pouco depois, Richarlison no lugar de Douglas Costa, até então muito longe do agitado futebol de sempre.

Bem que podia ter sacado Wallace para a entrada de Rafinha, um meia que arma e chega, de jogo mais refinado. Mas, e o medo, meu?

De qualquer forma, o time melhorou, Neymar deu chute um perigoso, desviado pelo goleiro, aos 19, e Danilo, aos 21, sofreu pênalti. Neymar marcou, e, na sequência, deu um precioso lançamento para Richarlison que, por pouco, não fatura o segundo.

Enfim, o Brasil venceu, revelando, porém, que não avança na construção de um novo time e de uma dinâmica de jogo mais adequada às necessidades de uma equipe que se pretenda ocupar a ponta das referências.

NA LINHA DO GOL

Uma curiosa revelação me fez, anos atrás, o querido cartunista gaúcho, Aldyr Schlee, autor do modelo atual da camisa da Seleção, criado em 1953, ao vencer concurso promovido pelo jornal carioca Correio da Manhã e que nos deixou na quinta-feira. Às tardes de domingo, sobretudo em dia de clássico Nacional e Peñarol, Aldyr convidava a esposa a um passeio singular. Atravessavam a fronteira em direção ao Estádio Nacional de Montevidéu, mas não pra ver o jogo. Simplesmente curtiam as duas horas da partida passeando em torno do estádio, só pra ouvir o rumor que exalava das arquibancadas. Pra ele, tinha o som de um coral de anjos. O desenhista que preferia ouvir em vez de ver.

5 comentários

  1. Alberto Helena Jr.

    Não errei em meu comentário sobre a sua seriedade em respeito ao publico torcedor brasileiro e dignificando a combalida crônica esportiva brasileira ao ter que aturar por dever de profissão aquele catado da Nike, patrociinadora que impõe ao banana subserviente Tite, e que chamamos desavisadamente de seleção brasileira de futebol, porém como disse a idilica Ibiuna atenua esse amargo encargo de ver o Brasil jogar contra ninguém, um bando de galinhas mortas até agora, quero ver a hora da coisa pegar para valer. Saudações palmeirenses.

  2. Creio que estamos mal. Cadê o padrão de jogo tão alardeado antes? Desde quando Wallace é jogador para seleção? Tite tem que esquecer a Copa e os jogadores (boa parte) que lá estiveram e buscar sangue novo, esquema novo e variável, conforme a situação de momento no jogo. Jogador, hoje, não tem posição no ataque. Quanto mais se movimentar, melhor. Para isso, tem que estar com apuro físico e muita vontade. Creio que já passou a época de Paulinho (Allan está aí), Renato Augusto (Arthur chegou), encontrar bom lateral direito (há), um 10 que organize o time. Uruguai tem garra. Cavani jogou pela direita, voltava e recompunha o meio, e, velozmente, chegava ao ataque. Nosso time deu sono no primeiro tempo e só melhorou com entrada de Allan e Richarlyson, que impuseram velocidade, saindo da apatia. Mas, alguns ainda não entraram no ritmo e não acompanharam a evolução. Parar com esse monte de brucutu no meio campo. Tite, acorda.

    1. Alberto Helena Jr.

      Concordo com tudo que o internauta Wilson Paganelli comentou e acrescento que o Tite só acorda se a Nike mandar ele acordar. Saudações palmeirenses.

  3. Esqueçam seleção bem treinada e que nos dê esperanças com Tite. Se ele ficar 10 anos treinando esse time, nada de novo, nada de diferente veremos meus amigos. O que Tite tem a nos brindar é isso ai e tamos conversados.Vimos algo diferente depois que ele ficou 3 anos no cargo? Vimos sim, ele ficou milionário.

  4. Os times do Tite são assim. Privilegia e esquema “pebolim” sem movimentação (liberdade de posicionamento e movimento) do meio e ataque. O time é muito bem treinado nestas ” posições”. Não espere muita variação em termos de movimentação do meio e ataque.
    Pense o seguinte: se o jogo tão falado por ele das triangulações nas laterais ocorrem e porque não se tem um meio de campo decente onde o camisa 10 coloque a bola debaixo da chuteira e organize o jogo; se vc pede pros atacantes ajudarem na marcação os laterais quer dizer que hj nossos laterais são tão fracos na marcação que precisam do atacante marcar, apoiar o ataque e cruzar muito menos;
    Tite gosta de fazer o que treina em jogo. Se ocorrer uma situação igual ao jogo contra a Bélgica não “sabe” o que fazer.
    Ele demora pra fazer a leitura do jogo mesmo com 50 auxiliares. Neste jogo percebe-se que ele “morreu” com suas convicções (jogadores de ” confiança” -mesmo erro do Corinthians de 2012/2013, bancou seus ” jogadores” e foi demitido) assim como Zagalo; parreira; não admitindo mudar jogador ou posicionamento conforme o adversário. A tal “mística” soberba de nosso futebol-“nós jogamos assim,os adversários que se adaptem”.
    Pra começar,se o Tite fosse um cara realmente interessado em evoluir a seleção nem convocaria Neymar; tá pensando em garantir o “dele” no final do mês. Treinaria essa seleção pra se virar sem ele. Falar que ele é craque pode até ser dentro de uma mediocridade dessa geração. Eu me lembro muito bem do futebol de 82 pra cá, posso não entender de treinamento ou fundamentos mas acho que o futebol pra quem sabe de verdade é bem simples como uma pelada de rua.
    Quando reconhecermos que não temos craques e somente jogadores medianos, talvez comecemos a tirar jogadores do terrão e não do sintético com ar condicionado.

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