Tricolor, novamente vice

Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net

E o São Paulo, ao bater o Furacão, lá, por 1 a 0, gol de pênalti cobrado por Nenê, voltou à vice-liderança do Brasileirão. Esse é bem o reflexo do futebol que se pratica hoje em dia nos nossos campos.

Pois, se alguém chegasse diante da tv vindo de um refúgio de anos no Tibete, não saberia diferenciar o vice-líder do vice-lanterna, pelo andar da bola.

Ambos se equilibraram ao longo de toda a partida, sobretudo na soma de erros e na escassez de oportunidades reais de gol. Um chute de Pablo aqui, que Sidão defendeu, um disparo de Everton ali, que Santos conjurou, um cabeceio de Diego Souza salvo pelo goleiro, e vamos parando por aí.

Até o gol tricolor foi fruto de um erro palmar da defesa: aos 14 minutos do segundo tempo, Santos tentou sair jogando com Bruno Guimarães, dentro de sua própria área; Bruno de engasgou com um adversário e a bola sobrou pra Everton que foi empurrado pelas costas por Camacho. Nenê bateu e a bola passou por dentro do goleiro, lance fantasmagórico.

De resto era a torcida do CAP vaiando Fernando Diniz e o time, o que só serviu para enervar ainda mais seus jogadores, tirando-lhes qualquer chance de reação consciente.

Disso não soube se aproveitar o São Paulo, que seguia mais preocupado em se defender do que em atacar e matar o jogo.

Por exemplo: o Tricolor já entrou em campo com Araruna, um volante de muito empenho e pouca técnica, pra servir de escudo a Militão, na lateral-direita, com a clara intenção de inibir ou bloquear os avanços óbvios do ala Carletto.

Fosse o técnico do São Paulo um outro, de tempos passados, esfregaria as mãos diante dessa situação previsível e colocaria um ponta-direita veloz, tipo Paulinho Bóia, justamente para explorar às costas de Carletto o buraco que o avança do paranaense ofereceria de graça.

Mas, a lei é evitar, não arriscar, e assim o Tricolor se conteve e colheu o resultado ao fim de tudo.

 

6 comentários

  1. Palmeiras e gremio fizeram belo jogo, flamengo e fluminense tambem, cruzeiiro tem belo time, entao pra que só criticar nosso futebol, vcs da midia tem de criticar essas negociaçoes absurdas que tiram nossos jogadores todo ano de nosso futebol e como exigir e criticar a qualidade de nosso futebol?? Se nao podemos ter o que é nosso, tudo de bom mandam pra fora e vcs da midia sao os prineiros a fazerem festa por dar noticia de jogador negociado, ah vao plantar batatas!!! Nunca teremos mais bom futebol por aqui, pois jogadores temos , mas nao podemos mante-los jogando no Brasil

    1. Ô, meu Ca(r)los amigo:

      Vc citou aí dois ou três bons jogos num mar de bagulhos. Assim como admite no final de sua mensagem que, desse jeito, nunca voltaremos a ter um bom futebol por aqui. Logo, não o temos, o que justifica minhas críticas recorrentes. E não é só porque perdemos jovens talentos para o exterior dia sim, outro também. É porque vivemos – tanto nos campos de futebol como nas ruas – sob a síndrome do medo. Medo de jogar, medo de morrer. O medo embota a mente, encolher o indivíduo e arrecua os arfos, meu.
      Um abraço

      1. Caro, Alberto Helena Jr, nosso futebol não anda apenas mal de jogadores não, estamos muito mal de dirigentes e principalmente de jornalistas e comentaristas, que acham que futebol é apenas escalação de times.. Porque não começar a questionar falta de responsabilidade de diretores, federações, cotas de tv, falta profissionalismo, presidente de comissão de árbitros em campo com celular na mão.. O mal futebol é também reflexo de uma mídia desportiva paupérrima. Jornalistas que não passariam em um exame de Enem.

  2. Concordo com o texto, Helena. Perder jovens talentos para o exterior não justifica a falta de qualidade no nosso futebol, muito menos o medo de atacar. Acredito que isso está mais ligado ao medo de perder o resultado e futuramente o emprego como treinador, devido a pressão de resultados imediatos que existe no futebol brasileiro, principalmente.

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