
Outro dia, o São Paulo inaugurou seu Caminho dos Ídolos, inspirado obviamente na Calçada da Fama, em frente ao Teatro Chinês, na mítica Hollywood.
Tenho a impressão de que a iniciativa foi apressada pra aproveitar o bom momento do time tricolor, e a turma não fez a devida reflexão a respeito, embora seja uma iniciativa louvável. Afinal o futebol vive de suas memórias e idolatrias.
Digo isso espiando a relação dos noventa e nove jogadores ali homenageados como ídolos do Clube da Fé. E lá estão, por exemplo, o volante Vizzoli e o beque Edcarlos. Cá entre nós, foram jogadores importantes, em determinados momentos, mas nunca, jamais, em tempo algum, como diria Noel, ídolos do São Paulo.
No entanto, não vi ali o nome de Waldemar de Brito, irmão de Petronilho, o inventor da bicicleta, descobridor de Pelé que era paixão do saudoso radialista e jornalista Raul Duarte, o emissário de Paulo Machado de Carvalho, diretor de futebol do Tricolor, para trazer a São Paulo o maior ícone do futebol daquela época, Leônidas da Silva, que foi carregado nos ombros da torcida da Estação Roosevelt, no Brás, até a sede do clube no centro da cidade.
Ídolo, essa é a palavrinha mágica. Embora plena de clube brasileiro, poucos foram realmente ídolos, aqueles craques diante dos quais a torcida se ajoelhava e o reverenciava em preces, saudando os êxitos e perdoando os erros.
Nos primeiros cinco anos da década 30, quando o São Paulo foi fundado colhendo a herança sagrada do Paulistano, e que foram durante décadas exorcizadas da história do clube por idiossincrasias dos chamados cardeais (ô, Zaidan, diz aí pro Cabeção que o São Paulo Athletic, do Charles Miller, nada tem remotamente a ver com o São Paulo). os ídolos tricolores foram Friedenreich, Arakén, Zarzur, Waldemar de Brito e Luisinho, o Dr Luís Mesquita de Oliveira, que carregou a idolatria anos 40 avante, e o goleiro King.Na década seguinte, Renganeschi, a linha média Bauer, Rui e Noronha, Lêonidas, Remo, Sastre e Teixeirinha.
Nos anos 50, Poy, De Sordi e Mauro, o célebre Trio Final, Alfredo Ramos, Dino Sani,, Maurinho, Zizinho, Gino e, sobretudo, Canhoteiro.
Nos amargos anos 60 da construção do Morumbi:, os ídolos se resumiram a três: Roberto Dias, Jurandir e Benê, um extraordinário meio-campista vindo do Guarani.
Na década de 70, Forlan, Gérson, Toninho Guerreiro, Pedro Rocha, Waldir Perez, Serginho Chulapa, Zé Sérgio, que cederam seus lugares nos 80 para Careca, Muller e Silas, antecessores de Raí, Palhinha e Cafu nos anos 90.
No século 21, hummm…, fica difícil, pois Kaká e Denílson, por exemplo, eram mais hostilizados do que reverenciados pela torcida. Kaká era chamado pela galera de pipoqueiro e Denílson, já na era do PCC, merecia o epíteto de firuleiro. Kaká, porém, ganhou a fama de ídolo na sua rápida volta ao Tricolor.
Um, porém, vale por todos: Rogério Ceni, o Mito.
Mas, enfim, assim é a vida dos ídolos, celebrados ou caídos.
O certo é que, além dos ídolos, o caminho dos craques que vestiram a camisa tricolor ao longo da sua história chega às estrelas, embora se esvaia da memória dos torcedores e cartolas.
Como assim no século 21, hummm ??? Inperdoavel esquecer de Rogerio Ceni, o MITO!
Imperdoável! Ceni estava na minha cabeça desde sempre. Na hora de escrever, esqueci, certo de que havia citado o mito.
Perdão.
Uma honra ter meu comentario respondido. Te admiro desde que comecei a ler seu blog no IG. Quem sabe esse ano (com os pés no chão) meu tricolor me da algumas alegrias.,