Imortal em Lanús

Foto: Juan Mabromata/AFP

Se há um time difícil de ser analisado nesta temporada é esse Grêmio, que decide em Lanús, nesta quarta-feira, o título da Libertadores. Não só pelas idas e vindas do técnico Renato Gaúcho, ao escalar intermitentemente sua equipe reserva ao longo do Brasileirão, mas, também, pelas perdas de seus dois meias básicos – Douglas e Maycon, que passaram tempo demais na enfermaria do clube.

Ah, sim, surgiu Artur, muito badalado, que até mereceu uma chamada de Tite para a Seleção e tal e cousa e lousa e maripousa. Mas, cá entre nós, o garoto é bom jogador, mais volante do que meia, distinção que anda difusa na cabeça de treinadores e analistas brasileiros em geral, mas não revelou ainda aquele talento especial do armador que se pode resumir na antevisão e clarividência das jogadas em busca dos companheiros de ataque.

Aliás, gostaria muito de saber de quem vive os bastidores do Grêmio, sobre as reais razões da saída do supervisor Valdir Espinosa e o quanto ela afetou nas oscilações sucessivas do comportamento da equipe nesta temporada. Por coincidência ou não, foi logo após sua saída que o Grêmio passou a vacilar no Brasileirão, embora fosse de vento em popa na Libertadores, mas já sem aquele jogo sedutor de antes.

Mas, enfim, é de se esperar que o Imortal passe ileso na Argentina e nos traga o caneca de volta, entre tantas coisas, por ser mais bem equipado tecnicamente do que o adversário.

NA LINHA DO GOL

Comovente a despedida de Júlio César do Benfica e dos campos. Sobretudo porque se trata de um dos grandes goleiros da nossa história que ficou marcado por aquele gol contra a Holanda, em que dividiu a bola com Felipe Melo, e pelos horrendos 7 a 1 diante da Alemanha, embora ele pouca culpa tivesse nessa tragédia singular. Teve, porém, uma fase esplêndida no Flamengo e na Seleção, além de ter sido eleito o melhor goleiro da Europa no ano em que defendia a Inter, hiper campeão italiana. O tempo passa, o relógio marca, fim de jogo para Júlio César, como diria nosso saudoso Edson Leite.

É mania entre os treinadores, daqui e de lá, espelhar seu time ao adversário. Se eles jogam com três zagueiros, lá vamos nós de três zagueiros também e assim por diante. Ora, nada mais incoerente num jogo em que a surpresa, a quebra de expectativas, os caminhos diferentes são essenciais para pegar o adversário de calças curtas. Mas, a turma é mesmo amante do óbvio. Digo essas coisas depois de ver o jogo entre United e Watford, times dirigidos por dois patrícios d’além mar. Eis que o gajo do Watford resolve espelhar seu time, que vem de boa campanha no Campeonato Inglês, diga-se, com o de Mourinho: três pra cá, três pra lá, como na dança do corridinho lusitano. Pois, o United, por força da maior qualidade de seus jogadores, disparou logo 3 a 0 no primeiro tempo. No segundo, o Watford mudou o braço da viola, passou a ter apenas dois zagueiros e reduziu pra 3 a 2, antes de Lingard salvar a pele de Mourinho, também numa jogada individual marcando o quarto gol. Sim, porque além de todas as formulações táticas mais esdrúxulas, ainda prevalece o talento individual, como reza a velha cartilha: o menino e a bola.

 

6 comentários

  1. O Gremio é a negação do futebol técnico elevado a enésima potência. O jogo contra o Lanús em PA mostrou mais que um jogo de futebol, mostrou uma briga de foice entre duas equipes a qual continuará na Argentina amanhã. Sinceramente aquilo não é futebol como vi e aprendi a gostar.Que me desculpem os torcedores do Gremio. Desconfio que esse joga não acabará bem, será uma verdadeira batalha campal. A bola coitada, mais uma vez pagará o pato.
    Quanto ao Júlio César foi um dos piores goleiros que vi na seleção, pior que Waldir Perez. Fracassou em duas copas. Goleiro que toma TREZE gols em apenas 3 jogos da copa(6 gols contra a Holanda e 7 contra a Alemanha) não merece ser lembrado e sequer chamado de goleiro. Barbosa por muito menos, morreu crucificado por um gol que tomou no Maracanã.

  2. Os times ainda tem bastante dificuldade de encontrar meios de superar essa nova versão dos três zagueiros (tanto a versão ofensiva como defensiva). Ela se baseia muito em superioridade numérica em todas as fases do jogo, então seu time tem de quebrar um linha de 5 e outra de 4, e defender contra 7 jogadores. E uma das maneiras de igualar isso é espelhar a formação. Não é a toa que muitos técnicos fazem isso e não é a toa que a seleção de Tite teve muita dificuldade de furar as linhas da Inglaterra.

  3. Ja que tocou no estilo, de quem é meia e quem é volante me responda: Qual é o do Toni Kroos?
    Até porque alguns pseudo especialistas no campo da bola dizem que ele é meia de oficio e outros refere-se como um volante.
    Eu acho que é um meia de escol e vossa maestria, acha oque?

    Abços

  4. Num clássico entre dois grandes como por exemplo Real Madrid e Barcelona, Bayern e Manchester United a excelência técnica dos jogadores na maioria das vezes dita o clima do jogo quem ganha leva, numa boa sem problemas. Essas partidas na sua grande maioria dão prazer ao torcedor em assisti-las, o nível técnico é muito grande se sobressai à grande rivalidade, que existe entre eles e raras vezes assistimos um jogo dessa magnitude acabar em pancadaria. Prestem atenção ao jogo de hoje Gremio e Lanús. Duas equipes muito fracas que fazem da correria e do jogo físico suas principais armas onde ganhar o jogo custe o que custar é o seu principal objetivo, mesmo que esse jogo acabe numa delegacia de polícia.Como diria o grande Marinho Chagas quem sabe sabe quem não sabe bate palmas.

    1. Prezado Sardinha: sei que meu comentario e’ antipatico, a voce e provavellmente a outros torcedores. Estao disvirtuando o que e’ a essencia do futebol que e’ uma atividade esportiva COMPETITIVA. Foi esse espirito competitivo que incrementou o grande crescimento desse esporte (alem, e’ claro de sua caracterisca, jogar com os pes (e cabeca), um campo grande, a criacao de grupos (clubes, times) com sua propria camisa, seu hino, seu nome, etc. Entao, para parar de enrolar e’ o seguinte: o principal para o torcedor e’ sentir o prazer da
      VITORIA e ADMIRAR as jogadas e jogadores de talento. Isto esta inserido na palavra TORCER.
      Quando vou ver um jogo do meu time ano ficou analisando se o jogo esta MORNO (!) nem se a posse de bola
      e’ 58,35% para o meu time, nem se o meu time acertou 46 passes e o adversaario so 32. Estes jornalistas
      usam a ESTATISTICA de forma errada pois esses numeros so teriam valor se comparassem itens IGUAIS !
      Um passe sempre e’ diferente de outro, um foi facil de executar, outro foi dificilimo. Pura ignorancia.
      Quem sabe, comenta. Quem nao sabe usa falsas estatisticas.
      Mas gosto dos seus comentarios, voce e’ muito observador e tem experiencia no ramo.
      abracos

      1. Obrigado pelas críticas que em nada são deselegantes. Quem como eu foi macaco de auditório de Rivelino, Zico, Romário, Falcão, Pelé, Djalminha, Jorge Mendonça, Pedro Rocha, Leivinha, Rivaldo, Ronaldo não pode gostar de pernas de paus como Casemiro , Fernandinho e outros do mesmo quilate. É simples, é uma questão de gosto.

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