
Gérson, o Canhota de Ouro, um dos líderes da melhor seleção do mundo, reconhecida assim pela Fifa, disse na Fox que Neymar, no máximo, seria banco no time de 70.
Tenho por Gérson admiração, respeito e carinho como jogador extraordinário que foi e pelo ser humano que é. E concordo com sua afirmação.
Não pelos motivos por ele expostos, ao exaltar a fina bola de Paulo César Caju, seu parceiro da hora no Botafogo daqueles tempos, embora Edu, o terceiro reserva da ponta-esquerda, tenha sido ainda mais hábil e incisivo do que Caju, como provou ao longo de sua carreira e na campanha nas Eliminatórias.
Mas, sim, por causa das idiossincrasias do técnico Zagallo, que não abria mão do esquema com um ponta-esquerda recuado, o que, de cara, excluía Edu. O preferido era Caju, mas, diante da pressão da opinião pública, optou por Rivellino, até então reserva de Gérson.
Zagallo era assim. Tanto que preferiu recuar Piazza para a zaga, ainda que lá estivessem Joel Camargo, mil vezes mais completo do que Piazza, e Fontana, um becão daqueles de espanar bola e adversário.

Vou além: mais perfeito como meia-armador do que Gérson ou Rivellino era Ademir da Guia, que sequer foi chamado.
Mas, essa é outra história.
A questão aqui e agora é saber se haveria um lugar para Neymar naquela espetacular Seleção Brasileira tricampeã do mundo no México.
Claro que é quase impossível elucubrar sobre um time que atingiu quase a perfeição numa Copa do Mundo, o maior espetáculo da Terra. Uma coisa é falar sobre o que deu certo e outra, muito diferente, como seria se tivesse sido assim ou assado.
Mas, num exercício de imaginação, transportando o Neymar atual para aquele cenário tão especial, arrisco dizer que teria, sim, senhor, lugar naquele time, como titular. E, justamente, no lugar de Rivellino, meu querido amigo, jogador tão extraordinário que serviu de padrão para Maradona.
Explico: Rivellino foi improvisado na falsa ponta-esquerda. Hábil, dono de um disparo de canhota invejáve, de lançamentos exatosl e daqueles elásticos sensacionais, era, porém, lento, se comparado a Neymar, e padecia de certa inconstância durante os jogos. Além do mais, por vocação e hábito, caía muito pelo meio, obrigando Tostão, o centroavante artilheiro do Brasil nas Eliminatórias, quando Edu era o extrema, desviar-se pela esquerda com muita frequência.
Neymar, velocíssimo, igualmente habilidoso no trato com a bola, é, ao mesmo tempo, mais incisivo, goleador e participativo, sobretudo na volta ao combate pelo seu lado, do que Rivellino o era. Diante das marcações mais negligentes da época, o Neymar de hoje teria sido absolutamente imarcável naquela época.
Mas, essa história de enfiar jogadores de todas as eras no túnel do tempo acabaria, no fim, por nos levar à loucura.
Julinho Botelho estaria no lugar de Garrincha, que ocuparia o posto de Jairzinho. Zizinho teria colocado no banco Didi, que, por sua vez, excluiria Gérson. Leônidas da Silva deixaria Tostão de queixo caído no banco da Seleção. E Canhoteiro e Pepe teriam tirado Zagallo da Copa de 58, e assim vai. Só Pelé estaria acima de qualquer outra comparação.
E essa Seleção de 70 corria o risco de não ter sido a mais perfeita e incrível de todas quantas já disputaram uma Copa do Mundo.
Sim, assim como foi a de 1982, com jogadores fantásticos e, mais ainda, um treinador “monstro”, não é mesmo?
Acredito que a comparação é válida apenas em tempos modernos, como havia dito em seu blog anterior, tudo ao seu tempo tecnológico.
Claro que sonhar com uma seleção “transportada no tempo” aos tempos atuais, com novos treinamentos, metodologias, engrenariam na melhor seleção de todos os tempos novamente, e, aí sim, o Neymar encaixaria na posição sitada por você.
Mesmo assim, tenho lá minhas dúvidas se ele seria titular absoluto.
Grande abraço.
Depois de Pelé, foi Rivelino o melhor jogador que ví jogar. Ele “enchia” o campo muito mais que o Neymar. (embora seja anticurintha.
Ademir da Guia era muito bom, mas só jogava no Palmeiras, time montado ao seu formato e com Dudu de fiel escudeiro. Nas vezes que foi chamado à Seleção, esteve sempre pífio. Não acho que ele possa ser incluido no rol dos grandes, como Didi, Gerson, Rivelino, Zizinho, Jair da Rosa Pinto.