
O Chelsea acaba de levantar o título inglês diante do West Bromwich, por 1 a 0 , gol nascido de um cruzamento da direita de Aspilicueta, o lateral de origem escalado pelo técnico Antonio Conte como o tal terceiro zagueiro no esquema que anda encantando o mundo, como uma grande novidade a ser seguida.
Aliás, pode o amigo esperar por aí, ao longo do Brasileirão que se inicia neste sábado, uma nova febre de três zagueiros. Com um detalhe: a turma ouviu cantar o galo mas não sabe onde.
O sistema adotado pelo esfuziante italiano no Chelsea nada tem a ver com aquele que já havia caído em desuso há tempos, lá e cá, com três zagueiros de origem, vocação e estilo. Este torna a equipe ou excessivamente defensivo, com os dois laterais cumprindo suas funções habituais, ou perde de vez o domínio do meio de campo, pela falta de um armador, ou, então, poder ofensivo, pela ausência de um terceiro atacante.
O Chelsea de Conte tem um lateral (Aspilicueta) mais recuado, embora com liberdade para atacar quando seu time está com a bola; um zagueiro-zagueiro (Cahill) e um outro, de técnica refinada, que, além de afinar o primeiro passe, é capaz de se transformar em volante com a maior facilidade (David Luís).
Pela direita, completando Aspilicueta, tem lá um ponta velocíssimo, agressivo e combativo como Moses, que vai e vem. À sua frente, ainda, Pedro, ponta-ponta, assim como na esquerda, Hazard, de drible fácil e agudo, com um centroavante típico, Diego Souza. No meio de campo, três armadores – Kanté, que se movimenta demais, ou Matic, canhoto de bom passe, e Fàbregas, um meia de altíssima ciência na distribuição de jogo.
E, pela lateral-esquerda. Alonso, que praticamente atua como um ponta-esquerda o tempo todo.
Se levarmos em conta que o setor de meio de campo é acrescido da presença de Moses pela direita, teremos, então, um 3-4-3, não o já tradicional 3-5-2, pretensamente ofensivo, mas, de fato, defensivo.
E, se quisermos nos aprofundar nesse papo, é como se o italiano de hoje tirasse do baú o célebre WM do escocês H. Chapman, sistema que, na virada dos anos 20 para os 30, mudou a face do futebol e estabeleceu os princípios táticos que basearam todos os demais: três zagueiros, quatro meio-campistas e três atacantes.
Esses quatro do meio de campo eram dois médios de apoio (volantes) e dois meias, que, dependendo do seu eventual posicionamento estratégico, poderiam formar um quadrado, um losango, um trapézio, um triângulo, um retângulo ou simplesmente uma linha reta. Por isso, foi batizado de quadrado mágico. Mágico porque muda de formato de acordo com o andamento do jogo ou das instruções do técnico, pois futebol não é pebolim, como querem nossos observadores atuais em geral. Está mais para vídeo-game, em nome da modernidade que a turminha tanto apregoa por aí.
De qualquer maneira, não se deve atribuir o êxito do Chelsea apenas a essa mudança de ordem tática. Some-se a isso, a excelência do seu elenco, o fato desse time ter praticamente só disputado o campeonato inglês – o que poupou os jogadores e ampliou as chances de treinamentos mais adequados -, ao contrário de seus perseguidores que se desdobraram em outras competições paralelas, e, claro, a inegável competência de seu treinador, que já havia mexido no âmago da Azzurra quando por lá esteve.
NA LINHA DO GOL
No rigor da lei, a pena dada pela Conmebol a Felipe Melo tem lá seu respaldo jurídico. Afinal, o volante verde meteu o braço na cara do uruguaio espevitado que corria em sua direção. Assim como não cabe à junta punitiva desconsiderar as cretinas declarações do atleta pela tv, antes do jogo, de que se preciso fosse “daria tapas na cara dos uruguaios”. Mas, cá entre nós, aquele cruzado na cabeça do uruguaio foi bem dado. Quem, com um pingo de sangue nas veias, não o daria, naquelas circunstâncias em que o sujeito investe por vinte, trinta metros sobre você com o claro intuito de agredir? Isso também deveria ser levado em conta pela corte de justiça. Assim como punir muito mais drasticamente o Peñarol que, evidentemente, armou uma arapuca para acuar os jogadores verdes em campo com a clara intenção de massacrá-los.
Eu trouxe 1 kg de cada, mestre José Sardinha