Choque-Rei verdíssimo: 3 a 0!

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Ao entrar no Parque com quatro volantes – Jucilei, Schmidt, Tiago Mendes e Cícero – o São Paulo já abdicava de antemão do estilo de jogo que lhe tem conferido elogios e vitórias neste início de temporada.

Resultado: a bola ficou com o mistão do Palmeiras, que, por seu lado, passou a marcar a saída de bola do Tricolor, reticente e imprecisa, e dominou o jogo durante todo o primeiro tempo.

É verdade que teve dificuldades de furar a retranca adversária, como de hábito nessas circunstâncias.

Mas, já no finzinho da etapa inicial, Buffarini perde para Egídio em cima da risca da lateral, e a bola vai pra Dudu. É quando o maravilhoso entra em campo pra romper com aquela rotina cinzenta: Dudu, sei lá, de uns trinta metros, mete a bola por sobre Denis, adiantado, numa curvatura perfeita: 1 a 0!

E olhe que não foi um lance fortuito, não, embora inusitado para seu autor. No intervalo, Dudu declarou ao microfone do Sportv que desde o início já percebera que Denis jogava muito adiantado.

No intervalo, Rogério Ceni resolveu substituir Jucilei, que não vinha bem, inclusive fisicamente, por Wellington Nem, um parceiro ao menos para Pratto e Luís Araújo.

Mas, não era o que se impunha. Ou seja: a entrada de um meia de armação para ocupar a vaga deixada por Cueva. No elenco tricolor, só há o menino Lucas Fernandes habilitado a cumprir tal função. (O garoto só entrou quando o Tricolor já estava entregue).

Em contrapartida, o Verdão tinha lá um trio de ouro para organizar seu ataque: Tchê-Tchê, Michel Bastos e Guerra.

E assim foi apertando o cerco sobre a área tricolor até que Tchê-Tchê, aos 8 minutos, disparasse aquela canhota fatal: 2 a 0.

A partir daí, acentuou-se o domínio verde, e o terceiro gol pairava sobre o Parque como se inscrito no placar do inevitável. Poderia ter sido naquela cabeçada de Egídio, nascida de bela trama de Michel Bastos com Fabiano. E que dizer desse outro, gol feito perdido por Borja, que havia acabado de entrar no lugar de William?

Coube, pois, a Guerra, logo em seguida, aos 25 minutos, se aproveitar de bola enfiada na área, em falha de Denis na dividida com Borja.

Moral da história I: àqueles que reclamavam a falta de maior poder defensivo do São Paulo, aí está – jogando com quatro volantes à frente da zaga, levou um chocolate do Palmeiras.

Moral da história II: jogando com apenas um volante de ofício (Tiago Santos) e três meias de habilidade, na armação, o Palmeiras deixou de ser aquele time soluçante na saída de bola da defesa ao ataque, ganhou fluência e podia até mesmo ter goleado o adversário deste sábado.

Moral da história III: o elenco do Palmeiras é, de fato, ilustríssimo, não se trata de fantasia da mídia, não. Esse time misto que enfrentou o São Paulo poderia ser o titular de qualquer outro, inclusive o São Paulo.

 

11 comentários

  1. Esse esquema “ofensivo” do Rogério Ceni nunca me enganou. O SP estava jogando com 3 volantes nos últimos jogos, contra times pequenos, e isso não é ofensivo nem aqui e nem na China. É retranca pura. Agora veio com essa de 4 volantes. Tem mais é q perder de goleada mesmo. O Rogério não trouxe nada de novo para o futebol brasileiro. Ele é da mesma escola retranqueira do Muricy, Celso Roth, Carpegiani e cia.

    1. Dalton. VC nao entende nada de futebol. Não percebeu que o Ceni mudou todo o esquema de jogo sem tempo para treinar, por isso tomou um vareio. Nesse jogo ele se portou como um treinador comum, desses que enganam aqui no Brasil, onde só Tite e Dorival fazem algo diferente. Fora que colocar T. Mendes como armador é o cúmulo da bizarrice. Menos é mais, trocasse apenas o Cueva pelo L. Fernandes, ainda que nao ganhasse, nao tomaria um chocolate. O cara tem que ter coragem, foi o que ele nao teve, e pensou de maneira prepotente que poderia mudar tudo de um dia para outro que funcionaria. Mas mesmo assim, sao apenas dois meses como técnico, e vc quer colocar na balança caras que trabalham a 30 anos enganando. E tira o Muricy dessa historia, por mais ultrapassado que hoje ele esteja, ele ganhou 4 brasileiros, 1 libertadores e fora os estaduais. Vai aprender sobre futebol mané, nao deve em saber chutar uma bola.

  2. Alberto Helena Jr.

    É difícil para esse palestrino de 61 anos que lhe escreve se emocionar com o futebol mas o seu excelente texto Alberto, digno de um jornalista com J maiúsculo, faz a gente voltar a acreditar no futebol bem jogado e no reconhecimento de um jornalista de seu quilate para o bom desempenho do Verdão. Obrigado meu amigo e saudações palmeirenses.

  3. Retranqueiro, sim este Ceni. Ele sabe que o Palmeiras tem mais time e foi incapaz de imaginar outra solução estratégica para o SP que não fosse rechear o meio de campo de volantes e tentar a velha retranca. Danou-se. Coisa boa. Acharia mais legal jogar com 4 zagueiros, sei lá, ou põe logo 6 volantes. O problema é que o cara fica com vergonha de arrebentar a boca do balão e ataca com esta timidez idiota de 3 volantes e retranquinha para acabar humilhado pelo rival. E tome olé. Técnicos brasileiros são o máximo do minimo. E são metidos, queixudos e vitimistas. Mas eu me diverti esta tarde, meu Deus, como me diverti.

  4. Olá Sr.Alberto Helena…
    Desta vez concordo com vosso comentário,parabéns.
    Creio que o Palmeiras está melhorando,está encaixando,
    se descobrindo,e vendo o que tem em mãos,para fazer qualquer tipo de jogo,
    e vencer os adversários com toda normalidade…Dar tempo ao tempo…
    A mídia tb tem que entender isso…Realmente o elenco é muito forte…
    Só pelo jogo de hoje,por exemplo,a história contra o Ituano e Corinthians seria outra,
    digo isso para contrabalancear com muitos comentários sem razão,onde o amor falou mais alto…
    Sr.Alberto,grato pela oportunidade em poder compartilhar…Deus o abençoe sempre…Abraços.

  5. Prezado Alberto Helena, concordo sem dúvidas com tuas observações, assisti ao jogo e acho também que o São Paulo se atrapalhou diante de um adversário de peso.
    Entretanto o Palmeiras não se apresentou melhor desta vez por causa da miséria do São Paulo porém porque mudou de novo para melhor.
    Você poderia ter acrescentado a Moral da história IV: Jogando com Che-Chê e Dudu o Palmeiras ganha vida, a habilidade deles transtorna o adversário. Se o Baptista continuar acreditando neles na quarta-feira o time vai desencantar também na Libertadores.

  6. É fácil falar depois do resultado consumado ( mate?,que mate ? chá mate ? ).Se analisarmos a situação com sabedoria,João Saldinha busca a praça removida e lhe confere elogios.Tá provado que Roberto Ceni entrou com dois volantes,Schimidt e Jucilei,liberando Thiago e Cícero para atacar ! O time sentiu a falta de Maicon e Cueva,somado ao fato que Denis é muito, mas muito inseguro´.Ah, e tem o adversario que tem um ótimo elenco e viveu tarde inspirada.Remove esse carro e conserve o console Odissey ! Tribute esss…esss….essss…. essa carta mestre João Saldinha !

  7. Aos amigos palmeirenses que acham que o Palmeiras foi fundado por italianos que me desculpem é tudo puro engano. Na realidade, o Palmeiras foi fundado por pároco de uma igreja que havia pros lados de Santa Cecília cujo vigário era um velho holandês missionário jesuíta. Naquele tempo aos domingos depois da missa o padre Mathias reunia os fíéis para um conversa, uma longa conversa sobre o dia a dia da paróquia. Numa dessas conversas um baiano de nome Del Moro perguntou se eles não queriam formar um time de futebol com os participantes daquele evento dominical. Foi ai que surgiu pela primeira vez o nome do time. Um cara gritou por que não Palestra em homenagem a nossa reunião a nossa palestra. Como ele era italiano ficou então o primeiro batismo de Palestra Itália. Outro paroquiano falou da dificuldade em jogar, já que não havia um campo disponível. Foi ai que dona Chiquinha uma portuguesa que não perdia uma missa disse que ” lá embaixo das Palmeiras” era um lugar bem adequado uma vez que era tudo gramado com a grama esmeralda(dai o nome esmeraldinos). Depois disso foi uma grande confusão pois uma turma queria que o nome fosse Palestra e a outra preferia Palmeiras. Essa briga não atoa dura até hoje.

  8. Sabedoria apresentada senhor Sardinha, parabéns.
    A partir daquele início litúrgico posso dizer que o enterro do nome Palestra aconteceu como um “prejuízo paralelo”. Embora a palavra palestra seja um termo português e portanto brasileiro, estava infelizmente mal acompanhada do termo “Itália” que naqueles anos da segunda guerra mundial — em que a Itália até quase o final da guerra foi inimiga do Brasil também — ficou um nome proibido.
    De qualquer forma acho que o nome Palmeiras que se solidificou, é de bom tamanho e fez a história através várias gerações.
    Viva o Palmeiras, campeão dos campeões!

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