
Quando Renato Gaúcho anunciou na véspera que o Grêmio iria atacar o Lanús, pensei cá comigo: “parole, parole, parole“, como na velha canção. Afinal, há uma eternidade que os times brasileiros, quando atravessam a fronteira, se encolhem feito gatinho assustado. Plantam-se lá atrás e ficam dando chutões seguindo o conselho do saudoso beque Ditão: “Quando a bola está lá em cima, não há perigo”.
Pois quebrei a cara com meu ceticismo, já que o Tricolor realmente entrou em campo pra atacar. E atacar como manda o figurino: desde o apito inicial, invadiu o campo inimigo, fincou sua bandeira, e, na base do toque-toque e de muita entrega na recuperação da bola, botou o Lanús na roda
E os gols foram surgindo naturalmente. O primeiro, aos 27 minutos, numa fulminante arrancada de Fernandinho de seu próprio campo até chegar na cara do gol e disparar certeiro: 1 a 0.
O segundo, meu Deus!, que jóia! Lançamento longo que Luan apara no peito, desvia de um, passa no meio de dois e, na saída do goleiro, dá uma cavadinha com estilo e exatidão, coisa de craque com C maiúsculo.
E assim foi até a ida para os vestiários.
Mas, no segundo, ah, a velha recaída… O Imortal recolheu-se em seu campo, enquanto o técnico do Lanús reforçava sua linha ofensiva, e o que era cara virou coroa. Pra ainda mais piorar a situação, logo aos 5 minutos, o Grêmio perde Artur, o principal articulador das jogadas de meio de campo, substituído por um volante mais de contenção, Michel.
O Lanús, então, passou a pressionar até encontrar seu gol de honra, num jogo pontilhado de faltinhas de lado a lado, como manda a regra da Libertadores. E esse gol veio na cobrança de pênalti de Jaílson, por Sand, aos 25 minutos. A pressão parou sempre em Grohe, que já havia feito duas defesas providenciais no primeiro tempo.
Por fim, numa das raras escapadas do Tricolor, já no finzinho da partida, Fernandinho serve a Luan, que novamente deu a cavadinha genial, mas, desta vez, saiu pra fora.
E assim conta-se o último e mais glorioso passo do Grêmio em direção à Copa Mundial de Clubes, troféu que ele já empalmou décadas atrás e que pode perfeitamente empalmá-lo novamente. E que esse primeiro tempo do Tricolor sirva de exemplo não só para ele mesmo nos jogos lá, como, cá, pra todos os seus congêneres. É atacando que se ganha; só se defendendo, alimenta-se o perigo, isso, sim.
Mais uma vez acertei nos comentários postados. Como sempre disse: Quem decide o jogo é o craque. É obvio que os demais jogadores foram importantes na vitória gremista, porém, não fora Luan, Arthur, Fernandinho mais Geromel um ótimo zagueiro muito provavelmente o Gremio teria perdido para o time arranca toco do lanús. Parabéns ao Gremio e Renato Gaúcho.
O destino mostra para o Tite que ainda há uma esperança. Foi assim com Dunga e quem não se lembra em 2010 quando Ganso e Neymar nas mesmas circunstâncias mostraram ao Brasil e ao mundo que dois craques de bola que não poderiam ter ficado fora da seleção. Dunga foi egoísta e insensível. Fez ouvidos de mercador, deixou os dois de fora e perdeu a copa.
Tite não pode incorrer no mesmo erro sob pretexto algum e deixar Luan principalmente, fora dessa seleção e levar no seu lugar Willian, Giuliano, Diego ou coisa que o valha. O cara é craque. Tem a inteligência do Tostão, a habilidade do Zico e a frieza do Romário. Na escassez de craque que vivemos deixar Luan e Arthur outro grande jogador fora da seleção é de uma burrice sem limites.
Valeu pelo comentário J.Sardinha e Mestre Helena!
Meu pai sempre falou do saudoso Ditão , e quando ele senta para assistir algum jogo do campeonato ingles aonde tem aqueles beques de 2 m de altura por tres de largura e ruim sempre fala olha parece o Ditão.