O quase milagre na Cidade Santa

Foto: AFP

Êta joguinho doido esse, sô!, exclamaria o mineirinho diante da tv.

Sob as bênçãos do Papa, em plena Cidade Santa, a Roma partiu em busca de mais um milagres, parecido com aquele que havia obtido diante do Barça, outro dia. E partiu com tudo sobre o Liverpool, que respondeu com um contragolpe mortal logo aos 9 minutos: Firmino intercepta passe errado de Nainggolan e serve Mané de bandeja – 1 a 0.

Mas, logo em seguida, se dá o sinal dos céus, quando Lovren rebate bola que repica na cabeça de Milner e eis o jogo empatado.

Sinal que tremeluziu aos 25 minutos quando Wijnaldum, aproveitando rebatida errada da defesa romanista, de cabeça, desempatou.

Nem assim a Roma deixou de ter fé, e, no segundo tempo, disparou a goleada que o deixou às portas do Paraíso da decisão da Liga dos Campeões, com gols de Dzeko e dois de Nainggolan (o último, em pênalti inexistente aos 48 minutos do tempo final). Mas, aí já os sinos de recolher soaram e São Pedro fechava os portões para a Roma, dizem, com um sorriso a la Madona cortando quase imperceptivelmente seus lábios serenos e solenes.

Um golzinho só a mais e tudo iria se resolver na prorrogação. E, se nela fosse reproduzido o cenário do jogo regulamentar, a Roma seria agora a finalista diante do Real, dada à infinidade de chances perdidas.

É que, no futebol, quem determina os milagres não é o Papa, são os deuses da bola, entidades invisíveis, que se ocultam não no Olimpo grego, mas num campo verde em algum lugar de alguma dimensão desconhecida.

PS: Agradeço aos bravos narradores, comentaristas e repórteres da tv por me advertirem que, na Holanda, fala-se mais inglês do que o neerlandês, o frísio e o alemão. Sim, porque a turma insiste em pronunciar os nomes dos jogadores holandeses do Liverpool como se faz na língua do Império. Wiljnaldum (Vilnaldum) virou Uainaldum e Van Dijk (Van Dik, simplesmente), virou Van Daik, a la americana, como diria Alberto Sordi na célebre comédia italiana dos anos 60. É a prova de de que a globalização e o multiculturalismo, na verdade, são uma falácia moderna, num mundo unicultural, aceito passivamente pelos colonizados de sempre. Claro que isso tudo é irrelevante para a imensa maioria, o que me faz lembrar da sinistra anedota antissemita quando o nazista de plantão relacionava as tragédias mundiais provocadas pelos judeus e encerrava com o exemplo do afundamento do Titanic.

– Mas o Titanic foi afundado por um iceberg. – retrucou alguém.

– Ora, Rosemberg, Iceberg, é tudo a mesma coisa.- respondeu o cretino de plantão.

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