Dos três, só o Peixe

Foto: Ivan Storti/Santos FC

Neste meio de semana começaram os estaduais, essa pedra no sapato do calendário brasileiro, raiz de todos os nossos males, pois reduz drasticamente o tempo de preparação das equipes para a temporada inteira, afasta o público dos estádios, aumentando o prejuízo endêmico dos nossos clubes, oferece um picolé de limão para uns parcos celeiros de jogadores do interior e acabam servindo de lenha para as fogueiras onde são incinerados, quase sempre, os treinadores dos grandes que não se sagram campeões.

Ah, sim, e impedem que nossos clubes possam trocar figurinhas com os estrangeiros naquelas antigas excursões ao exterior ou nos perdidos torneios de verão, hoje restritos apenas à Copa Flórida.

Mas, enfim, que esperar dessa corja que dirige nosso futebol?

Em todo caso, vá lá: nesta quarta, a bola começou a rolar para o São Paulo e o Santos.

O São Paulo foi um tédio diante do São bento, pra quem perdeu por 2 a 0, justamente. É verdade que o Tricolor jogou com um time reserva, o que, no seu caso, significa o reserva dos reservas, pois o elenco é pobre e reduzido.

Nesse jogo, valeu a inventividade dos atacantes do São Bento na feitura do segundo gol: falta à entrada da área tricolor, dois jogadores se postaram diante da barreira enquanto um terceiro encenava a cobrança, que não houve – um deles tocou de lado para o companheiro, Maicon, que girou para a meta, de surpresa.

Já o Santos meteu 3 a 0 no Linense na estreia de Jair como treinador, sem maiores problemas, jogando com o que o técnico dispõe de melhor no momento, inclusive Rodrigão, que fez um golaço, de fora da área, na  sua volta à Vila. Os outros dois couberam ao menino Artur Gomes, que promete.

Quanto ao Corinthians diante da Ponte, no Pacaembu, foi uma sequência da temporada passada, com menos potência, claro, por conta do pouco tempo de preparação, a viagem aos EUA e tal e cousa e lousa e maripousa.

Mas, com um diferencial, que poderá trazer doces frutos mais adiante: a formação de seu meio de campo com apenas um volante de ofício (Gabriel) e dois meias (Jadson e Rodriguinho).

No primeiro tempo, tudo espremido, pinga uma gota de emoção: aquele disparo de Jadson na trave. E a expulsão de Filipe, da Ponte.

Assim, na etapa final, o Timão passou a rondar a área inimiga, bola de pé em pé, e o gol parecia iminente.

Só que foi do lado contrário: num raro contragolpe da Macaca, o menino Saraiva faz bela jogada, corta pra dentro e de canhota mete no ângulo, bola ainda desviada em Gabriel. Isso, aos 23 minutos.

O campeão continuou apertando o adversário, e quase chega ao empate, quando Jadson é derrubado na área, e bate o pênalti… nas mãos do goleiro Ivã.

De resto, foi apenas a esperança se esvaindo em bolas cruzadas na área da ponte sem nenhum efeito prático.

NA LINHA DO GOL

O duro foi, nesta noite de quarta, abrir mão da parte final do jogo entre PSG e Dijon, pelo campeonato espanhol pra assistir a esse bocejante jogo do São Paulo. Isso, quando o PSG já vencia por 5 a 0, dois de Neymar, dois de Di Maria e um de Cavani. E tome corneta em Neymar. Neymar é fominha, é isso é aquilo, e espie só Neymar brigando pra retomar a bola em seu campo, servindo os companheiros de bandeja driblando, infiltrando-se, fazendo o diabo. Pude, então, no intervalo entre o fim do jogo do São Paulo e o início do Corinthians, ver a gravação dos momentos perdidos: mais dois de Neymar, um de pênalti e outro a la Pelé – passou por cinco adversários e guardou. O outro dos oito parisienses foi de M’Bappé. Passe de quem? Neymar, claro. Pois é, Neymar é isso, é aquilo… e muito mais do que a vã filosofia imagina: quatro gols e três assistências, tá de bom tamanho?

 

 

6 comentários

  1. o neymar estava visivelmente irritado após o jogo, as vais que lhe foram desferidas não foram engolidas por ele, tenho impressão de que a passagem dele pela frança não durará muito não …….

  2. Tá de bom tamanho sim Alberto Helena O Neymar é de genial prá lá. Agora sôbre Santos e São Paulo, achei que o Santos começou a jogar, ou vai jogar esse ano, como um time de futebol mais equilibrado. que antes acho que era mais na base do individualismo. e prá mim já é mérito do Jair Ventura. Sôbre o Paulistão, e mesmo reconhecendo as opiniões, acho que é uma das grandes tradições do nosso futebol.

  3. Neymar mais uma vez poderá levar a seleção de volta à casa antes do tempo. Neymar está desconcentrado, alheio ao seu papel como líder da seleção e desconfio que não há mais nessa altura quem o faça enxergar o contrário. Neymar foi tragado infelizmente ( como era de se esperar) pelo mercado e do que dele advém: muito dinheiro, badalação, mulheres e mega exposição na mídia, tudo que um atleta de alta performance deveria restringir dentro do possível ao máximo. Neymar maior craque, hoje é mais um problema do que uma solução para o time de Tite. As vaias a que foi submetido no último jogo do PSG mesmo tendo marcado 4 gols e ser o cara do jogo, mostram que ao torcedor não basta somente ao artista ser um gênio, ele tem que ser acima de tudo humano, humilde, um simples mortal. ” O Santos está criando um monstro” palavras de Renè Simões há exatos 8 anos. Rene se enganou num detalhe: errou o nome do criador.

  4. Continuam, como sempre, as críticas dos jornalistas paulistanos ao Paulistão, que é um dos grandes campeonatos do mundo, disputado num estado que tem 44 milhões de habitantes.
    Precisamos (também sou paulistano!!!) ser menos bairristas e lutar pela continuidade do mais antigo campeonato do Brasil, disputado desde 1902. E, em consequência, dos demais estaduais.
    Na realidade, o que ESTÁ grande é o Brasileirão, que começa no 1º semestre, continua na janela da FIFA e termina no fim do 2º semestre. E daí? E daí que os clubes disputam o Brasileirão com 2 ou 3 times diferentes, tirando o brilho da competição.
    Melhor seria os estaduais no 1º semestre (fevereiro a maio – 4 meses) e o Nacional no 2º semestre (15 de julho a 15 de dezembro – 5 meses). Seleção brasileira de 1º junho a 15 julho. As férias seriam divididas (15 dias no fim de dezembro e 15 dias no início de junho), com duas pré-temporadas, permitindo excursões e integração interclubes com o futebol estrangeiro.
    Para isso, é necessário repensar o Brasileirão (talvez 24 clubes em turno único, reduzindo de 38 para 23 rodadas). E seria interessantíssimo que os estaduais servissem de classificatórios para o Nacional, tal qual este é classificatório para a Libertadores e esta para o Mundial interclubes.
    Os mais de 20 milhões de habitantes do Interior de SP merecem mais respeitos dos jornalistas paulistanos.

  5. helena boa tarde!como nao podia ser diferente voce arrebentou no seu comentario sobre que o maior jogador que o sao paulo teve foi leonidas da silva o diamante negro,corigindo o limitado celso cardoso falando que rogerio ceni teria esse rotulo!abraço meu idolo!!!!!!!!!

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