Sobrenatural de Almeida: 3 a 1

Foto: AFP

Sabe o Sobrenatural de Almeida, aquele personagem criado pelo dramaturgo e cronista Nélson Rodrigues, que ficava sentado sobre uma das traves regendo o impossível? Pois, o Sobrenatural de Almeida, no Santiago Bernabéu, desceu da trave, invadiu o campo e passou o jogo todo espalhando impossibilidades pelo gramado onde deslizavam os jogadores do Real e da Juve, na decisão das quartas-de-final da Liga dos Campeões.

Só pra lembrar: o Real, atual bicampeão do torneio, havia vencido a Juve, em Turim, por 3 a 0. Ponto final na disputa, não é mesmo? Uma ova!

Eis que, logo aos 2 minutos de partida, Mandzukic, de cabeça, em jogada coordenada por Douglas Costa e Khedira, abre a contagem. Nervoso, o Real começa a ver a vantagem ser diminuída pelo mesmo Madzukic, aos 35 minutos ainda da etapa inicial, do mesmo jeitinho: cruzamento da direita, cabeçada certeira.

Mas, as impossibilidades arquitetadas pelo Sobrenatural não terminam aí. Mais adiante, já no segundo tempo, Matuidi se aproveita de falha do goleiro Navas e empata tudo: 3 a 0 para a Juve.

O jogo caminha assim, sob o signo do desepero, para a prorrogação;, quando, aos 48 minutos, já descontos esgotando-se, o juiz inglês marca pênalti de Benatia em Vasquez. Os italianos enlouquecem, e, em meio à confusão, surge o cartão vermelho pra ninguém menos do que o mítico goleiro Buffon, por reclamação.

Justo na hora da cobrança do pênalti contra a Juve? Pois, é.

Aliás, pênalti convertido por CR7 que provocará uma interminável discussão em toda a Europa, pois muitos consideram que, pelo fato de Benatia ter tocado na bola não foi falta. Essa é a regra do jogo de botões, meu, não do futebol real.

Na verdade, Benatia atacou Vasquez por trás, desequilibrando-o, antes de virar sua perna em direção à barriga do adversário e tocar na bola. A carga ocorreu antes de o beque chutar a bola. E isso, até mesmo no tabuleiro dos botões é falta.

Mas, que fazer se esse foi um daqueles raros jogos em que o personagem central não foi nem a bola, nem os jogadores, o juiz ou os técnicos de lado a lado. Foi o Sobrenatural de Almeida, meu caro, o Sobrenatural de Almeida.

 

3 comentários

  1. Matuidi fez um gol que um juiz britânico que andou pelo RGS nos idos de 40/50 anulou num Grenal em que Geada recebeu um passe a adiantando-se a bola parou numa poça d’água e ele VOLTOU para então fazer o gol que foi anulado. Não seria o mesmo caso de hoje? Ele PASSOU da bola e VOLTOU para puxá-la para as redes.
    O que acha o nobre cronista?

  2. Tiro a cartola de ouro pra este sábio velhote que sempre vem nos presenteados com seus textos refinado e revestido de humor.
    Quanto ao Sobrenatural de Almeida, o personagem que eu não conhecia, mas que agora fui apresentado gentilmente pelo escrevinhador, o bichinho é mesmo um menino arteiro, pois desceu da sua trave, passeou pelo campo e foi até ao pé do ouvido do juiz e lhe disse bem baixinho: apita o penalti, meu chapinha, apita! E o impossivel se fez ao olhos do mundo, deu Madrid!

    Abços

  3. É a infindável e inexplicável ajuda ao time do Real. Em jogos decisivos, costumam inventar um pênalti ou não dar pênaltis de Sérgio Ramos, que tem o hábito de tirar a bola com os braços.
    No primeiro jogo do PSG, o juiz assaltou o time francês, de forma ainda mais covarde que o inglês fez ontem.
    O Real é um senhora equipe, e não deveriam ajudá-lo, de forma tão descarada.

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