Sombrio Ano Novo

Foto: Divulgação

Nestes tempos de tantas incertezas – algumas, sombrias -, no futebol não poderia ser diferente.

A maior delas é saber que destino terá a CBF, depois da saída iminente do atual presidente, afastado temporariamente pela Fifa por noventa dias, mas que, certamente, não resistirá ao que está em gestação na justiça americana.Afinal, é o Império quem manda, não é mesmo? Ainda mais que, por aqui, as autoridades deslizam sobre mansos regatos em flor.

As experiências vividas desde o longo reinado de Havelange, que, no início, teve o condão de unificar o país do futebol pra depois se transformar num poderoso chefão, até aqui, a emenda só tem sido pior do que o soneto.

Com uma única exceção: o breve período em que Giulite Coutinho assumiu o cargo, Tipo cosmopolita, inteligente e honesto, reduziu o Brasileirão de cem clubes pra dezesseis, deu formato mais digno ao calendário, e tratou a Seleção com os devidos cuidados. Infelizmente, acabou sendo engolido pela politicagem dos presidentes das Federações, com o indispensável apoio de Havelange, já entronizado na Fifa, seu inimigo pessoal.

Ouço falar na possibilidade de o atual presidente do Flamengo, Bandeira de Mello, ser lançado como um nome de consenso, pelo menos entre os clubes eleitores.

A impressão que tenho é que se trata de um cara preparado para a função, já que botou ordem na nobre casa rubro-negra, transformada em barraco anos a fio por seus tantos predecessores. É articulado, e passa a sensação de honestidade, esse atributo tão escasso nos tempos atuais. Não o conheço pessoalmente, nem escarafunchei seu passado, é apenas uma impressão que até agora nada teve o condão de alterar.

Mas, se assim for de fato, duvide-ó-dó que os chefões regionais irão referendar o nome de Bandeira de Mello, pois foi exatamente para isso – não mudar o status quo – que a dupla Marin-Del Nero alterou o estatuto da entidade, dando praticamente toda força às federações e reduzindo o poder de voto dos clubes.

Estes, por sua vez, embora sejam a própria razão de ser do futebol, submetem-se como um rebanho de ovelhas à qualquer ordem estabelecida, ainda que lhe seja extremamente prejudicial. Mesmo porque, quando teve a chance de virar o jogo, com a Liga dos Clubes, só fez lambanças. Parece até um povo que eu conheço, tão espoliado como submisso.

Assim, o novo ano já está ali, ó, na esquina, e não consigo ver além uma luz forte de esperança assinalando grandes mudanças em relação às décadas que o precederam. Infelizmente.

 

Um comentário

  1. Alberto Helena JR.. Conheço-o a pelo menos cinquenta anos e continua sendo a única cabeça pensante neste emaranhado de besteiras que norteiam a nossa mídia esportiva. Talvez, e para não ser injusto citaria o Flávio Prado como outro que chega bem perto dele. E só.

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