
Convido o amigo a fazer um passeio pela Europa, tendo como GPS, as siglas que indicam os ataques dos principais times do mundo.
Desembarcamos em Madrid e lá está na saída do aeroporto o cartaz BBC – Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo. Invertamos o trajeto em direção à Catalunha, e batemos de frente com o mural onde está impresso em grafite MSC (Messi, Suárez e Coutinho), o C substituindo o N de Neymar, que aparece do outro lado da fronteira, em Paris – MCN, M’bappé, Cavani e Neymar. Se o amigo me acompanhar até Munique, onde tomamos uma cerveja escura de revirar os olhos, veremos no cardápio impressa a sigla RLR, Robben, Lewandowiski e Ribéry. E, por fim, se cruzarmos o Canal da Mancha, bateremos de cara com os SAS, Sterling. Aguero e Sané, ou SFM, Salah, Firmino e Mané.
Quer dizer: nos principais times do mundo, aqueles que nos oferecem os melhores espetáculos e obtêm os mais efetivos resultados, ponteia a formação com três atacantes natos – dois pontas, que os meninos agora resolveram chamar de extremos, à moda lusitana, em vez de nosso velho e tradicional extrema, e um centroavante, que aqui virou sinônimo de único atacante, quando não referência. Referência de quê, meu?
Referência é paradigma, exemplo, essas coisas. Eles querem dizer ponto de referência, mas não sabem. Referência de centroavante é um Fried, um Leônidas, um Ademir, um Coutinho, um Careca, um Ronaldo, um Romário, esses caras, meu!
Mas, como dizia um intrigante diante do delegado que o indiciava por espalhar boatos na vizinhança:
-Língua não tem osso, né doutor?
Assim como o futebol, esse jogo cheio de maleabilidade e surpresas.
Pois, aqui, tem osso, sim, senhor. Os caras querem engessá-lo em sistemas ultra definidos, em linhas defensivas, onde não há lugar para as tais siglas citadas acima.
Escale aí, o amigo, um trio atacante definido como tal no futebol brasileiro, nos últimos, digamos, quinze anos?
Não há, a não ser eventualmente, neste ou naquele fugaz momento. Quem me lembre, só os três Rs – Rnaldinho Gaúcho, Ronaldo e Rivaldo, na Copa de 2002.
Pois o futebol brasileiro não olha pra frente. Pior: nem pra trás, para as suas origens e seu maiores momentos de glória.
Só está preocupado em manter as tais quatro e mais quatro linhas de defesa, disfarçadas, às vezes, em três e duas, esses cálculos numéricos imbecis que retardam nosso avanço ano após ano, revestidos de modernidade, com o apoio de uma mídia que não se aprofunda de fato no estudo do futebol, passado, presente e futuro, e de uma torcida cada vez mais reacionária e violenta, seja nas redes sociais, seja nos estádios, nas ruas ou, o que é pior, nas urnas.
Alberto, às vezes penso que você é o Sardinha.
Seu pensamento quanto ao futebol nacional quando comparado ao europeu lembra isso.
Mas, acredito, meu caro, que o melhor está aqui mesmo, no bom e velho Brasil.
Muita correria, preparo físico e vontade…não passa disso o famoso futebol “europeu”.
Tanto que quem brilha lá são os famosos das Americas, ou não?
Desculpe-me a sinceridade da minha opinião, mas acredito que o Brasil ainda é o maior do mundo, apesar das dificuldades “financeiras” que tenhamos e que a por vir.
Mestre Tite é exemplo entre os técnicos…imagine jogadores!
Grande abraço e saudações.
“Luis respeita Januário” A frase vale para vos sr.Gilberto., pois a matéria do Mestre Helena é das melhores já escritas, seja por ele mesmo ou por outrem. Talvez VS não tenha tomado conhecimento dos resultados de jogos entre os times europeus e sul-americanos no tais “campeonatos mundiais”., ou de certo jogo entre Alemanha e Brasil na última copa do mundo. Dizer que lá na Europa só se destacam os jogadores sul-americanos é fazer pouco do nosso poder de avaliação. Há por lá De Bruynne, Salah, Robben, Lewandowski, Sterling, etc…lamento sr,. que tenhais contestado Mestre Helena, quando este, nos presenteia com o que de melhor há na crônica esportiva. Mestre Helena, sim, é o mlehor do futebol sul-americano.
Alberto, nem sempre o futebol arte com jogadores ofensivos será aquele que dará melhores resultados para uma equipe. Darei por exemplo, a seleção brasileira de 1982, onde tivemos talvez os melhores jogadores de nossa história. Esse ano ficou marcado para sempre na história do futebol. Foi nele que aconteceu uma das maiores tragédias futebolísticas do futebol brasileiro e mundial: a eliminação do Brasil de 1982 na Copa do Mundo da Espanha perante a Itália de Paolo Rossi, Gentile, Cabrini e Zoff e vc deve lembrar muito bem. Até hoje críticos, jornalistas, torcedores e os próprios jogadores daquele esquadrão mágico comandado por Telê Santana tentam encontrar uma resposta para a derrota por 3 a 2 que tirou a última seleção brilhante do Brasil da luta pelo tetracampeonato mundial. Falta de poder defensivo? Falta de um ponta direita? Extrema confiança? São muitos fatores, que influenciaram. O Brasil de 1982 repetiu a história de Hungria, em 1954, e Holanda, em 1974, por ter sido a melhor seleção de uma Copa, ter tido um ataque poderoso mas não levou o caneco
Este sim é um notório professor, mais uma vez venho aqui neste pedaço fértil de pura imaginação e sabedoria, e aprendo algo novo, tanto no campo da bola e tanto no da vida.
Abços e uma dose de uísque para o poeta.
O futebol brasileiro com certeza não é hoje o melhor do mundo. Contudo, os melhores jogadores do mundo ainda são brasileiros. Duas coisas conspiraram para que deixássemos há anos de sermos os protagonistas. A primeira é a mercantilização do futebol a venda dos nossos maiores talentos ainda muito novos. E a segunda e muito mais grave é a dependência avassaladora dos nossos jogadores, dos nossos técnicos, da mídia e das nossas entidades, da Rede Globo de Televisão. Não há mais liberdade no futebol. Como na política a Rede Globo deita e rola, é senhora da verdade, convoca e derruba técnicos e jogadores, manda e desmanda na CBF e por conseguinte não temos a diversidade de opiniões e a oportunidade para que os melhores se sobressaiam verdadeiramente, sem que tenha o olhar de uma emissora que diz o que é certo ou errado, quem é craque ou perna de pau. Independentemente se o Tite é o cara certo, qual a liberdade que ele ou que tiveram Mano e Dunga para escolherem os seus jogadores preferidos? Nenhuma. O futebol brasileiro hoje virou um Domingão do Faustão e um Caldeirão do Huck, terrível mau gosto.
Caro Alberto Helena, sei que o assunto aqui tratado não é mais Neymar, mas eu gostaria de parabenizar você pelo belo post que escreveu, acerca dos monstros que Neymar está criando.
Quando o Casagrande vomitou aquela diarreia bocal, eu logo pensei em você, de como uma mente sensata faz falta nos programas do Sportv. No dia seguinte, diante do partidarismo e sindicalismo de André Rizek e demais, pensei em você dando alguma declaração sensata, contra a insanidade daqueles abutres. O pior de tudo foi a ousadia de Rizek e demais pessoas daquela emissora, se acharem os donos incontestáveis da verdade, ao dizerem que a resposta de Neymar pai foi fora de contexto, que foi uma prova que Neymar não aceita crítica etc. Patético. Quem eles pensam que são?
Quando Messi pegou quatro jogos de suspensão por ter xingado a arbitragem brasileira, nas eliminatórias e C. Ronaldo pegou quatro por ter dado um empurrão no árbitro, nenhuma palavra, mas se Neymar solta um pum, pronto, isso vira motivo para um programa especial para distilarem seus venenos em uma caça insensata e insana àquele jogador.
Essa mídia covarde não teve peito para xingar o Romário quando este deu um murro em um companheiro de clube, em pleno Pacaembu, pois o baixinho não aguentava nada. Agora, como Neymar é um cordeiro, e jamais responde, eles fazem a festa.
Que moral tem Casagrande para criticar qualquer pessoa? Nenhuma.
Por favor, continue assim.
Caro Alberto Helena, obrigado pelo belo post. Considero você e, um pouco, o Antero Greco; este muito menos, as duas poucas vozes sensatas no futebol brasileiro.
Seu belo texto cita grupos de três grandes atacantes, e cobra que não temos tal trio no futebol brasileiro. Porém, nenhuma seleção tem tal trio, pois os vários tridentes que você citou, são de clubes, e não, de seleções.
Minha declaração não quer dizer que acho nossa seleção a melhor; acho a da França, pois estou ciente que temos nossos “Paulinhos”, que conseguem enganar um monte de gente, mas também temos Neymar, talvez o melhor jogador do mundo, na atualidade. Se Marcelo jogar na seleção a metade que joga no Real; algo que jamais fez, teremos chances de ganhar a Copa. Claro, Neymar terá que jogar como melhor do mundo, e isso só ocorrerá se ele for menos fominha.
Bravo, mestre.