Um domingo em três cores

O domingo raiou lançando sombras sobre o Peixe. O sol ardia e o Peixe se desidratava na manhã calorenta no Pacaembu, diante de um energético Red Bulls, que marcava e atacava no devido tempo.

Sem Renato, a âncora técnica do seu time, e com Leandro Donizeti em seu lugar, o Santos não conseguia reproduzir aquela fluência ofensiva que lhe é peculiar. Mesmo assim, manteve-se à frente do placar até o final.

E que final! Já nos descontos, Lucas Lima cavou uma falta inexistente, que ele mesmo cobrou pra Kayke desviar com o antebraço e o goleiro defender… além ou aquém da linha fatal? Tenho dúvidas. Dúvidas que o bandeirinha não teve: 3 a 2, no fim das contas.

Assim, o Peixe segue 100 por cento no Paulistão.

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

À tarde, quem surpreendeu mesmo foi o Tricolor, que jogando bem, bola no chão envolvendo o adversário, meteu 5 a 2 na Ponte, que não é nenhum Zé Mané.

E esse é o diferencial: não foi uma goleada assim aleatória, fruto de cinco lances isolados, nada disso.

Durante todo o primeiro tempo, a Ponte praticamente só se defendeu e abriu a contagem no primeiro disparo, de Jesus, em falha do goleiro Sidão.

Mas, o São Paulo não se abateu, e partiu para a reação imediata, com o gol de Cueva, mais três de Gilberto e outro de Tiago Mendes, num segundo tempo arrasador. Mais uma vez, em desempenho lancinante de Luís Araújo, um ponta que se move por todo o ataque em alta velocidade, dribla, chuta e serve os companheiros na medida.

O que esperar, então, do milionário Palmeiras, campeão brasileiro sem máculas, e super reforçado, quando a noite caía em Itu?

Tudo, menos isso que se viu: um time de futebol opaco, sem imaginação, embora dedicado, que  acabou perdendo para o modesto Ituano por 1 a 0, gol de cabeça de Guly.

Bem, de cara, diria que essa é uma daquelas ocasiões em que apenas três jogadores num elenco tão ilustre fazem uma falta danada. Refiro-me, claro, a Gabriel Jesus, mas, também, a Moisés e Tchê-Tchê, que davam o devido equilíbrio ao seu meio campo, sem falar na criatividade.

Isso, de certa forma, caberia a Guerra, que foi discretíssimo ao longo de toda a partida, em sua estreia no Verdão.

E, principalmente, às escolhas feitas por Eduardo Baptista.

Falo das entradas de Tiago Santos no lugar de Fabiano, machucado, o que levou Jean a reocupar a lateral-direita, e, mais tarde, as de Alecsandro e Keno. A de Alec no lugar do beque Edu propunha um time mais ofensivo, já que Tiago Santos passaria a jogar na linha de zaga. Mas, a de Keno na vaga de Roger Guedes perpetuava a falta de criatividade no meio de campo.

Não se trata, porém, de execrar o treinador que acabou de chegar. Afinal, são tantas as escolhas que estão à sua disposição que é preciso dar-lhe tempo para ajeitar as coisas. E o Paulistão existe pra isso mesmo.

3 comentários

  1. Só quero ver Alberto, se esse São Paulo agora se estabiliza e consegue mesmo não ganhando mostrar um bom futebol e continuar envolvendo os adversários. Não adianta chegarem ótimos jogadores se o time não se mantiver robusto, firme e estável. Valeu!

  2. Desculpe Alberto usar sua matéria: Mas o recado é para o Flavio `Prado: Vcs devem ter muita raiva do Santos F. C. mesmo. Sete minutos do programa Mesa Redonda, pra falar do único grande com 100% de aproveitamento, Valeu!!!

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