Uma questão de integridade?

Foto: Pedro Martins/Mowa Press

Pelo visto, o técnico Tite só fará uma experiência no Brasil que pegará o Chile no Allianz Parque na noite desta terça-feira: Ederson, no lugar de Alisson.

Motivo explicitado por Tite depois do treino: sedimentar o time e a tática nas poucas chances que lhe restam até a Copa.

Mas, subjacente, há algo mais. Tite pode ser isso ou aquilo, mas é um cara de integridade indiscutível, e esse jogo não é apenas cumpriment0 de tabela. Quer dizer, para o Brasil, em termos de classificação para a Copa do Mundo, é. Mas, há outras implicações, sobretudo no que toca ao Chile e à Argentina.

Vai que Tite mande a campo uma equipe reserva e perca o jogo. Seria aquela grita internacional: o Brasil teria entregado o ouro pro Chile com o claro intuito de prejudicar a Argentina, rival histórico do futebol brasileiro.

Pelo sim, pelo não, o mais seguro é irmos com nossos titulares. Ponto.

Só me resta esperar que lá pelo segundo tempo, quem sabe, Tite teste Tardelli no lugar do menino Jesus, embora em pleno Parque Verde isso seja um tanto problemático pelo histórico do nosso centroavante titular.

Mas, do ponto de vista meramente técnico-tático, essa seria a experiência mais valiosa para a Seleção Brasileira, com vistas à Copa da Rússia.

Explico de novo o que já expliquei aqui várias vezes, antes mesmo de Tardelli ser cogitado à lista dos convocáveis. É que se trata de um raro atacante brasileiro com características que se aproximam demais das de Jesus, falso centroavante típico.

Tardelli, como Jesus, é leve, hábil e versátil o suficiente pra não ficar ali plantado na área como a maioria dos congêneres. E, quando sai da área, deslocando-se para os lados ou pra trás, tem técnica suficientemente refinada pra participar das trocas de bola entre seus companheiros de trás.

Mas, de qualquer forma, é preciso ver como isso funcionaria na prática, com a camisa canarinho.

Esperemos, esperemos.

NA LINHA DO GOL

A Espanha, com os reservas dos reservas, passou por Israel e garantiu a cabeça de chave de seu grupo na Copa da Rússia, com um petardo de fora da área de Illarramendi. Mas, cá entre nós, jogou muito pouco, nada que se assemelhasse àquele futebol envolvente e fino a que nos acostumamos. Já a Itália, do mesmo grupo, vai pra repescagem como cabeça-de-chave, ao bater a Albânia por 1 a 0, goleada típica do calcio da Bota.

“…Hoje, o humor e o bom estilo estão desaparecendo e se aceitam insultos em vez de gracejos… E confundiram tanto a coisa que a gente não distingue o imbecil do inteligente. Isso eles fizeram de propósito…” Como? O amigo pensa que estou reproduzindo uma das tantas invectivas contra as atuais redes sociais? Ledo engano, meu. Estou aqui reproduzindo frases de século e meio atrás, de autoria de ninguém menos Dostoiévski, no seu conto Bobók. Como se vê, muda a maquiagem, avança a tecnologia, mas o homem é sempre o mesmo.

2 comentários

  1. Alberto, esse negócio de entregar o ouro para prejudicar outra seleção é bobagem.
    Conheço o trabalho do Tite e digo que o caráter excepcional dele não deixa e sequer aponta para tal canalhisse.
    Considero o fato do trabalho de mestre Tite em clubes, sempre sérios, respeitando seus adversários.
    Para aqueles que acham que Tite é tal “monstruoso” a esse ponto, então devem reciclar suas mentes doentias e “enxergar” melhor o futebol apresentado e organizado por ele.
    Falando no jogo em sí, o Brasil terá mais um teste e, aí sim, concordo com você sobre testar o Tardelli, aumentando nossas forças ofensivas.
    Grande abraço e saudações.

  2. Tite morrerá abraçado a Casemiro, Fernandinho, Paulinho, Renato Augusto, Firmino, Fred(ex-Gremio). Podem escrever. Jogadores como Tardelli, Lucas Lima, Rodriguinho, Diego Souza, Thiago Neves, Ewerton Ribeiro, Geovânio todos BONS DE BOLA são cartas fora do baralho, não tem a mínima chance, salvo uma ou outra zebra. ACORDEM! na cabeça do Tite não há lugar para jogador habilidoso que coloque em check suas idéias de futebolzinho de resultados, da tal da casinha fechada. Vejam os casos de Lucas Lima e Diego Souza. Ambos jogaram muito bem na seleção. Porém, quando Tite percebeu que teria que substituir alguém que carrega o piano, deu um jeito de se livrar deles. Convencer Dunga e Tite que jogador técnico não significa time fraco defensivamente é o mesmo que querer convencer um pastor de Igreja evangélica que Nossa Senhora é a mãe de Deus concebida sem pecado.

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