A queda de Cuca

(Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Cai o Cuca, não só pelos tropeços de um time do qual se esperava uma campanha histórica neste ano, mas, sobretudo, por conta do erro de escolha do treinador verde por parte da diretoria, lá atrás.

Certamente, Eduardo Baptista não era o técnico adequado para assumir o Palmeiras quando da saída de Cuca no final da vitoriosa temporada passada. Bom moço, aplicado, sério, mas ainda inexperiente para domar um grupo tão seleto de jogadores contratados a peso de ouro, quase todos acostumados ao protagonismo em seus clubes de origem e  que teriam de disputar a titularidade num Parque tão luxuoso. Não é fácil, meu.

Quando se deu conta disso, a diretoria foi buscar Cuca de volta. Aquele Cuca campeão da Libertadores pelo Galo e do Brasil, pelo próprio Palmeiras.

Cuca chegou com a bola já rolando um bom tempo, bateu de cara com um elenco de cuja montagem não havia participado, e, começou, então, a procurar um time. Está procurando até hoje. Embaralhou-se na escolha do sistema de jogo adotado e  dos jogadores, que se revezavam com frequência demais para que a equipe adquirisse o mínimo de conjunto, ainda essencial no futebol, embora aqui se pratique algo parecido com isso, na base de chutões e chuveirinhos, entremeados de faltinhas sucessivas.

E agora? Agora, hoje, assume interinamente o auxiliar técnico Alberto Valentim, que muitos pediam como alternativa no lugar de Eduardo Baptista, enquanto Seu Cuca não voltava das férias prolongadas.

Pode ser que o rapaz dê conta do recado, e o time ganhe um pouco mais de consistência, subindo na tabela do Brasileirão o suficiente, pelo menos, para que o ano não tenha sido inteiramente perdido.

Mas, conhecendo a história verde, desconfio – apenas desconfio – que Mano Menezes, hoje dirigindo o gêmeo palestrino de Minas, o Cruzeiro, de prodigiosa arrancada nas últimas rodadas, e que, dizem, não continuará por lá depois das eleições que se aproximam, esteja na mira do Palmeiras.

Vejamos.

E que será de Cuca? Ora, ora, certamente daqui a pouco estará assumindo um dos grandes do Brasil, nessa ciranda diabólica dos nossos treinadores, ou volta pra China, pras Arábias, quem sabe EUA?

A propósito, fico cá com meus botões pensando o seguinte: uma das razões mais apontadas pro baixo nível técnico dos nossos times é o medo dos nossos técnicos de perder, o jogo e o emprego; mas, que diabo!, eles pulam daqui pra lá – estão sempre empregados a peso de ouro, diga-se. Seu prazo de validade em qualquer clube é limitado, certo?

Se vai mesmo perder este emprego e, logo em seguida, estará trabalhando em outro, por que não arriscar mais em qualquer deles? Por que não montar times que joguem o chamado futebol  moderno, que chamo de eterno, com bola no chão, trocando passes, envolvendo o adversário e sempre em direção à área inimiga? Por que não se livrar de vez desse pânico em relação ao contragolpe e não preencher a área inimiga com quatro, cinco, seis atacantes quando do inevitável cruzamento?

Pelo menos, na pior das hipóteses, vai pra rua de cabeça erguida, e não choramingando o leite (azedo, diga-se) derramado, justamente por perder ao pretender apenas não perder?

Vou dizer por quê. Porque o medo que permeia a nossa sociedade de alto a baixo embrenhou-se na alma brasileira de tal maneira nos últimos tempos que paralisou mentes e corações, a ponto de se desenhar no ar um ainda mais sombrio desfecho, uma meia volta, volver, em direção à escuridão total.

O medo mata, amigo. Sabia?

 

 

 

3 comentários

  1. Excelente comentário COMO SEMPRE!!!
    Uma extraordinária reflexão, onde ASSINO EM BAIXO!
    Parabéns……
    Você continua sendo um dos poucos aqui por estas bandas a fazer comentários coerentes….
    Um abraço

    1. Só acrescentaria que nenhum presidente de clube em nome do politicamente correto tem a coragem de questionar o treinador sobre a forma de jogar do seu time é questionar a contratação de determinados jogadores. Isso virou um tabu intransponível que muitas vezes acaba com um time.

  2. Boa tarde! Alberto sempre competente.
    Já se vão mais de 50 anos torcendo pelo Palmeiras, penso que o melhor hoje será a contratação do Mano e depois aí sim o Valentim, que será, sem dúvidas, uma referência entre os treinadores.

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