
Foi assim: eu ia pela Nove de Julho em direção ao jornal, ouvindo no rádio o programa do saudoso Alfredo Borba, corintiano fanático e quebrador de discos nas horas vagas, que entrevistava o então secretário de Esportes e Turismo da Prefeitura de São Paulo. No fim do papo, Alfredo Borba perguntou ao entrevistado:
-E o Nabi, está eleito?
-Claro que está!
-E Nabi, eleito, o Corinthians será campeão?
-Sem dúvida, Nabi, eleito, Corinthians campeão.
Brequei o carro no meio da avenida, virando-me pra minha mulher, a Maria Lúcia:
-Você ouviu o que ouvi?
Com a confirmação dela, segui em frente e escrevi minha coluna no Jornal da Tarde, Bola de Papel, em cima desse episódio, naquela base: como, o Nabi Chadid eleito presidente da Federação Paulista de Futebol, o Corinthians, que amargava vinte e três anos de fila no Campeonato Paulista, estaria automaticamente sendo sagrado campeão?
Naquela época, virada dos anos 1976/77, feria-se a eleição para presidente da FPF, na sucessão de Zé Ermírio de Moraes. De um lado, Metidieri, presidente do São Bento de Sorocaba, apoiado pelo Clube dos Treze, fundado por José Pinto Filho, o Zé da Farmácia, presidente do Juventus. Eram os clubes pequenos tentando assumir a direção do futebol paulista, aproveitando-se do vácuo dos grandes na disputa.
Em contrapartida, havia a chapa encabeçada por Nabi Abi Chedid, presidente do Bragantino e deputado estadual, líder da chamada Opep, pelotão de choque do governador Paulo Egídio Martins na Assembleia Legislativa, composto por alguns descendentes de árabes (por isso, Opep, em alusão à frente dos produtores de petróleo do Oriente Médio).
Bem, depois de escrever minha coluna, à noite, fui jantar no Giovanni Bruno, ali na rua Avanhandava. Restaurante cheio, meu querido Cláudio Lembo, à época presidente da Arena, partido do governo militar, me acenou pra sentar à sua mesa. Sentei, e disparei:
-Você tá bem arranjado com essa sua turminha…
E relatei a ele o que tinha ouvido e escrito a respeito. Lembo apenas passou a mão pelo rosto, em sinal de desaprovação.
Logo, chegou Murilo Felisberto, então diretor de redação do Jornal da Tarde, e, em seguida, despontaram Nabi, Simões Neto e Maluly Neto, secretário do Trabalho de Paulo Egídio, acompanhados de uma dama,
Sentaram-se à mesa, e logo cumprimentei Simões Neto:
-Ouvi você dizer hoje na rádio que Nabi eleito, o Corinthians seria campeão.
Simões, dirigindo-se a Nabi:
-Viu? Eu disse mesmo!
A partir daí, vinho rolando na mesa, eles começaram a desenrolar a trama, abertamente: em síntese, Nabi eleito presidente da FPF, o campeonato deveria terminar em outubro, véspera das eleições, em que Paulo Egídio, corintiano expresso, seria reeleito como o governador pé quente.
Avisei no ato que tudo aquilo que diziam à mesa seria publicado na minha coluna no dia seguinte, O que fiz.
No dia seguinte, Antônio Brito, que mais tarde ganharia notoriedade por ter sido porta-voz de Tancredo Neves na agonia do presidente eleito sem ter assumido, e, depois, eleito governador do Rio Grande do Sul, ainda era mero repórter da sucursal do jornal em Brasília, Ele, então, levou a coluna ao general Golbery, eminência parda do governo Geisel, que, por sua vez, mandou Nabi tirar o time de campo na eleição para a FPF. Ordem cumprida, Metidieri foi eleito, e, na decisão daquele ano o Corinthians foi campeão, diante da Ponte, no Morumbi, com aquele gol mágico de Basílio.
Terminado o jogo fui à tribuna especial, onde estavam o governador Paulo Egídio e Maluly Neto, que se virou pra mim e disse, sorriso largo:
-Desta vez, não houve nada, viu?
Respondi, simplesmente:
– Desta vez, eu simplesmente não soube de nada.
Eu te pergunto meu velho:
– Quer chegar a que lugar com esse texto ae?.
Bela narrativa , diga-se de passagem, mas, oras bolas se fosse tirar os Esqueletos do armarios todos os times estariam ao léu.
Titulos conquistados sob Suspeitas todos têm, até porque em cada Clube Grande tem uma cabeça Mafiosa ( se é que me entende..)
Mas vida que segue…
Porque esta turcaiada gosta tanto de Neto no nome?