Amarga noite verde

Foto: Djalma Vassao/Gazeta Press

O amigo dirá que anda comendo muito jiló regado a Fernet Branca pra ser tão amargo.

Mas, espie só esse jogo entre o Palmeiras e o Bahia, que terminou com um empate por 2 a 2.

Veja se dá pra adoçar um pouco um espetáculo como esse, em que a bola rolou sem método, ciência ou talento durante mais de noventa minutos.

E olhe que tenho absolvido nossos treinadores por causa do calendário estúpido que nos enfiaram goela abaixo, responsável por não permitir que os times sejam devidamente afinados.

Pois, acabamos de ter um prazo excepcional de dez dias para que Cuca preparasse seu time, sem grandes pressões, já que o Palmeiras está ali na bica da Libertadores há muito tempo, pelo menos.

E o que se viu em campo? Um Verdão afobado, como sempre, que conseguiu abrir 2 a 0, com Willian e Bruno Henrique, no primeiro tempo, e, depois, foi refluindo, refluindo, até que o Bahia chegasse ao empate, com Edgar Jr., duas vezes. E olhe que, por pouco, Régis não vira esse placar no finzinho.

Fossem dois times de elencos equilibrados, jogando em campo neutro, tudo bem. Mas, comparar o elenco milionário com o modesto do Bahia é, no mínimo, um absurdo. E, se o Pacaembu, não é o atual campo do Verdão, é quase, pela história, pela qualidade do gramado e pela presença maciça de sua torcida.

Logo, nada, absolutamente nada, justifica essa performance tão opaca do Palmeiras nesta noite de quinta-feira.

Nada, a não ser o atraso dos nossos treinadores, que insistem em jogar com dois volantes de ofício, em quaisquer circunstâncias, mesmo quando o time precisa se afirmar ofensivamente, como ocorreu nesta noite, quando Bruno Henrique pediu substituição e Cuca mandou Felipe Melo, sob aplausos gerais da galera, em seu lugar. Ode à truculência.

Então, tá.

4 comentários

  1. Mestre, é interessante ver a ‘ode à truculência’ com ícones com o Felipe Melo-Bolsonaro enquanto um sintoma social destes tempos que vivemos: o pitbull rasga grama com a mesma eloquência que um comentário fascista o faz no Facebook. São tempos em que MMA tomam lugar da nobre arte. A luta torna-se o foco, a técnica secundária: dois volantes serão poucos ainda. As retrancas são festejadas – como no meu Corinthians, com a já torcida-de-arena se assemelhando às torcidas estadunidense de basquete que clamam por defesas. O senhor sabe que luta e por vezes sangue, suor e lágrimas hão de ser, eventualmente, componente do futebol desde que a pelota é redonda, não se trata de defender um jogo estéril, mas a questão é quando a raça ganha mais holofote que a bola. Raça, banalização da violência… O senhor e Hanna Arendt sabem perfeitamente sobre o perigo histórico que tais sentimentos fomentam.

  2. 13/10/1977

    BASILIO – o “Pé de Anjo”

    J oão Roberto Basilio
    O u simplesmente o “pé de anjo” afinal
    A quele que tirou o mundo do equilíbrio
    O que libertou uma torcida nacional

    R ealidade sensacional.
    sO mos Corinthianos desde antes de 1977, quando você nos fez campeões
    B astou aquele título Paulista legal,
    E stávamos vindo dos fracassos de 1974 e 1976; decepções,
    R egados a lágrimas que foram derramadas, quando Basilio chutou.
    T ransformando tudo de forma passional,
    O uvindo o mundo gritando: Gol! foi Basilio quem marcou!

    B om, não podemos deixar de admirar o ser humano
    A trás do profissional dedicado
    S empre buscando a recuperação,
    I ndifente ao tempo do clube sem ser campeão,
    L utando com todo o time até o fim como um insano;
    I nvestido de algo iluminado.
    O que dizer de Basilio, mano?

    D izer que ele é Corinthiano,
    E por isso mesmo mais brasileiro
    M esmo Basilio não poderia parar,
    A h, ele teria que continuar
    I ndiferente se é mais um dia, um mês ou o ano inteiro,
    S empre, até cumprir a previsão de Oswaldo Brandão, “O treineiro”.

    13/10/2017

  3. Refluindo, refluindo? Uai..
    Mas este não é o Cuca, o tal moço que tira da sua Cartola de ouro, o puro futebol futebol ofensivo, hein escrevinhador?

    Abços

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