
Lá pela virada dos anos 1950/51, o Palmeiras celebrou, com muita pizza e chianti, ao som da marcha dos bersaglieri, a conquista das Cinco Coroas – a mais preciosa, sem dúvida, a Taça Rio, o Mundial de Clubes da época.
Pois, em meio às comemorações, enfrentou a Ponte Preta, recém promovida à Primeira Divisão do Campeonato Paulista, e perdeu (já nem me lembro de quanto). O que me restou na memória foi uma charge – se não me engano, do meu querido e saudoso amigo, Miécio Caffé – estampada na capa da Gazeta Esportiva em que o Periquito caía de uma ponte preta com as cinco coroas espalhadas ao leu.
Foi um espanto!
Um espanto tão grande se o tão festejado Palmeiras de agora, dono de elenco invejável, campeão brasileiro com todos os méritos, caísse da Ponte na disputa das semifinais do Paulistão, que se inicia neste domingo, em Campinas.
Afinal, embora a Macaca seja um time bem arrumado, que chegou até essa ilustre posição por suas próprias pernas, não se pode compará-la, tecnicamente, ao Periquito desta temporada. Ainda mais que poderá jogar sem Nino Paraíba, aquele lateral expedito, que a toda hora está lá no ataque, infernizando os adversários. Assim como Cajá, o maestro da equipe, também é dúvida.
Mas, joga em casa, diante de uma torcida delirante (talvez, a única do interior realmente fiel e exclusiva do time da cidade), e isso conta muito em disputas de mata-mata.
Por seu lado, o Verdão deverá ter Jean de volta à lateral-direita, apesar de Fabiano ter sido o salvador da pátria no jogo recente da Libertadores. Jean, porém, é mais eficiente por ali.
Quanto ao resto, essa modinha dos treinos secretos e de sigilo absoluto quanto ao time que Eduardo Baptista porá em campo, claro, prejudica em muito qualquer previsão quanto ao comportamento futuro do seu time.
No caso do Palmeiras, contudo, qualquer que seja a escalação, dada à excelência de seus reservas, sempre será, tecnicamente, superior ao adversário. O diabo é ver esses jogadores devidamente encaixados num esquema em que todos consigam atingir seu máximo individual, apoiados num conjunto harmônico e persistente. Pelo menos, nesta fase ainda de ajustes.
O fato é que o Palmeiras, apesar da sequência de bons resultados – alguns, arrancados a fórceps -, ainda não conseguiu manter aquela chama acesa ao longo dos noventa minutos. Flui e reflui com muita frequência.
O certo é que, se puder contar com Roger Guedes, já terá um reforço significativo para esse jogo, pois é de se esperar uma Ponte fechadinha lá atrás, com o Palmeiras tentando varar a retranca por las puntas, como recomendava Don Filpo Nuñes, o Malandro de Camisa de Seda, técnico histórico do Verdão. E aqui cabe também a figura de Keno, pela esquerda.
De qualquer forma, será jogo duro.
Meu velhote amigo , aposto que escreveu esse belo texto , usando fraque e cartola com um velho Whisky – na mao esquerda e Charuto dos bons na direita , ao som do fino samba de Adoniran.
Abćos
Sem dúvida, belo texto… Mas este jogo com tanta história merece exaltar cada detalhe… como a foto, que se não me engano traz dois ex-pontepretanos que vieram para o Palmeiras: Zé Mario o mais alto e Polozzi no fundo, não ? O primeiro parece que é o Juninho e os palmeirenses, o de costas, pelo jeito e pelo número deve ser o Nei e o que está de frente parece ou o Diogo ou o Cesar (zagueiro)… Acertei todos ?
Ao fundo é o Dicá, seguido de Zé Mario, Cesar(centro-avante), Juninho e provavelmente Nei. Talvez o Polozzi até tenha jogado, mas se jogou, foi pelo Palmeiras e não pela Ponte Preta.
E o Zé Mario veio do Palmeiras para a Ponte Preta, e não ao contrário.
Alberto Helena Jr.
A Ponte Preta é uma pedra no sapato de qualquer time jogando lá em Campinas, são jogos difíceis em que o time local conhece todos os caminhos e atalhos e na minha humilde opinião para ganhar dos campineiros tem que se fazer uma marcação alta, não permitindo o toque de bola deles desde a defesa, fazer com que rifem a bola e também marcação dobrada pelas pontas visto que usam os laterais a toda hora como verdadeiros pontas, sufocar a Ponte em sua defesa é o caminho para o Verdão se dar bem hoje em Campinas. Saudações palmeirenses.