Porrete, em vez de cirurgia

Foto: Vitor Silva/SSPress

Leio no blog do Marcel Rizzo, na UOL, que a CBF cogita limitar o número de jogadores inscritos pelos clubes que participarão do próximo Brasileirão. Isso, pra evitar essa prática recorrente nos últimos tempos de os participantes de torneios paralelos escalarem times mistos ou reservas no Brasileirão.

É a história do marido traído que troca o sofá da sala, típico do brasileiro que combina nas altas esferas a politicalha com a estupidez em doses exatas. Não se vai à origem do problema, a causa, mas, sim, ao efeito. E o recurso, nesses casos, é sempre proibir algo, criar barreiras de proteção, essas providências tipicamente autoritárias e cretinas, que não resolvem o problema, mas, somente, servem para ampliá-lo.

Qualquer idiota sabe que o entrave dos grandes clubes brasileiros, sobretudo, é o excesso de torneios importantes encaixados à força num calendário irracional e improdutivo, o que obriga os clubes a recorrerem com frequência a suas equipes mistas ou reservas em campeonatos como o Brasileirão, o mais extenso de todos.

A primeira solução imediata, inadiável, é suprimir os campeonatos estaduais nos principais centros futebolísticos do país, esse anacronismo que sobrevive como único suporte para o respiro dessas inúteis federações estaduais que drenam dinheiro dos clubes e nada lhes dão de retorno. Ou, no máximo, limitar esses torneios a um mata-mata com a duração de, no máximo, um mês. Assim, seriam abertas as datas necessárias para que os clubes pudessem disputar as demais competições sempre que possível com sua força máxima.

Se a CBF deseja melhorar o nível dos espetáculos do Brasileirão, pode isso, sim, estimular os clubes a investirem num jogo mais sedutor, ofensivo, esses atributos que atraem mais torcedores aos estádios e diante da tv, o que, por sua parte, representa melhores contratos com a tv e assim vai, num círculo virtuoso. Que a CBF premie o time que, ao longo do Brasileirão, alcance a média de três gols por partida, por exemplo. Um prêmio gigantesco, que seja tão cobiçoso a ponto de quebrar essa murrinha em que vivem nossos gramados. Afinal, o gol é o objetivo do jogo, não o anti gol.

Neste meio semana temos jogos por dois ou três certames importantes, e, na véspera, o torcedor não sabe se o seu time vai a campo com reservas ou titulares.

Imagine o amigo como seria esse Grêmio e Flamengo, os dois times que apresentam o futebol mais agradável do Brasil na atualidade se ambos entrassem em campo com sua força máxima, bem treinados, descansados, na ponta dos cascos. Mas, sabe-se lá o que será, desde que ambos estão divididos em várias disputas, cujos fronts estão logo ali, no dobrar da esquina.

Aliás, é justamente essa questão que abre frente no Brasileirão pra times que praticamente se restrinjam a essa competição. Isto é: aqueles que não tiveram potência pra atingir os níveis de várias competições (Copa do Brasil, Sul-Americana e Libertadores) são os que mais chances têm no Brasileirão, onde podem concentrar todas as suas forças. Times que praticam um futebol simplesmente pragmáticos, sem brilho nem sedução.

Foi o caso do Corinthians no ano passado e está sendo o São Paulo, atual líder.

Com essa eventual limitação de inscritos no próximo Brasileirão, fecham-se ainda mais as portas para o lançamentos de jovens valores no futebol brasileiro, já tão inchado de legiões de gringos de qualidade, no mínimo, discutível. Jovens que partem imberbes para a Europa, onde irão enriquecer o jogo deles lá, sem falar nos clubes intermediários nessas negociações (e, claro, os agentes e os cartolas brasileiros envolvidos nessa história triste).

Como sempre nestes tristes trópicos, o porrete toma o lugar da cirurgia.

 

5 comentários

  1. Só uma correção mestre, a limitação de inscritos permite que jogadores sub 20 sejam usados sem limite. Apenas limitaria que muitos jogadores fossem contratados.

    Fora isso concordo com a maioria do que disse. Até gosto da ideia de limite de inscritos, mas ñ é a solução para o problema do calendário.

  2. Alberto Helena Jr.

    Foste meu amigo com o dedo a fundo na ferida, com a unha cor cortar, e lá no fundo fizeste um rodopio na carne viva da corrupção, amadorismo, conchavos e lousa e cousa e maripousa, acertou em cheio meu amigo que a principal culpada desse calendário esculhambado que nós temos no Brasil para o futebol está na incompetência completa da C.B.F. com a conivência de plantão daqueles clubes devedores da instituição através daqueles “empréstimos” que todos nós conhecemos para salvar clubes mediocres e amadores em termos de gestão só citando dois o lambari da baixada santista e o pangaré itaquerense da Vila Carmosina,falidos que estão. Um reajuste ou ajustamento de calendário dos campeonatos estaduais para que não batam de frente com competições internacionais, tipo libertadores e sulamericana, para os principais clubes do país obrigando-os por exemplo só entrar nas oitava de final dos campeonatos estaduais seria uma solução na minha humilde opinão. Saudações palmeirenses.

  3. Com esses bandidos candidatos a presidente, com o fascismo ululando pela Orbe,o que esperar dessa quadrilha mantenedora do status quo? Essa mentalidade tacanha só tem objetivos obscuros, só mantém a mesma bandidagem no poder. E os clubes quando podem enfiam os rabos entre as pernas. Vejam o estadio que custaria 400 milhões e já vai para 1,3 bilhões do nosso suado imposto. Ainda ontem vi um video em que aquele que como jogador foi bestial e como participante do COL foi uma BESTA, dizendo que não se precisavam de hospitais pois copa se faz com estádios. Caro Mestre, o ludopédio não é uma ilha de corrupção num oceano de honestidade. 7 a 1 foi pouco e mesmo assim de nada adiantou. Os idiotas da objetividade alegam que o capitãozinho de grava vai corrigir tudo. Vos credes Mestre?

  4. Como sempre a lucidez do Alberto Helena Jr. Pobre futebol brasileiro. CBF e Federações são os grandes culpados, já que são entidades capitaneadas por cartolas corruptos eleitos em processos falaciosos.

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