Nuzman. É atávico, meu!

Foto: Mauro PIMENTEL/AFP

Nestes tempos de Lava Jato, é comum dizer-se que a corrupção no Brasil é endêmica. Diria que é atávica. Nasceu com o próprio Brasil quando Cabral, mal pisando o Porto Seguro, passou a subornar os ingênuos donos da terra com miçangas e balangandãs.

E, se o amigo mandar exumar os armários desses senhores de barba, colarinho alto e ar severo, cujos retratos exibem-se nas galerias dos Pais da Pátria, verá que a corrupção sempre campeou por aqui, entre políticos e empresários.

Estou dizendo essas obviedades a propósito de um desses que acaba de ser algemado, saído da nossa praia – o esporte: Artur Nuzman, que mantinha uma incalculável fortuna em ouro num banco suiço, fruto de tantos malfeitos como alto dirigente esportivo.

E o mais estarrecedor é que meu considerado Juquinha, o Traquinas, o jornalista Juca Kfouri, vem há anos denunciando essas tramoias do nefando cartola, e nenhuma autoridade brasileira se dignou a, no mínimo, investigar a coisa a fundo. Ao contrário: deu a Nuzman todas as credenciais necessárias para que ele se aprofundasse nos labirintos da corrupção, em nome do próprio Brasil.

Não estivéssemos vivendo sob o signo da Lava Jato e o cartola, quando a hora chegasse, seria enterrado em caixão de ouro sob todas aquelas louvações típicas das autoridades, destinadas aos benfeitores da pátria.

Quando Juquinha, o Traquinas, conseguiu derrubar o safado Ricardo Teixeira da CBF, dediquei-lhe o velho ditado: Cuidado com o que você deseja. Não deu outra: quem assumiu a presidência da CBF? Marin, que hoje está encanado lá nos EUA. Por isso, Del Nero assumiu seu posto. O mesmo Del Nero que não se atreve um dar um passo fora das nossas fronteiras pra que não cumpra o mesmo destino de seu parceiro, desde aqui passa ainda incólume.

É uma sucessão de pilantras que parece não ter fim. É de pai pra filhos, netos e sobrinhos, como se pode constatar facilmente, por exemplo, nas gestões públicas – prefeituras, governos de Estados,  Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas, Congresso etc.

É atávico, gente! Para extirpar esse mal, se isso é possível, só com uma tecnologia de alta precisão aplicada ao longo das próximas gerações, no processo de educação (escola e casa) do brasileiro, transformando-o um dia, quem sabe, em autêntico cidadão.

Mas, uma coisa é absolutamente certa: apostar no autoritarismo, especialmente o militar, representará mais um enorme atraso nesse processo. Mesmo porque o autoritarismo camufla e estimula a corrupção muito mais do que a democracia, onde a Lava Jato ainda pode existir.

NA LINHA DO GOL

A Espanha, sem vários titulares, meteu 3 a 0 na Albânia, em Alicante, com direito a ter marcado uma goleada histórica, coisa de 7 ou 8 a 2, já que os albaneses mandaram duas bolas nas traves de De Gea, vá lá. Isso, porque o dominou espanhol foi absoluto, recheado de chances claras desperdiçadas ou salvas pelo goleiro e beques. E o curioso é que dois brasileiros naturalizados espanhóis marcaram gols nessa vitória que praticamente assegura a presença da Espanha na Copa da Rússia: o centroavante Rodrigo e Thiago Alcântara, um senhor do meio de campo, onde exibe rara lucidez, antevisão das jogadas, passes exatos e habilidade, atributos dos verdadeiros craques.

 

 

Um comentário

  1. Talvez a origem começou a nascer alguns anos antes de Cabral,em Junho de 1.494 em Tordesilhas,próximo à Valladolid.,quando foi firmado o famoso Tratado para dividir entre portugueses e espanhóis terras”descobertas e por descobrir”. A frota de Cabral zarpou rumo às Índias mas “tormentas e correntes marítimas desviaram” as caravelas para a nossa querida Bahia com H,de onde Pero Vaz escreveu ao rei que ” aqui plantando tudo dá” e aproveitou para pedir um empreguinho para seu genro. A festa pegou no breu à partir das Capitanias e até hoje a chama da corrupção não parou de arder.Haja água para apagar e Lava Jato para limpar.

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