Elementar, meu caro Pep

Foto: Lindsey PARNABY/AFP

Não se passaram cinco minutos de jogo, e o zagueiro Kompany faz sinal para o banco que não dá mais. Ato reflexo, Guardiola manda aquecer o beque Mangala. Mas, aí, espia o campo, vê seu time com cerca de 90% de posse de bola acuando um Newcastle no campo adversário, e, de imediato, chama o artilheiro Gabriel Jesus e o coloca em campo, recuando um tantinho seu único volante, Fernandinho.

Pra que outro zagueiro, se o seu time todo tá lá na frente, alugando meio-campo? O que eu tô precisando é de gol. Então, no lugar de mais um zagueiro, vá lá o artilheiro, pra aumentar a chance de meu time fazer um gol.

Fez, 1 a 0, com Sterling, em belo lançamento pelo alto de De Bruyne. E foi só, embora a baliza do Newcastle estivesse sob bambardeio constante. Mas, o suficiente para o City somar dezoito jogos invictos, com dezessete vitórias e um empate, sem falar na soma absurda de gols obtidos ao longo de todo o campeonato inglês. Mais uma vitória e Pep Guardiola bate seu próprio recorde europeu, dentre tantos por ele já obtidos.

Confesso que isso tudo me intriga. Por que cargas d’água, esse cara está aí batendo recordes no futebol espanhol, alemão e inglês, com times que jogam uma bola redonda e sedutora – o exato encontro do resultado com o espetáculo, o que a imensa maioria dos treinadores do mundo consideram excludentes entre si -e ninguém procura seguir seus passos seguros e vitoriosos?

Guardiola não tem nenhuma varinha mágica, é um tipo como outro qualquer – talvez, mais obcecado e lúcido do que a maioria -, que não revolucionou os métodos de treinamento, nem inventou nenhum esquema de jogo milagroso, nada disso. Apenas deixa-se guiar pela lógica mais elementar do futebol. Seu esquema é um tradicional 4-3-3, dois zagueiros de área, dois laterais que avançam, um volante hábil e solto, dois meias de talento, dois pontas abertos e um centroavante móvel e incisivo. Ponto final.

Claro, todos têm de brigar pela recuperação da bola. Mas, quando a têm nos pés, tratem de trabalhá-la com ciência e acuro. Básico, elementar, a própria essência do jogo desde que este foi organizado taticamente há mais de século.

Desconfio que tem a ver com fábula homem sendo movido pra trás pelo medo em vez de seguir em frente como revela a história do seu avanço sobre a Terra, impulsionado pela coragem.

 

 

6 comentários

  1. Será que Tite já viu os times que Guardiola dirige alguma vez na vida? O que ele fez na Europa dezenas de vez que foi assistir aos jogos principalmente na Inglaterra? ?Tomar o chá das cinco dos ingleses? Das duas uma, ou ele se acha o bam bam bam, é cego ou as duas coisas juntas. Ah! Ia esquecendo. Será que é ele mesmo que escala o time ou ouve um plim plim antes dos jogos

    1. (risos)….Ah, João.
      Cada qual com sua escola, mestre Tite já sabe o que fazer desde o início de 2017.
      Ah sim, metodologias diferentes, Tite puxa mais a escola do Lanceloti, e, claro, com novas ideias.
      E, grande amigo, é por esse pequeno detalhe que a taça estará em suas mãos antes mesmo de chegar ao Brasil, obviamente.
      Forte abraço e saudações.

  2. Já vivemos o raiar de 2018. A copa já está chegando. O primeiro jogo contra a Suiça será decisivo para as pretensões do Brasil na copa. Diria mais, os primeiros 45 minutos desse jogo serão dramáticos ou a seleção fura a retranca suiça e sai na frente facilitando as coisas, ou corre o risco de empatar e até perder o jogo. Perdendo ou empatando que é o mais provável terá sido um desastre para as pretensões do time seguir na copa. Tite pode minimizar esse eventual desastre se contra tudo que fez até agora colocar Paulinho como único volante e escalar um time mais habilidoso e veloz. Acho no entanto,meus amigos que vai morrer abraçado com Casemiro/Paulinho e Renato Augusto, na prática treis volantes e nenhum meia armador.

  3. Enquanto Jô treina nas férias para chegar em boas condições ao Japão nosso pseudo craque aparece, recebendo tatuagem, farreando e coisa e tal. É só ver que tem acertado muito menos os chutes do que quando começou. Não amadureceu nada desde então e já esta com 26 anos. Os fanzocos se aborrecem com críticas justas a ele, mas a verdade é que fugiu da briga que era se destacar no Barcelona e assim mesmo não é esse sucesso todo em Paris. Já se fizeram ouvir buchichos e muxoxos lá em Paris. Será que vai resistir na Copa ou vai amarelar?

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