Peixe no charco: 1 a 0.

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Não bastassem a falta de técnica e de ousadia do atual futebol brasileiro, em geral, espie só o gramado do Allianz Parque, um dos mais modernos estádios do país. Parecia o Pacaembu dos anos 50 – um charco, o que é inadmissível neste século 21; afinal, estádio de futebol é uma construção armada em torno do gramado, palco do jogo. Isso é mais importante do que o resto. Não pra nós, claro.

Mas, como bem disse um dos protagonistas após a partida: o futebolzinho que vimos não pode ser creditado apenas ao mau estado do gramado.

É mesmo fruto da mentalidade atual dos nossos técnicos, cartolas e mídia, que valorizam demais a combatividade, a disciplina tática (defensiva, diga-se) e muito pouco a criatividade.

E o que faltou, basicamente, tanto para o Verdão quanto para o Peixe foi criatividade, o que reduziu as chances de gol no primeiro tempo, por exemplo, a uma só, sob o rigor da análise: aquela sobra na área do Palmeiras que Ricardo Oliveira bateu pra defesa esperta de Prass com o pé direito.

No segundo, idem com batatas, a não ser no lance isolado em que Bruno Henrique recebe na esquerda e cruza pra Ricardo Oliveira, de cabeça, mandar às redes verdes: 1 a 0.

E isso foi tudo, embora o Verdão pressionasse no fim, como é de hábito nessas circunstâncias.

E assim, o Santos se mantém na vice-liderança com chances remotas de brigar pelo título, enquanto o Palmeiras empaca na sua pretensa arrancada decisiva no campeonato.

E viva nós e o Chico Barrigudo!

NA LINHA DO GOL

Ah, se todos no mundo fossem iguais a você, meu caro Guardiola… O suspiro do Poetinha era diante da beleza da mulher amada. O meu é diante da beleza do futebol que Guardiola sabe como nenhum outro técnico preservar, em meio ao cinzento pragmatismo geral, com as exceções de praxe, claro. Frente ao Chelsea de Antonio Conte, que, apesar de todos os avanços, não renega aos seus ao exumar os tais três zagueiros e optar pelo contragolpe como arma exclusiva, Guardiola soltou seu time como cães de guerra sobre o adversário. Ah, mas foi só por 1 a 0, gol de De Bruyne, replicará o pragmático de plantão. Mas, deveria ter sido de muito mais, pois foram noventa e tantos minutos de puro assédio do City, que, a exemplo do Barça e do Bayern de Guardiola, plantou-se no campo inimigo, em busca de quantos gols fossem possíveis. Até aqui, em sete jogos, o City marcou vinte e dois gols e sofreu apenas dois. Isso, atuando com apenas um volante (Fernandinho), que joga solto, num claro 4-3-3.

E que dizer do PSG de M’bappé, Cavani e Neymar, que acaba de enfiar 6 a 2 no Bordeaux, o terceiro colocado na tabela francesa? E o fez assim, ó, como quem entorna um copo d’água, graças ao talento e a irreverência de Neymar, que fez dois (um de pênalti, que é pra acabar com esse mimimi da mídia) e outro numa cobrança de falta magistral, e do garoto M’bappé, que fez um e deu duas assistências. Ah, se o técnico Nemery trocasse dois dos seus três volantes habituais por dois meias como Di Maria e Lo Celso, que só entraram mais tarde… Seria igual a você, Guardiola.

2 comentários

  1. Tambem assisti este jogo do campeonato ingles e é de encher os olhos ver tamanha disposição do time de Guardiola .! joga com vontade garra e em busca do gol .!joga com gana e não se acovarda quando esta com resultado a seu favor ,não diminui o ritímo vai pra dentro do adversario e os atletas não simulam faltas atrapalhando a arbitragem ,jogam com etica dentro do esporte ao contrario do nosso futebol!

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