Civilidade, Juve e Tricolor

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

O sábado amanheceu na telinha com uma comovente celebração à paixão civilizada. O estádio do Colônia lotado, pintado de vermelho e branco, e sua torcida vibrando nas arquibancadas, cantando, sorrindo, louvando o time de sua preferência. E daí? Daí que o Colônia selava sua queda pra segunda divisão do campeonato alemão, justamente diante do hexa campeão Bayern de Munique, que acabou vencendo por 3 a 1, de virada, embora com uma equipe mista.

Um dia chegaremos lá. Chegaremos? Daqui a algumas gerações, caso surja um governante lúcido que invista pra valer na educação.

A seguir, foi a vez da Juve, diante do Bologna, tentar seu hepta.

Mas, sem Chiellini, machucado, Massimiliano Allegri resolveu escalar seu time com três zagueiros, numa formação em que o lateral-esquerdo Alex Sandro, escudado por Asamoha, atuava como verdadeiro ponta. E Douglas Costa no banco. Pode?

Alex, ótimo lateral-esquerda, é um ponta mais ou menos, enquanto Douglas Costa é um ponta excepcional.

Pois bem, no intervalo, quando perdia por 1 a 0, gol de pênalti que levou uma eternidade para os árbitros de vídeo decidirem a questão (fico imaginando a italianada discutindo lá no reservado do VAR, atravessando o Atlântico a nado, ida e volta), Douglas Costa foi finalmente escalado. Ah, mas não no lugar de um dos beques, não. Mas, sim, no do meia Matuidi.

Vá lá. Pois, de qualquer forma, Douglas Costa incendiou o ataque da Juve e logo, logo, veio o empate, com gol contra. E, espie só esse cruzamento de Douglas Costa que colheu Khedira sozinho diante das redes bolonhesas: 2 a 1.!

E, não passou muito tempo, eis novamente Douglas Costa se livrando do marcador e rolando para Dybala fazer o terceiro da Vecchia Signora.

A Juve, que havia sofrido durante todo o primeiro tempo pra romper a retranca bolonhesa, em menos de meia hora do segundo flanava no placar, graças ao pontinha brasileiro.

Cá entre nós, um técnico que deixa Douglas Costa no banco num jogo como esse, substituindo-o por um lateral, merece uma surra de toalha molhada como aquela dada pela primeira dama de Alagoas no seu marido anos atrás.

Bem, em seguida, no cair da tarde, é a vez do crepuscular São Paulo entrar em campo.

Crepuscular não apenas porque vive à sombra da cena central do futebol brasileiro há anos, mas, sobretudo, por se esconder de todos, inclusive dos jogadores. É o que revela o providencial texto dos companheiros Tiago Salazar e Vítor Ligero, aqui nesta Gazeta Esportiva, em entrevista com Bruno Alves: Diego Aguirre, adepto de mudanças constantes tanto no esquema quanto na escalação do time, não se limita a esconder da imprensa esses itens fundamentais; vai além – não os revela nem mesmo aos seus jogadores, a não ser na hora do jogo.

Mistério, eis o seu segredo.

Mistério desvelado quando a equipe entrou em campo com três zagueiros típicos, mais dois volantes de ofício, além dos dois laterais de praxe. Sete defensores e apenas três para armar e atacar, com o meia Diego Souza de centroavante.

Resultado: só nos primeiros vinte minutos de bola rolando, o Galo já tinha 68 por cento de posse de bola e havia criado duas boas chances de gol.

Eis, porém, que, aos 24, num raro ataque tricolor, Régis levanta pra área, Diego disputa de cabeça e a bola sobra pra Everton, que havia perdido uma boa chance bem antes, desta vez, fuzilar Vítor: 1 a 0.

O gol reduziu o ímpeto atleticano e o primeiro tempo escorreu sem maiores novidades.

No segundo, o Tricolor desfaz o malfeito e volta com um atacante, Marcos Guilherme, no lugar de um zagueiro, Bruno Alves. E o jogo fica igual pra ambos, apesar das substituições subsequentes dos dois lados.

Por pouco tempo. Pois, logo o São Paulo se encolheu e o Galo chegou lá, aos 26 minutos, com Roger Guedes:, em trama bem trançada pelo seu ataque: 1 a 1.

E, aos 33, o mesmo Roger Guedes cavou um escanteio que ele mesmo cobrou pra Ricardo Oliveira desempatar de cabeça.

Nesse momento, Cueva entrava no lugar de Hudson, o que conferiu ao Tricolor o necessário equilíbrio ofensivo pra chegar logo em seguida ao empate: Cueva enfiou boa bola pra Diego Souza que fulminou como autêntico centroavante.

A partir daí, o jogo que antes do segundo gol atleticano flertava com o lugar-comum, acendeu-se e, até o final, foi uma expectativa só, lá e cá.

Pergunto: será que é tão difícil para o treinador tricolor perceber que o esquema e a formação final – mesmo trocando este por aquele da mesma característica – é o mais adequado para o São Paulo sair da caixa onde sufoca há tanto tempo?

 

 

3 comentários

  1. Do jeito que a coisa anda logo logo o futebol brasileiro será apenas uma página virada ou até perdida na história do futebol. É impressionante como só se fala no futebol europeu. Antes você entrava num boteco desses ai da vida em qualquer lugar do país e o assunto era Botafogo, Flamengo, Palmeiras, Santos, Corinthians, Cruzeiro, Internacional. Hoje só se fala em Barcelona, MU, Real Madrid. Antes falávamos de Rivelino, Zico, Falcão, Rivaldo, Pelé, Garrincha, Roberto Dinamite. Hoje só se fala de Mané, Salah. Até os índios lá pras bandas do amazônia usam com orgulho a camisa do Barcelona. A salvação do futebol brasileiro ironicamente poderá passar pela falência da CBF e da Globo e seus principais patrocinadores. A boa notícia é que no balanço de 2017 a casa bandida do futebol teve um prejuízo de 15%. Ótimo sinal. Quem sabe os tempos dos campinhos de terra batida, da várzea, da bolinha de meia não venha por ai a galope? Quem sabe esses batalhões de jornalistas enganadores desapareçam e dêem lugar a gente competente que entende de realmente de futebol? Quem sabe se logo logo não teremos novos Zicos, Rivelinos, Pelés e vão-se os Neymares?

  2. Sobre o Tricolor Paulista, este ano será mais um daqueles para ficar entre rebaixar e se manter, vencer será muito difícil. Penso que o Aguirre não é o técnico ideal para o time, o ideal será um Luxemburgo da vida, com um bom preparador físico.

  3. O time não acerta mais de quatro passes sem errar… Dá lhe zagueiro e volante… Contra quem é o próximo empate?

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